Atualidades da Dra. Carla de J. Rodrigues, 11 de novembro de 2002:

Combatendo as lesões em sala de aula

por Katie Dean

 

A puberdade é um flagelo para os pais, os professores e as carteiras escolares. Com a popularização dos computadores entre os estudantes, a mobília escolar deve ser ajustada tanto para aquele adolescente cujo crescimento disparou no último verão quanto para aquele que ainda espera sua vez.

Esta é a mensagem que a AOTA (Associação Americana de Terapia Ocupacional) está tentando passar ao emitir um conjunto de estratégias ergonômicas para pais, professores e alunos.

"Estamos preocupados com a saúde e o bem-estar das crianças", diz Brynda Pappas, porta-voz da AOTA. "Já que um quarto de nossos membros trabalha em ambiente escolar, vemos que estes problemas de ergonomia têm o potencial de afetar negativamente o desenvolvimento".

O programa criado pela entidade oferece sugestões de senso comum, como comprar carteiras ajustáveis para acomodar estudantes em crescimento, permitir pausas para alongamento quando os alunos usam o computador, colocar os monitores ao nível dos olhos e garantir que os pés dos estudantes repousam sobre o chão enquanto trabalham, colocando descansos para os pés quando necessário. A idéia é prevenir problemas de saúde como a Lesão por Esforço Repetitivo (LER).

"Móveis de um só tamanho não servem para todos", diz Karen Jacobs, terapeuta ocupacional e professora da Universidade de Boston. "Ajustabilidade é o nome do jogo".

De acordo com a AOTA, essas dicas ajudarão a aliviar a tensão sobre os pulsos, os pescoços, as pernas e as costas dos alunos. As diretrizes também incluem formas de reduzir o peso das mochilas, outra fonte comum de esforço. "Um dos motivos pelos quais isso é tão importante é que esta é a primeira geração em que as pessoas usam esta tecnologia desde pequenas", disse Pappas. "Não há pesquisas suficientes em torno dos efeitos a longo prazo sobre as crianças".

Jacobs desenvolveu um software gratuito que lembra aos alunos de fazer alongamentos a cada 30 minutos. O programa está disponível para download em seu website.

Até o momento, a ergonomia não tem sido uma das prioridades das escolas, dizem os professores. "O dinheiro é usado para comprar a tecnologia, e não o equipamento que a acompanha", disse Carolyn Hinshaw, professora da quinta série da escola elementar Birchwood em Bellingham, Washington. As escolas trabalham com fornecedores que vendem os computadores, mas teclados menores para dedos pequenos custam mais caro, afirma Hinshaw.

Shelley Chamberlain, coordenadora de tecnologia educacional das escolas públicas de Lexington, diz que as escolas precisam começar a pensar em ergonomia quando compram seus móveis. Geralmente, porém, móveis ajustáveis custam mais caro e as escolas não querem ou não podem arcar com a despesa.

O projeto da sala de aula e do laboratório de informática também é importante, diz Chamberlain. "Tivemos problemas com quem construiu nosso laboratório porque os balcões eram muito altos para as crianças e estreitos demais para os computadores", conta. "Em geral, se isso acontece, as pessoas deixam do jeito que está".

Nesse caso, a escola acabou passando por uma reforma, e os balcões não são mais problema. Mas Jacobs enfatiza que muitas mudanças podem ser feitas sem que se gaste muito dinheiro - e às vezes sem gastar nada. Pode-se usar guias telefônicos velhos para erguer os monitores ao nível dos olhos e servir como apoio improvisado para os pés, por exemplo.

Jacobs também trabalhou com várias escolas de ensino médio de Lexington a fim de ajudar professores e alunos a desenvolver hábitos saudáveis ao usar o computador. "Espero que essas classes integrem as lições de ergonomia às suas aulas", disse Chamberlain.

As aulas de informática de Monna Greenstreet na escola secundária Hillside em Manchester, New Hampshire, estão usando as estratégias de ergonomia para conscientizar os alunos a respeito da importância da boa postura e das pausas para descanso. "Não sei quais os problemas que se acumulam em uma aula de 40 minutos, mas isso não significa que não possamos deixar nossos alunos a par dessas estratégias", disse Greenstreet.

Uma especialista em LER diz que as sugestões são um passo na direção certa. "Acho maravilhoso que essa associação esteja propondo essas diretrizes, e espero que as pessoas se conscientizem", disse Deborah Quilter, autora do manual Repetitive Strain Injury Recovery Book e administradora do site RSIHelp.com. De acordo com Quilter, "as pessoas ainda precisam aprende a evitar os computadores".


Fonte: http://busca.terra.com.br/wired/tecnologia/02/09/30/tec_1.html

Dra. Carla de J. Rodrigues; Fisiopediatria - Pesquisa em Saúde Infantil, São Paulo/SP, Brasil.
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