ANATOMIA E BIOMECÂNICA
Ossos:
O tornozelo é uma estrutura formada pela união de 3 ossos: tíbia,
fíbula e tálus.
Partes Moles:
A estabilidade do tornozelo se dá através de ligamentos, que são:
Ligamento, Colateral Medial - tem no maléolo tibial e inserção
nos ossos navicular, tálus e calcâneo: são eles: tibiotalar anterior
e posterior, tibiocalcâneio e tibionavicular, que juntos formam
o forte ligamento deltóide.
Ligamento Colateral - tem origem no maléolo fibular e inserção
nos ossos tálus e calcâneo; são eles: talofibular anterior e posterior
e calcâneo fibular. Sindesmose Tibiofibular - tem origem na tíbia
e inserção na fíbula: são eles: tibiofibular anterior e posterior
e interósseos.
Articulações:
O tornozelo é formado por três articulações:
* Articulação Talocrural - formado pela extremidade inferior da
tíbia e fíbula com o dorso do tálus.
* Articulação Subtalar - entre o tálus e calcâneo.
* Articulação tibiofibular - formada pela extremidade inferior
da tíbia e da fíbula.
Cinesiologia:
Os movimentos envolvidos na articulação do tornozelo são:
* Flexão Plantar - movimento pelo qual a planta do pé é voltada
para o chão, músculos envolvidos neste movimento são: gastrocnêmio
e sóleo, a amplitude de movimento é de 0 - 50º.
* Flexão Dorsal - movimento no qual o dorso do pé é voltado para
a cabeça, músculos envolvidos neste movimento são: tibial anterior
e extensor longo dos dedos, a amplitude de movimento é de 0 -
20º.
* Inversão - movimento no qual se vira a planta do pé para a perna,
músculos envolvidos são: tibial anterior e posterior, a amplitude
de movimento é de 0 - 45º.
* Eversão - movimento no qual se vira a planta do pé para a parte
lateral da perna. Músculos envolvidos são: extensor longo dos
dedos e fibular longo e curto, a amplitude de movimento é de 0
- 30º.
MECANISMO DE LESÃO
As lesões do tornozelo são causadas por uma súbita
aplicação de força que exceda a resistência dos ligamentos, rodando
o pé em inversão ou eversão.
LESÃO TRAUMÁTICA
POR ENTORSE
Definição:
Entorse pode ser uma sobrecarga grave, estiramento ou laceração
de tecidos moles como cápsula articular, ligamentos, tendões ou
músculos. Porém esse termo é freqüentemente usado em referência
especifica a lesão de um ligamento, recebendo graduação de entorse
de grau 1, grau II e grau III.
Etiologia:
Após o trauma os ligamentos do tornozelo podem ser estirados ou
rompidos, o tipo mais comum de entorse no tornozelo é provocado
por uma sobrecarga em inversão e pode resultar em ruptura parcial
ou total do ligamento talofibular anterior, provocando uma sobrecarga
no tornozelo, tornando-o instável. Raramente componentes do ligamento
deltóide são sobrecarregados, existe uma maior probabilidade de
avulsão ou fratura do maléolo medial com uma sobrecarga em eversão.
Classificação:
As entorses de tornozelo são classificadas da seguinte maneira:
* Grau I - ligamento preservado, processo
álgico ligamentar e edema local.
* Grau II - frouxidão ligamentar, dor intensa, edema
difuso + hematoma.
* Grau III - ruptura ligamentar parcial ou total,
provável fratura por avulsão, dor intensa, instabilidade, edema
difuso e hematoma.
Cicatrização do Ligamento:
Os ligamentos tendo vascularização regular cicatrizam lentamente,
sendo o reparo feito por tecido fibroso e colágeno. Os ligamentos
com ruptura total devem ser saturados cirurgicamente.
Diagnóstico:
Nos entorses de tornozelo o diagnóstico é feito através de exames
radiológicos, testes de instabilidades, artrografias e ultra-sonografias.
