
Medos do Medo
Rogério Gomes
Medos são valas de terra, onde nos escondemos da
realidade
Medos são pratos servidos com sabor de fel e de
cor fria
Medos são trêmulos momentos de dor aliados à
visão
Medos são feras de garras afiadas que buscam
comida e morrem pela fome
Medos são faces de todos e corpo de ninguém
Medo é o calor gélido é o frio aquecido, é o
avesso e inverso
Medo é conhecer o desconhecido, é unir e
desalinhar
Medo é não viver o que nunca foi vivido
Medo é ter medo e nada mais
Medo é beijar o vento e não sentir a brisa
Medo é sentir o fio da navalha e não ter sangue
para derramar
Medo é o vazio de um todo, um todo de um nada
Medo não é falta de coragem, é a coragem que
nunca existiu
Medo e estar sozinho e não ter nada que possa
acompanhar, nem a você mesmo
Medo é sofrer por algo que não sabe o que é
Medo é saber o que não sofrer por nada
Medo não é nada de um todo, é um todo de um nada
Medo é um céu sem estrelas, é a lua sem
claridade
Medo é o mar sem vida, é a vida que escoa pelo
mar
Medos são flores sem pétalas, pautas sem
solfejos
Medos são firmamentos sem céu, são poentes sem
sol
Medos são longos dias, sem manhãs sem tardes,
mas filhos da noite
Medo é o medo de ter medo, vizinho da solidão
Medo é o final da razão é dizer que é cedo e ter
medo.

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