Diagnóstico – Problemas Institucionais

Situações problemáticas que dificultam as mudanças desejadas

 

Nas reuniões com a Comunidade Escolar - Pais, Alunos e Profissionais da Escola foram levantados os seguintes problemas:

 

1 – Problemas sociais das famílias dos alunos

 O desemprego, subempregos, ociosidade e outros problemas como o alcoolismo, delinqüência que afetam a nossa clientela geram famílias desestruturadas. Pais que não comparecem às reuniões na escola, e que não acompanham a vida escolar dos filhos. Residências insalubres que não oferecem um ambiente propício aos estudos e a uma convivência harmônica entre familiares  são facilmente constatadas no contato professor/ aluno ou comunidade /escola . Solucionar alguns  destes problemas  ou minimizá-los é uma tarefa muito árdua – mas a Escola precisa do apoio de outros Órgãos e Instituições da Sociedade Civil . Na esfera política devemos pressionar as autoridades (Poderes constituídos) no sentido de mudar as políticas públicas ; e para tanto é um dever dos profissionais e da instituição Escola formar cidadãos conscientes e esclarecidos capazes de questionar e transformar a sociedade que aí está .

 

2 – Ensino , Aprendizagem , Avaliação , Quadro de Pessoal e atualizações .

A concepção de Ensino e Aprendizagem está mudando no nosso contexto escolar . A mera transmissão de informações (Aulas expositivas ) está sendo substituída progressivamente por aulas mais criativas – onde o conhecimento é construído .  Os estudos em grupo , o trabalho de pesquisa , o desenvolvimento de projetos está ganhando corpo . No entanto ainda existem profissionais reticentes nestas novas metodologias . Em alguns conteúdos a resistência é maior .

Quanto aos alunos alguns até por falta de hábitos ou falta de incentivos ou até de motivação interior  mostram desinteresse – em alguns conteúdos ou em todos eles . Talvez, não sabemos o certo , as motivações maiores estão fora da escola – ou quem sabe a metodologia oferecida pela escola não esteja de acordo com a sua faixa etária ou com a sua visão de mundo . Então construir ambientes escolares mais propícios, mais motivadores, talvez. seja uma das soluções . Então outras demandas são necessárias, mais verbas para construir “ espaços , mais profissionais pensantes , mais oportunidades para pesquisar esta realidade .

A concepção de avaliação da aprendizagem é mal entendida por grande parte dos alunos (a maioria) e até por alguns profissionais da educação. A distribuição de pontos, obrigatoriamente contida nos regimentos escolares, que deve ser transcrita nos históricos escolares (por força da legislação) pode ser a criadora desta anomalia. Objetivamente: o aluno precisa de pontos para passar de ano e ser aprovado – a avaliação quantitativa prevalece sobre a qualitativa na maioria das instituições de ensino.

Quanto aos profissionais – a escola pública estadual necessita de mais profissionais para atuar de modo eficaz no processo de ensino aprendizagem. Nossos quadros são ainda pequenos – oriundos de uma legislação perversa  que retira progressivamente a cada ano , profissionais importantíssimos  . Não temos inspetor de alunos para controlar a disciplina nos corredores e dependências da escolas . Em nome de um  comporta (número de profissionais por quantitativo de alunos e turmas da escola ) foi reduzido drasticamente o numero de profissionais de apoio : reduziram-se o número de supervisores pedagógicos , orientadores educacionais , vice-diretores , assistente de turmas, bibliotecários, zeladores ,auxiliares de serviço,  auxiliares administrativos, auxiliares de secretaria e   tantos outros . Também não se permite a substituição de alguns profissionais do quadro administrativo-pedagógico em licenças inferiores a 60 dias . Esta legislação implantada na última década cria algumas aberrações, como por exemplo: o vice-diretor assumir a função de disciplinário e pedagogo . O Pedagogo deixa suas funções para assumir em algumas ocasiões a disciplina do turno (pois as circunstâncias e o imediato assim o determinam ) . O Diretor às vezes assume outras funções imediatas (que não são as suas) para dar andamento à “máquina” escolar. Essa é a realidade muito conhecida por todos nós , trabalhadores do ensino .

O processo de capacitação dos profissionais do ensino público estadual também necessita de alguns ajustes . Quando são criadas oportunidades de cursos , os profissionais não podem ser substituídos pelo sistema – são pedidos para fazer “ ajustes” – o que significa “ improvisações” – que deixa a escola “à deriva” . Os profissionais são obrigados a cobrir a falta de outro e não executam direito as suas funções ou deixam de executá-las. Sugerimos então que o sistema permita substituir os profissionais em curso de aperfeiçoamento.

