GRÃOZINHO
 
Havia num imenso vale, longe daqui, um grão de areia que vivia solto ao sabor do vento. 
Seu nome era Grãozinho.

Grãozinho, apesar de seu insignificante tamanho, era um grão de areia muito feliz. Ao 
amanhecer quando os primeiros raios de sol o alcançavam, Grãozinho espreguiçava, abria 
seus olhinhos brilhantes, olhava ao redor e com um suave sorriso dizia:
_ Bom dia a todos!

Grãozinho era muito observador. Aprendia com tudo que se passava ao redor, com os 
passarinhos,  com as árvores, com o vento, enfim, aprendia com a natureza o valor e a 
importância da vida.

Tudo ao redor o encantava.

Ficava ele imaginando como Deus criou tudo com tamanha perfeição.

Resolveu, com a ajuda do seu amigo vento, passear pelo vale. Visitou o lago, as flores, 
os animais,  até que resolveu descansar ao  lado de uma montanha. Grãozinho, então, fez 
o seu cumprimento habitual:
_ Bom dia Dona Montanha!

Ouviu-se um enorme silêncio. Grãozinho insistiu:
_ Bom dia Dona Montanha! Tudo bem?

A montanha, devido a insistência de Grãozinho resolveu responder:
_ Olá! O que traz você aqui? Não vê que sou uma importante montanha do vale e não posso 
dar atenção a todos grãos de areia que passam por aqui?

Grãozinho, ao ouvir isto, respirou fundo e respondeu:
_ Dona Montanha, talvez a senhora não tenha percebido, mas aos olhos de Deus nada é grande 
ou pequeno. Se não fosse a importância e o capricho com que ele fez o pequeno átomo, nem 
eu, nem a senhora existiríamos. Deus precisa do pequeno átomo, exatamente no lugar onde 
está. Assim como a senhora Dona Montanha, precisa de milhões de grãos de areia exatamente 
no lugar onde estão para a senhora existir. Pequenos grãos de areia, assim como eu.

E Grãozinho continuou:
_ Cada ser neste planeta, pequeno ou grande, faz parte dos planos de Deus. Não há diferença 
aos olhos dele. O capricho com que ele fez a pequena formiga é o mesmo que utilizou para 
construir os rios, lagos e todos os animais. Tudo é perfeito.

A montanha ao ouvir as palavras de Grãozinho, desta vez, sentiu-se pequena perante tanta 
sabedoria e percebeu que não se mede um ser pelo seu tamanho aparente.

No dia seguinte, ao amanhecer, foi ela quem primeiro falou:

_ BOM DIA, GRÃOS DE AREIA!


Eliane de Araujo


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