| Calcular a dívida
evita inadimplência Os
profissionais conhecedores dos sistemas de amortização de financiamentos habitacionais
defendem a eficácia das tabelas Price, SAC e Sacre. Em todas elas, afirmam, o saldo
devedor é quitado no momento em que se paga a última prestação. O matemático e
professor José Dutra Vieira Sobrinho, um dos mais respeitados analistas do sistema
financeiro habitacional, explicou, em seminário realizado na semana passada pelo Centro
de Treinamento e Desenvolvimento Totus Creare, como funciona cada um dos sistemas de
amortização de dívida.
Segundo o professor, a tabela Price, por
exemplo, foi criada para ter prestações iguais ou constantes e o saldo devedor é
decrescente ao longo dos pagamentos. Para simplificar o cálculo, ele ilustra um
empréstimo de R$ 1 mil, financiado em quatro vezes, com juros de 10% ao mês, cujo valor
das prestações é de R$ 315,47.
No primeiro mês, tira-se os 10% do valor
inicial, ou seja, R$ 100. O cálculo então é o seguinte: R$ 315,47 menos R$ 100, sobram
R$ 215,47, que são diminuidos do R$ 1 mil. O saldo devedor para o mês seguinte é de R$
784,53. A equação continua até a quarta parcela, ou seja: do valor da prestação,
tira-se o juros de 10%, diminui da mensalidade, sobra a amortização do saldo devedor.
Nesse exemplo, na quarta parcela o saldo devedor é zero, a amortização R$ 286,79, o
juros R$ 28,68, que somando dá R$ 315,47, o valor da mensalidade. Não dá outra,
quita-se a dívida, seja ela em quatro parcelas ou em 15 anos, garante.
No SAC a amortização é constante e o que
decresce são os valores das mensalidades. Para obter o valor de cada prestação, no
mesmo exemplo de um empréstimo de R$ R$ 1 mil, em quatro vezes, com taxa de juros de 10%
ao mês, basta somar à parcela de amortização, neste caso de R$ 250, o valor dos juros
devidos mensalmente sobre os saldos devedores. No primeiro pagamento, o saldo devedor é
de R$ 750, a amortização R$ 250, os juros R$ 100, e a mensalidade R$ 350. No quarto
período o saldo devedor é zero, a amortização R$ 250, o juros R$ 25, e a mensalidade
R$ 275.
O Sacre, criada pela Caixa Econômica
Federal, possui uma caracterísitca diferente, mas, mesmo assim, quita-se a dívida no
final do período. No Sacre os valores das prestações são fixas durante 12 meses. Os
juros, nesse caso, são aplicados sobre o saldo devedor, que se subtrai da prestação e
que resulta na amortização. Depois desse período, o saldo é recalculado e a
prestação diminui e tem o mesmo valor por um ano. Segue assim até o fim do contrato.
Se o juros forem aplicados tanto nas
mensalidades como nos saldos devedores, nos três casos, quita-se completamente,
enfatizou o professor. No entanto, reconhece ele, um dos principais problemas que o Páis
enfrentou e que hoje resulta num quadro de 27% do total já financiado de inadimplência,
foram os indexadores usados no passado, principalmente o de equivalência salarial, cujos
reajustes dos saldos devedores eram maiores que os das prestações. Mas nos
contratos recentes isso não pode mais ser aplicado, garante.
Pelo Sistema de Financiamento Habitacional
(SFH), as correções se dão apenas por um juros de no máximo 12% ao ano, mais o
indexador TR, hoje cotado em menos de 0.2%. O consultor técnico José Pereira, da
Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip)
também reconhece que os indexadores usados somente nos financiamentos habitacionais
brasileiros são um grande complicador para o bom planejamento da dívida dos mutuários.
Mas Pereira faz alguns cálculos que, dentro das atuais regras, para se ter uma noção do
quanto se pagaria em um financiamento feito tanto nas tabelas Price, quanto na SAC, em um
contrato de R$ 60 mil, em 180 meses, com juros de 12% ao ano, mais uma TR de 0.2%.
Seguros Vale ressaltar, no entanto,
que em todos os contratos de financiamentos habitacionais há a inclusão de uma taxa para
seguros de danos físicos ao imóvel e de morte ou invalidez do comprador. A média dos
seguros cobrada no mercado é de em torno de R$ 85,00, portanto, nos cálculos das
prestações feitas pelo técnico da Abecip estão inclusos os seguros.
A primeira prestação da Price, por
exemplo, seria de R$ 696,60, enquanto que na SAC R$ 902,66. Nas prestações de número
120, o valor da Price estaria em R$ 993,36 e a SAC R$ 776,89. A última de cada item
corresponderia a: Price R$ 1.119,88 e a SAC, R$ 603,93. As duas tabelas, de acordo
com a matemática, são perfeitas para a amortização dos saldos devedores, o comprador
tem de saber qual é a ideal para o seu bolso, explica.
O advogado Carlos Pinto Del Mar,
especialista em direito empresarial e imobiliários, publicou recentemente uma obra que
fala dos princípios da tabela Price. Apesar de alguns juristas defenderem que a tabela
Price é passível de ação, Del Mare garante que os matemáticos conseguem provar que
não existem ilegalidades na cobrança de juros. Tem muitos equívocos que precisam
ser eliminados, diz.
Mas quem está em dúvida para saber por qual tabela optar
na hora do financiamento, há algumas dicas básicas e muito importante, a primeira delas
é ver qual é a taxa de juros mensal para saber a insidência nas prestações e nos
saldos devedores, não se esquecer que juntamente com a prestação terá de pagar o
seguro, e torcer para que a TR continue baixa como ela está.
Se o comprador for um profissional estabilizado, sem muitas
possibilidades de promoções ou aumentos salariais nos próximos anos e puder pagar um
valor mais elevado na primeira prestação, o indicado seria a SAC ou a Sacre, uma vez que
as mensalidades vão diminuindo com o apssar dos anos. Lembre-se sempre de calcular o que
a prestação significa em termos de comprometimento da renda, o ideal, segundo os
especialista, é de 30%.
Se o candidato ao financiamento for um profissional em
ascensão, com grandes chances de promoções ou aumento de salário, em função de seu
planejamento profissional, e, no momento, puder apenas pagar R$ 500 por mês, a Price é
uma boa saída. No SAC esse mesmo valor inicial pode ser algo em torno de R$ 800. O
mutuário terá sempre de lembrar que sua prestação, na Price, é reajustada
mensalmente.
Os compradores precisam esquecer aqueles planos
absurdos que os saldos devedores fizeram com que o sistema caísse em descrédito,
acoselha o professor Dutra. Se alguém me perguntar qual a melhor forma de comprar
um imóvel, digo que é à vista, mas se quiser financiar, o importante é analisar as
próprias condições financeiras antes de escolher qualquer um dos sistemas.
Fonte: Agência Estado |