Pesquisa:
A Construção de Casas nos próximos 10 anos
A divisão de políticas econômicas da
NAHB (National Association of Home Builders) publicou, no começo deste ano, um trabalho
sobre as tendências do mercado americano de construções de casas nos próximos 10 anos.
Muitos dos temas abordados são
totalmente específicos ao mercado americano, tais como a influência das últimas
eleições presidenciais, o "pouso" da economia americana, ou ainda, as
tendências de migração populacional internas aos Estados Unidos. Mas, alguns tópicos
podem ser aproveitados e guardam relação com alguns aspectos de nossa realidade.
Mudança no perfil demográfico da
população
A estrutura da pirâmide de faixas
etárias da população brasileira, assim como da americana, vem se alterando e
envelhecendo. Isto pode significar três movimentos: a compra ou construção de uma
segunda casa (casa de campo, por exemplo); a saída do aluguel para a casa própria e por
último, a permanência de gerações por mais tempo, o que demanda mais casas para filhos
que se casam e constituem famílias. O mercado americano sinaliza a construção de uma
média de 1,8 milhão de casas por ano nos próximos 10 anos.
As preferências do consumidor
Duas tendências podem ser identificadas
como comuns entre a pesquisa americana e aquilo que aparentemente (afinal não há
pesquisa, ou elas restringem-se a imobiliárias regionais com dados genéricos) ocorre no
mercado brasileiro. Estas tendências são: a criação de espaços para o trabalho em
casa (home office), às vezes, em detrimento até de mais um quarto para dormir e a
instalação de facilidades de comunicação e integração entre os diversos sistemas da
casa (internet, tv a cabo, sistemas de segurança, interfones, etc.).
Outras tendências verificadas pela
pesquisa da NAHB apontam para:
· A diminuição do desejo de se ter um
living, também almejando mais espaço para outros cômodos.
· Forros mais altos
· Garagens para mais de 3 carros
· Desejo de viver em comunidades que
contenham amenidades tais como áreas verdes, pistas para caminhadas, lagos, playgrounds e
piscinas.
O quadro mostra na pesquisa o que os
compradores querem comprar:
| Aspecto |
Desejável ou essencial (em %) |
| Lavanderia |
92 |
| Espaço para roupas de cama, mesa e
banho |
88 |
| Exaustor |
86 |
| Sala de jantar |
79 |
| Cômodo para despensa |
78 |
| Área para trabalho |
71 |
| Ambiente para chuveiro
separado |
69 |
| Equipamentos de controle de temperatura |
67 |
| Banheira |
58 |
| Acessórios de banheiro brancos |
56 |
| Paredes em
revestimento cerâmico |
55 |
| Escritório / biblioteca |
54 |
| Lareira |
54 |
| Depósito para usos especiais |
53 |
Mão de Obra e Materiais
As mudanças tecnológicas nos sistemas
de construção verificadas nos últimos anos tendem a se aprofundar e ocorrer mais
rapidamente. Isto continuará exigindo que construtores continuem antenados em atrair,
treinar, administrar, manter e remunerar a força de trabalho.
Discussões sobre se o trabalho em
construção é suficientemente atrativo para os trabalhadores têm como foco a (má)
imagem da indústria de construção, oportunidades de treinamento e outras razões não
pecuniárias. Estes fatores têm importância, mas a realidade é que a remuneração na
construção não acompanha a verificada em outras áreas. Para enfrentar as novas
tecnologias e reter a força de trabalho, é provável que a remuneração terá de
aumentar.
O trabalho realizado por terceiros
subcontratados também tem aumentado.
Também nos materiais, as mudanças
tecnológicas apresentam sua influência. Mais componentes industrializados que chegam
prontos ao canteiro, transformam a obra mais numa seqüência de montagem do que uma
manufatura. Além disso, materiais antes considerados básicos, tais como madeiras, devido
à exploração, tendem a se tornar mais caros. |