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AMAZÔNIA:

A Maior Região Brasileira:

A Amazônia é uma imensa região natural, isto é, uma área individualizada por elementos da natureza – clima, floresta, hidrografia, etc. – que se estende por 6,5 milhões de quilômetros quadrados no norte da América do Sul. É uma região internacional, pois ocupa parte do território de vários países: Brasil , Peru, Colômbia, Equador, Venezuela e Guianas. É uma área florestal, com clima equatorial (quente e úmido) e uma rica hidrografia.

A Amazônia Brasileira abrange quase 5 milhões de quilômetros quadrados, o que corresponde a mais da metade (cerca de 58%) do território nacional.

Existem outras duas formas bastantes utilizadas para identificar essa mesma área: Amazônia legal e região Norte.

A Amazônia legal abrange uma área total de 4 978 247 km², que corresponde

quase perfeitamente à Amazônia brasileira. Ela foi estabelecida pelo governo federal em 1966, com a criação da SUDAM – Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia. A SUDAM foi criada com o objetivo de "desenvolver" a Amazônia legal, isto é, incentivar a indústria e a agropecuária, criar estradas, promover o povoamento, etc. A região Norte é uma das cinco regiões em que o Brasil foi dividido pelo IBGE. Tal divisão vem caindo em desuso nos últimos anos, e o próprio IBGE já está realizando estudos para reformular essa classificação. Ao contrário das noções de Amazônia brasileira e Amazônia legal, a da região norte não ajuda muito a compreender esta área, pois abrange apenas parte de Mato Grosso e a parte oeste do Maranhão.

Como é a Amazônia?

A Amazônia é conhecida como um imenso e complexo ecossistema, provavelmente o mais rico e variado de todo nosso planeta, pelo menos nas suas partes sólidas ou continentais. Apresenta uma imensa quantidade de seres vivos, pertencentes a um número enorme de espécies vegetais e animais. Algumas são ainda desconhecidas ou pouco estudadas pela ciência.

Nenhuma outra vegetação do mundo possui tanta variedade em espécies como a floresta Amazônica; nenhuma outra bacia hidrográfica do globo possui tantos tipos diferentes de peixes como a bacia Amazônica. Talvez se possa dizer o mesmo com referencia aos insetos e a outros seres da fauna da região.

O fator que mais distingue e individualiza a Amazônia é sua vegetação: uma floresta latifoliada (isto é, com folhas grandes e largas), equatorial, bastante heterogênea ou diversificada. É uma mata perene, sempre verde, que não perde as folhas no outono-inverno, como costuma acontecer na vegetação de climas temperados e frios. É densa e intrincada, com árvores muito próximas umas das outras.

A floresta Amazônica costuma apresentar aspectos bastante diversos de acordo com a área, dando às vezes a impressão de ser outra mata. Algumas espécies características dessa floresta são: a castanheira, o guaraná e o caucho, que normalmente se localizam nas terras firmes, isto é, longe das várzeas fluviais; a seringueira e a sumaúma, que são encontradas nas várzeas, isto é, próximo ao leito dos rios, sujeitas a inundações periódicas; e as plantas típicas dos leitos fluviais, tais como a vitória-régia.

Quanto ao clima da Amazônia, pode-se dizer que é do tipo equatorial: quente e úmido. As medias térmicas mensais são elevadas – entre 24°C e 28°C – e praticamente não há inverno. Apenas em alguns curtos períodos, em que a frente fria oriunda do sul do continente consegue atingir a parte ocidental da Amazônia, a temperatura desce a 16°C ou 18°C. As chuvas são abundantes – entre 1 600 e 2 500 mm por ano – e ocorrem quase durante o ano todo, embora normalmente se concentrem mais de dezembro a maio.

A hidrografia amazônica é riquíssima. É nessa região que se encontra a maior bacia hidrográfica do planeta, formada pelo rio Amazonas e seus afluentes, que abrange cerca de 4,8 milhões de quilômetros quadrados. A vazão ou debito fluvial do rio Amazonas é a mais elevada do mundo, representando cerca de 15% do total de águas fluviais existentes na superfície terrestre.

Em extensão, o rio Amazonas é o segundo maior da Terra, perdendo apenas para o rio Nilo (na África). Mas vários rios da bacia Amazônica estão entre os maiores do mundo: Tocantins, Xingu, Tapajós, Madeira, etc. Além dos rios, há inúmeros lagos e igarapés, que são cursos de água que unem dois rios ou um rio e um lago.