 

3 – Recursos Financeiros Insuficientes

Apesar do esforço governamental de suprir as escolas com material didático e de consumo , e a realização de alguns investimentos na reforma e ampliação de prédios escolares , compra de mobiliário, equipamentos e a realização de projetos para melhorar a qualidade do ensino , nossa escola encontra ainda muitas dificuldades – por exemplo :

Recursos insuficientes para reforma da escola – As planilhas de reformas emergenciais , principalmente na rede hidráulica, elétrica e sanitária , substituição de telhas, quadros negros , pintura , conservação e limpeza  não são atendidas com urgência – às vezes ficam 5 meses , 9 meses – até serem  atendidas e retornam para recalcular e atualizar os preços dos materiais e mão de obra . Os critérios de liberação às vezes são confusos e não sabemos porque algumas escolas são atendidas mais facilmente que outras .

Os recursos financeiros para compra de carteiras, moveis escolares em geral, equipamentos eletro eletrônicos e equipamentos de maior porte e até conserto de equipamentos mais sofisticados e compra de equipamentos para montagem de laboratórios , não são liberados com a necessária prioridade . Nossa escola não conta com um laboratório até o momento porque não contamos com os recursos necessários, tanto para comprar equipamentos  quanto para adequar a rede física .

Os recursos financeiros para compra de merenda, material de consumo e manutenção  (verbas periódicas fornecidas tanto pelo governo federal como estadual) obedecem a critérios por  quantidade de alunos , mas uma crítica que se faz é que o quantitativo por aluno ainda é irrisório – em função do tempo de atendimento – trimestral – semestral , e  ainda não atende à demanda . No entanto parece ser um critério justo.

Os recursos para ampliação do prédio escolar (construção de salas, aumento do tamanho de muros, construção de alambrados, quadras esportivas e ambientes escolares) , achamos que ainda é mal dimensionado e os critérios para atendimento ás unidades escolares ainda não são claros – e poderiam ser bem definidos . Colocamos como necessidade a construção de anfiteatro  e auditório .

 

            4 – Segurança Pessoal e Patrimonial

            Diagnosticamos que nossa escola, assim como todas (ou quase todas) as unidades da rede estadual de ensino necessita de um vigia (ou vigias) – para assegurar que os funcionários tenham o mínimo de tranqüilidade para exercer suas funções . Num mundo de violência, onde os marginais estão constantemente assediando as escolas, não dispomos de vigilância suficiente e indispensável – pessoal treinado para estas situações. Quanto à segurança patrimonial, nossas escolas são alvo de roubos, furtos e arrombamentos com a subtração do patrimônio com freqüência. Atos de vandalismo com pichações são constantes  Os horários e dias de maior incidência são no horário de 23:00 h às ¨6:00 h. (madrugada) , e o períodos mais críticos são fins de semana (sábado e domingo) e feriados prolongados – nestes períodos existe a grande necessidade de vigilância nas escolas . O Estado, a exemplo de muitas Prefeituras e  da União ,deveria  pagar um profissional para zelar pelo patrimônio (diga-se de passagem conseguido a duras penas) . Enquanto isto , o poder público poderia investir em compra de equipamentos de segurança e serviços de monitoramento (projetando isto para todas as unidades de ensino do estado) .

 

            5 – Inclusão Digital

            Constatamos que o ensino da  Informática é fundamental nos dias de hoje – a escola precisa com urgência dispor de um laboratório de informática e incluir no currículo (currículo oculto ) conteúdos básicos que permitam aos nossos alunos manipular com eficiência o computador  , montar  projetos para  permitir a contratação de profissionais especializados no ensino da informática – e lutar junto á sociedade , órgãos estatais e assembléia legislativa no sentido de mudar a legislação , permitindo que a informática seja incluída na grade curricular , como disciplina necessária .

 

            6 – Política Salarial condizente e digna para os profissionais

            Os trabalhadores de ensino da nossa unidade de ensino ainda ganham salários defasados e inferiores às outras redes de ensino. As prefeituras de Belo Horizonte, Betim e Contagem, (exemplificando nossa região) pagam salários muito superiores ao salário pago pelo Estado de MG – além de oferecerem infraestrutura e apoio pedagógico-administrativo de melhor consistência. Muitos professores já migraram para estas redes de ensino, que apresentam melhores atrativos . Há uma década sem reajustes, nossos profissionais sentem necessidade de melhorias na carreira (promoções, acessos, adicionais, vantagens pessoais, recomposições, etc... ) . Necessitamos então de políticas de pessoal e políticas salariais mais efetivas e justas. A avaliação de desempenho sem valorização profissional pode ser interpretada como um instrumento coercitivo e corre o risco de se tornar um instrumento de punição.

 

 

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