Objetivos de tratamento:
* Restaurar a amplitude de movimento
* Fortalecer os músculos do tornozelo
* Melhorar o equilíbrio e coordenação
* Diminuir dor e edema
Tratamento:
* Grau I - Crioterapia + compressão + elevação +
fortalecimento muscular + propriocepção.
* Grau II - imobilização de 3 a 4 semanas. Após
20 dias faz-se: crioterapia + fortalecimento muscular + propriocepção.
* Grau III - cirúrgico.
CASO CLÍNICO
Paciente masculino, 19 anos, obeso, tabagista e etilista social,
relata que quando caminhava normalmente teve uma queda da própria
altura sobre o membro inferior direito. Procurou auxílio médico
onde foi realizado um exame clínico e logo após um exame complementar
de raios-X, onde nada de significativo foi diagnosticado em partes
ósseas, o mesmo constatou uma entorse de tornozelo em inversão.
Foi imobilizado durante 15 dias com bota engessada, com salto,
fazendo uso paralelo de antiinflamatório, Cataflan (SIC) durante
7 dias. Após 15 dias de imobilização, voltou a clínica para a
retirada da bota engessada e foi observado pelo médico que o paciente
ao caminhar, claudicava, sendo encaminhado a fisioterapia com
cinesioterapia, crioterapia, ultra-som.
Exame Físico
* Análise da dor - paciente relata dor ao subir e descer escada.
* Análise da palpação - em palpação profunda da região maléolo
lateral, paciente relata dor.
* Análise do edema - em região do maléolo medial e maléolo lateral
edema do tipo quente e duro.
* Análise da crepitação - sem crepitação.
* Análise da pele - pequena hiperemia em toda a região do tornozelo
direito
* Análise do tônus muscular hipotomia de panturrilha direita.
* Análise da marcha - paciente de marcha claudicante.
* Análise de cacifo - positivo.
T. A. T. M.
Inversão -- AIM 2º
Eversão -- AIM 2º
Flexão -- AQCM 3º
Extensão -- AQCM 3º
OBJETIVOS DO TRATAMENTO
* Diminuir edema
* Diminuir quadro álgico
* Aumento do arco de movimento
* Alongar
* Fortalecer
* Voltar AVS'S
TRATAMENTO
- Crioterapia por 20' em tornozelo direito em posição de drenagem
- Bandagem elástica gelada
- Massagem linfática
- Técnica de controlar e relaxar (para todos os movimentos de
tornozelo)
- Alongamento
D.D. - ísquios tibiais com faixa
*
inversores, eversores, flexão e extensão
*
panturrilha na mão
- Exercícios (após redução de edema, redução de quadro álgico
e arco completo de movimento).
D. D. - exercício ativo livre para inversão, eversão, flexão,
extensão e circundunção.
Exercício ativo resistido para inversão, eversão, flexão, extensão
Theraband para inversão, eversão, flexão, extensão
Sentado - contração isométrica para inversão e eversão
- skate para flexão, extensão, inversão e eversão
P.O. - planti - flexão no piso
- planti - flexão na espuma
- giro - plano de dois pinos
- giro - plano de um pino
- paciente no giro plano de um pino e FT jogando a bola
- FT jogando a bola para o paciente que está em PO e unipodal,
chutando a bola e depois trocando de perna
- paciente em cima da bola medicinibool e o FT desequilibrando-o
- pular na espuma de frente
- pular na espuma de costas
- pular na espuma de lado
- escada: uma perna do degrau fazendo semi-flexão de joelhos e
outra esticada em direção ao chão
- subir e descer a escada mantendo o membro lesado parado
- pular na caixa de brita
- pular na cama elástica
- equilibrar na tábua de equilíbrio correr
Para Treino da Marcha
- tomada de peso antero-anterior e latero-lateral
- escada para apoio dos membros inferiores
- barra paralela
- caminhada 90º
Blair José Rosa Filho