O relevo na Amazônia é baixo, situando-se a altitudes que vão de 0 até 500 metros. Apenas ao norte, nas fronteiras com a Venezuela e as Guianas, existem algumas áreas montanhosas onde as altitudes ultrapassam às vezes os 2 000 metros.

Os solos amazônicos – com exceção de alguns trechos de terras negras e férteis – são pobres: possuem pouca fertilidade natural e estão sujeitos à erosão ocasionada pelas chuvas, que podem destrui-los progressivamente. Na realidade, é a vegetação que protege e alimenta os solos na Amazônia. A grande quantidade de plantas próximas umas às outras impede que a água das chuvas caia diretamente sobre o solo, desgastando-o com o impacto. Alem disso as folhas e os frutos que caem continuamente no chão são decompostos por microrganismos (bactérias e fungos) e absorvidos pelo solo, contribuindo para manter seus elementos nutrientes.

Um ecossistema muito delicado:

Na Amazônia os elementos naturais são bastante interdependentes, possuindo um equilíbrio muito delicado. A alteração num dos elementos, provoca modificações drásticas nos demais.

A exuberante vegetação desempenha um papel essencial nesse ecossistema. As árvores, alem de protegerem e nutrirem o solo, também contribuem para a umidade do ar, que é básica para a rica hidrografia amazônica.

O ar úmido da Amazônia, responsável pelas freqüentes chuvas que alimentam os rios e lagos, na realidade muito deve às plantas. São elas que através da evapotranspiração, contribuem para manter elevada a umidade atmosférica. Calcula-se que mais de 50% da umidade amazônica provenha de lá mesmo; o restante vem dos oceanos. Isso significa que a destruição da floresta – que já está ocorrendo, em ritmo acelerado – poderá ocasionar uma diminuição na umidade e nos índices de chuvas. Além disso, certamente irá empobrecer os solos, pela perda da proteção e dos nutrientes que a vegetação abundante e densa lhes fornece.

A Amazônia de Ontem e de Hoje

Até por volta de 1970, a Amazônia brasileira era uma imensa região natural onde predominavam baixíssimas densidades demográficas e na qual a atividade econômica mais importante era o extrativismo vegetal: coleta do látex (borracha) nas seringueiras e nos cauchos e de castanha-do-pará, guaraná, etc. Nas últimas décadas essa situação mudou completamente: o extrativismo vegetal é uma atividade de importância cada vez menor diante do crescimento da agropecuária e da mineração; e grandes levas de migrantes, oriundos do Nordeste e até do Centro-Sul, foram e continuam indo para a Amazônia, provocando a multiplicação de povoados e cidades, além de intenso desmatamento.

É evidente que essa mudança não ocorreu de um dia para outro nem atinge toda a região. Antes de 1970 já havia correntes migratórias para a Amazônia, bem como certo desenvolvimento da agropecuária e da mineração. E mesmo nos dias de hoje ainda há algumas áreas em que o extrativismo vegetal permanece a atividade econômica mais importante. No Acre, por exemplo, o extrativismo tradicional da borracha ou da castanha continua a existir e a fornecer recursos para milhares de famílias.

Mas a Amazônia tradicional, extrativa e pouco ocupada pelo homem, era conhecida pela presença de alguns personagens característicos: o seringueiro (trabalhador do seringal, isto é, de uma propriedade em cuja mata existem seringueiras aproveitadas); o seringalista (proprietário do seringal); os grupos indígenas, muitas vezes isolados.

A Amazônia de hoje, mesmo ainda apresentando esses personagens, caracteriza-se muito mais por conflitos pela posse de terras, por enormes desmatamentos e pela violência que marca as relações entre os novos personagens: posseiros, grileiros, empresários, peões, colonos.

Fatores de ocupação da Amazônia

Essa transformação da Amazônia, que vem ocorrendo até os nossos dias, foi resultado de vários fatores interligados. O primeiro deles foi o próprio crescimento da população e da economia do país: nas ultimas décadas verificou-se um grande movimento de migração para o norte, tanto de pessoas como de atividades agrárias. Juntamente com essa expansão, exerceu enorme papel a ação do governo, no sentido de impulsionar esse processo de ocupação da Amazônia.

Com a criação da SUDAM e com os incentivos fiscais, multiplicaram-se os investimentos na Amazônia. No entanto, boa parte deles não se destina a ocupação racional da região; o único objetivo dos investidores é deixar de pagar impostos, adquirindo terras sem usá-las produtivamente. O desmatamento, porém, ocorre sempre, pois constitui uma demonstração para o governo de que a terra começou a ser ocupada ou aproveitada.

