
A história da capoeira se mescla com a própria história do nosso país. Desde o processo colonizador até a independência e a república, passando por guerras e perseguições, a capoeira esteve sempre presente no curso de nosso povo. No período colonial a capoeira era duramente combatida pelos senhores de engenho, daí o disfarce dela como uma dança. Muitas vezes a penalidade por sua prática era o tronco. Durante as invasões holandesas no Nordeste a atenção dos senhores de engenho se voltou contra um inimigo maior: os invasores. Aproveitando-se dessa falta de atenção, centenas de escravos fugiam continuamente das fazendas, formando comunidades próprias: os Quilombos. Com a expulsão dos holandeses, passou-se a perseguir os negros fugitivos na tentativa de se retomar a economia, fortemente abalada por todo esse processo de abandono das fazendas. Mas a capoeira sobrevive e volta muito mais desenvolvida pelos diversos combates entre os portugueses e os salários na época um forte preconceito. Largados a própria sorte. Os negros procuravam desesperadamente uma ocupação, principalmente no Rio de Janeiro, Capital do Império. Muitos foram recrutados pelo exército e combateram heroicamente na guerra do Paraguai no chamado "Batalhão dos Zuavos". Novamente a capoeira se mostrava muito útil. Entre um serviço e outro eles se reuniam na esquina e jogavam Capoeira para se distraírem e ocuparem o tempo, aproveitando para reclamar de sua condição social através das músicas. Muitos desses grupos de ex-escravos se reuniram em bandos organizados que furtavam, roubavam e matavam, chamados de Maltas. Como os escravos foram libertados pelo império, esses grupos se achavam em dívida com o imperador e trataram de defender a Monarquia contra a república, influenciados, é claro, por políticos. Esse período entre o fim do império e o início da república marca a idade de ouro da capoeira carioca. Os grupos faziam arruaças em comícios republicanos, fraudavam eleições e provocavam badernas, não só no Rio como também em Recife e Salvador, levando o pânico à população. Mas veio a República.