Finalmente, há outro fator que vem contribuindo para acelerar a ocupação da Amazônia: a dívida externa do Brasil. Sendo um dos países mais endividados do mundo, com um total que chegou a 120 bilhões de dólares em 1990, o Brasil vem tentando pagar os juros e as parcelas dessa dívida com um notável aumento de suas exportações. E nessas exportações tem peso fundamental certos bens do setor primário, como minérios, carne, produtos agrícolas, etc. Grande parte das riquezas naturais dessa região – ferro, alumínio, ouro, madeira, peles de animais, etc. – acaba indo para o mercado internacional.

Os Principais Problemas da Amazônia Atual

Vamos examinar dois dos grandes problemas atuais da Amazônia brasileira.

O primeiro deles é constituído pelos grandes projetos públicos ou particulares que foram implantados principalmente após a criação da SUDAM.

Houve centenas deles, mas os mais importantes foram: a Zona Franca de Manaus, o projeto Grande Carajás e as hidrelétricas, especialmente a de Tucuruí.

O outro grande problema são os conflitos pela posse da terra, dos quais resulta uma violência que vem se tornando conhecida em todo o mundo nos últimos anos.

Grandes projetos implantados na Amazônia

A Amazônia sempre foi palco de projetos gigantescos, destinados a desmatar imensas áreas e explorar algum recurso natural com benefícios econômicos.

Antes mesmo da criação da SUDAM existiram alguns projetos, que geralmente resultaram em fracassos e acabaram por ser abandonados. Mas seu custo social e ambiental sempre foi imenso: destruição das matas e da fauna, empobrecimento dos solos, massacre ou expulsão de tribos indígenas, exploração intensa de trabalhadores: muitos morreram devido às péssimas condições de trabalho, vitimados por doenças como a malária.

Projetos anteriores a SUDAM

Os três principais projetos implantados antes da criação da SUDAM foram a

Estrada de Ferro Madeira–Mamoré, a Fordlândia e a mineração na serra do

Navio.

A Estrada de Ferro Madeira–Mamoré foi construída de 1903 a 1912 em Rondônia, ligando Porto Velho a Guajará-Mirim. Costuma-se dizer que tantas foram as mortes de trabalhadores, devido às doenças tropicais típicas dessa floresta, que a cada dormente da ferrovia corresponde uma vida humana.

Apesar de ter funcionado durante cerca de sessenta anos, essa ferrovia foi um fracasso em relação ao que se pretendia. Quando ela foi concluída, a procura da borracha natural da Amazônia baixou no mercado internacional, devido à concorrência das bem sucedidas plantações de seringueiras do Sudeste Asiático. Hoje existem apenas 8 dos 364 quilômetros iniciais da ferrovia, que servem somente para passeios turísticos.

A Fordlândia foi um projeto do empresário norte-americano Henry Ford, que de 1928 a 1946 implantou um ambicioso projeto de plantação de seringueiras em áreas próximas ao rio Tapajós, no Pará. Foram derrubadas 7 200 hectares de mata para plantar 3 milhões de seringueiras, numa época em que o mercado internacional exigia grandes quantidades de borracha natural.

Esse projeto fracassou porque as seringueiras morreram, atacadas por uma praga. Foi um problema típico de desequilíbrio ecológico: espalhadas no meio da floresta, as seringueiras sobrevivem bem, pois seus inimigos naturais são controlados pelo próprio ecossistema. No entanto, quando plantadas todas juntas, ficaram sem essa proteção e não resistiram.

A serra do Navio, no Amapá, é uma rica reserva mineral de bauxita (minério de alumínio). Sua exploração foi e continua sendo feita pela empresa Icomi, uma associação de empresários nacionais e estrangeiros. Essa empresa instalou-se na área de 1954 a 1957, construindo uma ferrovia que liga a serra do Navio ao porto de Santana, em Macapá.

O minério foi intensamente explorado nas ultimas décadas, destinando-se principalmente à exportação para os Estados Unidos. Atualmente, as reservas encontram-se quase esgotadas. A Icomi e seus proprietários lucraram muito com a exploração de bauxita. No entanto, esse projeto não favoreceu nem a ecologia da região nem os trabalhadores nele envolvidos.

Projetos favorecidos pela SUDAM

Zona Franca de Manaus: Foi talvez a criação mais famosa e permanente da SUDAM. Implantada de 1967 a 1972, teve por objetivo instalar um polo industrial na cidade de Manaus. Para concretizá-lo o governo isentou de impostos os produtos aí fabricados.

Existe em Manaus uma Zona Franca comercial, no centro da cidade, onde inúmeras lojas vendem produtos estrangeiros (principalmente eletrodomésticos, mas também perfumes, canetas, relógios, jeans, etc.).

Esses produtos são bem mais baratos que no restante do país, pois não pagam imposto alfandegário (de importação).

Mais importante que a Zona Franca comercial é o distrito industrial, localizado na periferia da cidade, onde estão instaladas numerosas indústrias, em geral eletrônicas – de videocassetes, aparelhos de som, rádios, televisores, etc. Na realidade, essas fabricas são apenas montadoras: elas recebem as peças já prontas do exterior e as montam em Manaus.

O projeto da Zona Franca de Manaus obteve grande sucesso. Criou-se de fato um pólo industrial, o maior da Amazônia. Manaus cresceu enormemente, tornando-se a segunda metrópole da Amazônia brasileira, depois de Belém.

Na realidade, Belém – que ainda é maior que Manaus – é mais uma metrópole da antiga Amazônia, da Amazônia tradicional e extrativa. Manaus, pouco a pouco, vai-se transformando na metrópole da nova Amazônia, da Amazônia dos grandes projetos e da intensa ocupação de terras.

Mas esse desenvolvimento trouxe também conseqüentes negativas. Atraídas pela possibilidade de emprego em na Zona Franca, muitas pessoas do interior do Amazonas e até de outros Estados migraram para Manaus. Com isso, a cidade cresceu enormemente, enquanto se esvaziaram outras áreas do Estado.

Mas a oferta de emprego foi muito menor do que se esperava, principalmente porque o tipo de indústria moderna que se instalou em Manaus utiliza pouca mão-de-obra. O resultado foi a multiplicação gigantesca da pobreza urbana, com o surgimento de multidões de desempregados e subempregados e da favelas na periferia da cidade.

Projeto Grande Carajás. Implantado entre 1980 e 1986 pela Companhia Vale do Rio Doce, de mineração, esse projeto está voltado para a extração de minérios na serra dos Carajás, no leste do Pará. Trata-se de uma área riquíssima, onde há as maiores reservas mundiais conhecidas de ferro, além de manganês, cobre, níquel, ouro, bauxita e casseterita.

De Carajás até o porto de Itaqui, em São Luís, foi construída uma ferrovia destinada a facilitar o escoamento dessas riquezas minerais, que são em sua grande maioria exportadas. Essa área origina atualmente exportações de 30 milhões de toneladas de ferro por ano, destinado principalmente ao Japão, além de quantidades bem menores de manganês e cobre.

Esse projeto ocasionou danos ambientais sérios, como desmatamento, extinção de espécies vegetais e animais, poluição de rios, etc. Além disso, outros problemas fazem pensar se ele valeu a pena. Um deles é seu alto custo, comparado aos benefícios econômicos que trouxe. Com um custo total de cerca de 62 bilhões de dólares, que contribuiu para aumentar a dívida externa do país, ele vem ocasionando um ganho médio de apenas 1,2 bilhões de dólares ao ano em exportações.

Outra dúvida que esse projeto levanta é se é bom para o Brasil assumir o papel de fornecedor de matérias-primas ou bens de intermediários (ferro, aço, alumínio) para os países desenvolvidos. Como as indústrias que operam com minérios são altamente poluidoras, prevê-se que, no futuro, esses países se livrarão delas, transferindo-as para o Terceiro Mundo.

Hidrelétricas: A construção de grandes usinas hidrelétricas é outro grande problema da Amazônia. A maior de todas é a usina de Tucuruí, no rio Tocantins. Como praticamente todas as outras da região, ela foi construída pela Eletronorte, em associação com construtoras particulares. É uma das maiores hidrelétricas do mundo, com uma capacidade total de 8 milhões de quilowatts.

Os grandes problemas ambientais causados por essas hidrelétricas vem justamente da imensa área que inundam, deixando sob a água das represas enormes trechos de mata. Isso ocorre porque o relevo dessa região é normalmente plano, com altitudes baixas e poucas elevações. Assim, quando se represa o rio, suas águas cobrem uma área muito grande, formando um enorme e pouco profundo lago artificial.

Como a vegetação não costuma ser derrubada antes, fica submersa, apodrecendo debaixo da água. A decomposição dos vegetais libera gás metano e óxido de enxofre, além de tornar a água extremamente ácida. Essa acidez, aliada à multiplicação de algas causada pelo material em decomposição, extermina grande parte dos peixes e começa, após algum tempo, a atacar também as turbinas da usina. Ocorrem por isso, problemas periódicos de manutenção e limpeza, o que pode até comprometer parte de produção de energia elétrica.

A destruição de imensos trechos de floresta é acompanhada pelo extermínio da rica fauna que nela vive. Além disso, também as populações da região sofrem sérios danos. Todos os habitantes das áreas inundadas perdem suas terras e seus tradicionais meios de vida: os ribeirinhos (habitantes das margens dos rios, que vivem da pesca ou da agricultura em pequena escala) e os indígenas.

Além de ocasionarem todos esses problemas ambientais e sociais, as hidrelétricas da Amazônia, com exceção de Tucuruí, não são muito produtivas. Elas geram pouca eletricidade, levando em conta os enormes investimentos necessários a sua construção e os gigantescos lagos que criam. Isso porque, como as águas fluviais na Amazônia em geral são mansas, correndo devagar e sem grandes desníveis, ou cachoeiras, a força da água que será transformada em energia elétrica não costuma ser muito intensa.

As lutas pela terra:

É comum encontrarmos na imprensa noticias sobre conflitos pela posse de terra no Brasil, especialmente na Amazônia. Essas lutas envolvem posseiros, grileiros, empresários, jagunços, empreiteiros, peões e indígenas, resultando em inúmeras mortes.

Posseiros: São agricultores que cultivam pequenos lotes, geralmente há muitos anos, mas não possuem título de propriedade. Eles tem a posse da terra mas não os documentos legais, registrados em cartório, que garantem a propriedade. São vitimas dos fazendeiros e empresas, que procuram expulsá-los das terras.

Grileiros: São grandes fazendeiros que se apropriam, ilegalmente de extensas porções de terra, obtendo muitas vezes títulos de propriedade falsificados.

Empresários: São pessoas ricas, ou mesmo empresas, que adquirem enormes extensões de terra na Amazônia, algumas vezes munidos de títulos de propriedade duvidosos. Eles beneficiam-se dos incentivos fiscais concedidos pela SUDAM e freqüentemente nem conhecem direito a área que adquiriram, pois só a examinaram de avião.

Jagunços:. São homens armados (pistoleiros ou seguranças) contratados pelos grileiros, empresários ou empreiteiros, para patrulhar suas terras e expulsar os posseiros ou os indígenas.

Empreiteiros: Também chamados de "gatos", são as pessoas que contratam os

trabalhadores para as grandes fazendas, servindo de intermediários entre eles e os fazendeiros.

Peões: São trabalhadores rurais, normalmente recrutados pelos "gatos".

Ganham salários baixíssimos e ocupam-se de atividades como a derrubada da mata, a plantação de capim para as pastagens, etc. Muitas vezes trabalham sem registro em carteira e portanto não se beneficiam dos direitos trabalhistas garantidos por lei.

Recrutados pelos empreiteiros em áreas distantes. Muitas vezes no Nordeste, eles de iludem com as promessas de enriquecimento, que nunca acontece. Dispõem de um único local para comprar mantimentos, o armazém da própria fazenda. Como lá os alimentos, as bebidas e outros gêneros são caríssimos, eles ficam sempre endividados como patrão, não podendo deixar o emprego.

Indígenas: As diversas sociedades indígenas, povos originais da terra, constituem o setor mais frágil, o mais prejudicado nessa transformação da Amazônia. Elas são constantemente expulsos de suas terras, seja pelos jagunços contratados por empresas ou fazendeiros, seja pelas hidrelétricas ou por projetos de mineração, abertura de estradas e derrubada da mata para aproveitar a madeira.

A vida dos povos indígenas esta intimamente ligada a terra. Sem ela, eles perdem seu modo de vida próprio – sua caca, suas roças, seus costumes tradicionais – e os grupos se desorganizam. Freqüentemente, comunidades inteiras são mortas por doenças transmitidas pelos brancos ou durante a luta com os invasores de suas terras.

No atual território brasileiro já existiam cerca de 5 milhões de indígenas, antes da colonização. Hoje subsistem pouco mais de 200 000, concentrados principalmente na Amazônia. Esses povos lutam corajosamente para sobreviver e conservar suas terras e seus costumes e tradições.

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Área de Livre Comércio das Américas, ALCA:

É uma idéia grandiosa que começou a ser elaborada à três anos. Através dela as barreiras comerciais entre os países que formam a América seriam derrubadas em breve. Produtos e serviços fluiriam pelo continente sem restrições e sem impostos, os preços internos cairiam e economias frágeis como a do Paraguai, teriam a oportunidade de sair da estagnação.

A Alca ainda não foi concretizada, ainda é um projeto previsto para 2005.

No dia 16 de maio, houve em Belo Horizonte um conferência para decidir sobre os próximos passos deste acordo, a ALCA.

Este é um projeto grandioso, que se tornaria maior que a União Européia, quando concreto, gerando uma riqueza anual de 9 trilhões de dólares.

CONFERÊNCIA DE BELO HORIZONTE

Na conferência da semana passada, em Belo Horizonte, representantes de 34 países das três Américas se reuniram com o intuito de discutir sobre o projeto como um todo, e acabaram defrontando-se com uma forte disputa entre o Brasil e os Estados Unidos, duas das economias mais fortes das Américas. Os Estados Unidos, que querem se sobressair no bloco e criar medidas protecionistas apenas à sua economia, querem a abolição das tarifas alfandegárias já no ano que vem (1998). O Brasil não concordou com esta medida do tranco tarifário, pois a considera prejudicial para si e benéfica para os Estados Unidos.

A conseqüência imediata, seria que os Estados Unidos inundariam o Brasil com seus produtos, isentos de impostos de importação, e que são melhores e mais baratos que os nacionais. Assim, como o Brasil coerentemente decidiu, isso seria prejudicial à economia nacional, realizando, assim, "um belo ato de protecionismo à industria nacional". Isto poderia produzir efeitos devastadores na indústria nacional e assim, no nível de emprego. Mesmo se o Brasil concordasse com os Estados Unidos, eles continuariam a dificultar a entrada em seu país de vários artigos brasileiros competitivos, pois além das tarifas alfandegárias, adotam inúmeras barreiras sobre os produtos brasileiros. Inúmeros produtos brasileiros sofrem restrições ou nem são aceitos, como a carne brasileira, que não é importada pelos E.U.A porque tem aftosa, segundo eles. Dentre muitos outros, esse é um truque usado para proteger o mercado americano. No conclave diplomático em Belo Horizonte, venceu a posição brasileira, avalizada pelos seus parceiros do Mercosul - Argentina, Uruguai e Paraguai.

Os países engajados no Mercosul querem tempo para estudar como seria um abraço com os Estados Unidos querem também um prazo mais longo para melhorar o que produzem de forma que a competição comercial venha a ser mais equilibrada no interior do bloco, eles querem, na verdade até o ano trabalhar para reduzir a burocracia, facilitar os negócios e acabar com as restrições não tarifárias às importações como cotas e exigências sanitárias só então, em 2003 se começará a discutir a extinção dos impostos .

"A pressa oferece riscos muito grandes e o Brasil, assim como os outros países do Mercosul quer se proteger" disse Roberto Teixeira da Costa, presidente da seção do brasileira do Conselho de Empresários da América latina. Os empresários brasileiros que compareceram à conferência trabalharam bem ao convencer o governo e os empresários argentinos de sua posição.

O Brasil se mostrou responsável ao assumir que não está capacitado para entrar neste mercado, colhendo os frutos merecidos.

PATAMAR GERAL DA LIBERAÇÃO DOS MERCADOS MUNDIAIS:

A International Institute for Managment Development, IMD, fez uma pesquisa dos países mais abertos comercialmente, (ao lado) usando como critério as impostos e as barreiras não tarifárias dos mesmos.

Neste ranking os E.U.A., cujas importações correspondem a 12% de seu PIB, estão em 29º lugar e o Brasil, cujas importações correspondem à 8% do seu PIB, está em 35º. Esta "igualdade" é importante quando se quer formar um bloco comercial pois os dois países (E.U.A. e Brasil) são potenciais negociadores.

O verdadeiro interesse dos E.U.A. em quebrar as barreiras não é mais os carros japoneses ou seu desemprego, e sim resolver o seu problema do déficit da balança comercial que em 1996 foi de 160 bilhões de dólares, sendo que suas exportações para outros continentes vem caindo e a solução encontrada foi de expandir estas importações para o próprio continente Americano, o que podemos ver já que as exportações para os países do Mercosul cresceram 160% de 1990 à 1995.

O Mercosul vêm se tornando muito atrativo para o mercado mundial já que países com a Holanda, Espanha, Alemanha, França, e Itália, vêm fazendo muitas feiras comercias com estes países.

Na verdade o que está interessando o mundo dos negócios é o poder aquisitivo do Mercosul, e seu aumento de 3,5% ao ano.

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ALEMANHA:

Alemanha, república federal localizada na Europa Central. Limita-se ao norte com o mar do Norte, a Dinamarca e o mar Báltico; ao leste com a Polônia e a República Tcheca; ao sul com a Áustria e a Suíça, e ao oeste com a França, Luxemburgo, Bélgica e os Países Baixos. É conhecida oficialmente como República Federal Alemã (RFA). Berlim é a capital e a cidade mais importante.

Território e recursos:

Possui três grandes regiões fisiográficas: as terras baixas que conformam a planície do norte, com numerosos vales fluviais; a região das mesetas centrais que abrange um território de suaves montanhas, vales fluviais, rios e vales bem definidos; e as cadeias montanhosas que incluem as cordilheiras Eifel e Hunsrück, Taunus, Spessart e Fichtelgebirge. Os contrafortes do Jura e um grande bosque, a Selva Negra, estão no sudoeste.

No extremo sul estão os Alpes bávaros.

A maioria dos grandes rios alemães estão na região ocidental. O mais importante é o Reno e seus afluentes, Neckar e Ruhr. Outros rios importantes são Elba, Danúbio, Oder e Neisse. Dos poucos grandes lagos destaca-se o Constança. Possui um clima temperado, com uma temperatura média anual de 9 °C. As terras baixas do norte têm um clima um pouco mais quente que as regiões centrais e do sul. A precipitação é maior no sul, onde alcança cerca de 1.980 mm ao ano, a maioria em forma de neve. Aproximadamente 30% do território é formado por bosques compostos de pinheiros e outras coníferas e espécies de folhas caducas.

População e governo:

A população possui dois grupos de raça caucásica: o alpino e o teutônico. Possui (1993) cerca de 80.767.591 habitantes, com uma densidade de 226 hab/km2.

A capital da Alemanha, Berlim, possui uma população (1992) de 3.454.200 habitantes. Outras cidades importantes (segundo estimativas de 1990) são: Bonn (289.500 habitantes), Hamburgo (1.640.100 habitantes), Munique (1.219.600 habitantes), Colônia, Frankfurt am Main e Essen. O alemão é o idioma oficial e existem vários dialetos regionais.

Cerca de 45% dos alemães são protestantes, em sua maioria luteranos.

Quarenta por cento são católicos e 2% muçulmanos. Aproximadamente 30.000 judeus vivem hoje na Alemanha. O governo é baseado em uma Lei Fundamental promulgada em 1949 para a antiga RFA (Alemanha Ocidental), emendada em várias ocasiões. É um Estado federal democrático. De 1968 a 1989, a Alemanha Oriental se definia em sua constituição como um Estado socialista soberano. O poder residia no Partido da Unidade Socialista da Alemanha (SED). Com a unificação em 1990, a Lei Fundamental da RFA se ampliou ao novo Estado.Economia

Apesar da grande destruição sofrida durante a II Guerra Mundial, a Alemanha ressurgiu na década de 1960. A reunificação foi um golpe muito duro; a Alemanha Ocidental tem suportado as custas das melhorias na infra-estrutura, no meio ambiente e na indústria da parte oriental, embora muitas empresas do Este tenham quebrado, a Alemanha continua sendo uma potência na economia mundial devido à forte competência da Alemanha Ocidental.

A agricultura representa um papel pouco importante. Quase um terço dos alimentos consumidos são importados. As melhores terras para o cultivo se localizam no extremo sul das planícies setentrionais. Os principais cultivos são açúcar de beterraba, batatas e cereais. A Alemanha possui importantes indústrias relacionadas como a silvicultura e a pesca. Os bosques de coníferas tem sofrido os efeitos da chuva ácida.

A Alemanha é o principal produtor de linhito do mundo e vários minerais são produzidos em quantidades importantes. O setor industrial domina a economia e produz uma grande variedade de artigos como: alimentos processados, maquinaria, produtos químicos, aparatos eletrônicos e equipamentos de transporte.

A unidade monetária é o marco alemão. Em 1990 as moedas das duas Alemanhas se uniram.

História

Este artigo desenvolve a história da Alemanha antes de 1949 e depois de 1990. Para maiores detalhes sobre sua história entre 1949 e 1990, ver República Democrática Alemã e República Federal Alemã.

Durante a idade da pedra, os bosques alemães estavam povoados por grupos de caçadores e coletores. Constituíam as formas primitivas do Homo sapiens, (Homem de Heidelberg que viveu há 400.000 anos).

Aproximadamente em 2300 a.C. chegaram novas hordas de povos indo-europeus, antepassados dos germanos, que se instalaram no norte e no centro da Alemanha, os povos bálticos e os eslavos no leste e os celtas no sul e no oeste. De 1800 a 400 a.C., os povos celtas do sul da Alemanha e da Áustria desenvolveram progressos no trabalho com o metal, configurando várias culturas — campos de urnas, Hallstatt e La Tène — que se difundiram pela Europa.

Entre os séculos II a.C. e V d.C. as tribos germânicas e celtas estiveram em contato com os romanos que controlavam o sul e o oeste da Europa e tentaram sem êxito estender seu domínio até o rio Elba. A fronteira se manteve nos rios Rin e Danúbio, onde erigiram os limes (linha de fortificações). Nos séculos IV e V os hunos assolaram o território a partir da Ásia e os ostrogodos, visigodos, vândalos, francos, lombardos e outras tribos germânicas invadiram o Império romano.

No final do século V, o chefe dos francos, Clodoveu I, derrotou aos romanos e estabeleceu um reino que englobava a maior parte da Galia e o sudeste da Alemanha. Seu trabalho continuou no século VIII por Carlos Magno, que anexou o sul da Alemanha e submeteu os saxões. O Império carolíngio não sobreviveu e depois da morte de Carlos Magno foi dividido entre seus três netos (ver Tratado de Verdun de 843).

Depois da morte do último monarca carolíngio, Oto I o Grande foi o primeiro rei saxão fortemente decidido a criar uma monarquia centralizada.

Outorgou privilégios territoriais à Igreja, defendeu seu reino dos ataques exteriores e invadiu a Itália duas vezes. Durante 100 anos (1024-1125) os reis da Germânia foram eleitos entre os francos que reinavam no ducado da Franconia. Os reis sálicos levaram o império ao seu ponto culminante.

Conrado II, o Sálico foi o primeiro rei indiscutível da Alemanha. Foi sucedido pelo seu filho Henrique III, o Negro, que obrigou o duque da Boêmia a reconhecer sua autoridade. Aos seis anos de idade, Henrique IV sucedeu a seu pai e durante a regência, sua mãe, Inês de Poitiers, se viu obrigada a ceder a maior parte do território real. Henrique IV tentou recuperar a perda do poder imperial o que provocou a rebelião dos saxões. O resultado foi uma guerra civil de quase 20 anos. Henrique marchou sobre Roma, instalou o antipapa Clemente III e foi coroado imperador em 1084.

Finalmente, traído e feito prisioneiro por seu filho (Henrique V), viu-se obrigado a abdicar. Henrique V continuou inutilmente as lutas de seu pai por manter a supremacia sobre a Igreja. Perdeu o controle da Polônia, Hungria e Boêmia. A Questão das investiduras terminou com a Concordata de Worms (1122), que estipulou que as nomeações episcopais teriam lugar perante a presença imperial sem simonia e o imperador investiria o candidato com os símbolos de seu cargo temporal antes que um bispo o fizesse com os símbolos espirituais.

Nos séculos XII e XIII a Alemanha e a Itália estiveram imersas na rivalidade existente entre duas famílias principescas: os Hohenstaufen da Suabia, denominados gibelinos (ver guelfos e gibelinos) na Itália, e os Welfs da Baviera e da Saxônia, conhecidos como guelfos na Itália.

Com a morte de Henrique V os príncipes elegeram imperador a Lotario II, duque da Saxônia, que tentou converter e dominar ao leste. Depois de seu falecimento, os príncipes elegeram Conrado de Hohenstaufen, duque da Suábia e a guerra civil explodiu novamente (guelfos - gibelinos); enqaunto, Conrado dirigia a desafortunada Segunda Cruzada, que se desenvolveu de forma paralela ao conflito guelfo-gibelino na Itália.

Frederico I Barba-Roxa assumiu o título de imperador do Sacro Império Romano. Unificou a Alemanha e a Borgonha, declarou uma paz imperial e submeteu os guelfos.

Henrique VI quis ampliar seus domínios. Para assegurar a paz na Alemanha, reprimiu uma rebelião, invadiu as cidades do norte da Itália, conquistou a Sicília e tentou criar um império no Mediterrâneo que se desmembrou rapidamente. Seu filho, Frederico II, herdou a Sicília, mas a Itália Setentrional reafirmou sua independência, conservando a Sicília. Para conseguir o apoio alemão em suas campanhas na Itália Setentrional, permitiu aos príncipes ser donos absolutos em seus próprios territórios.

Conquistou os principais lugares cristãos da Terra Santa e depois das guerras com a Liga Lombarda tomou os Estados Pontifícios.

O filho mais novo de Frederico herdou a Sicília e o título imperial, mas a Itália e a Alemanha nunca mais se uniram. Os papas, aliados aos franceses, expulsaram os Hohenstaufen da Sicília. A Alemanha sofreu a desordem do Gran Interregnum (1254-1273), durante o qual os inumeráveis estados em que estava dividida protagonizaram uma anarquia geral.

No final do século XIII, o Império havia perdido a Polônia, a Hungria e o controle efetivo da Borgonha e da Itália. Dentro de suas fronteiras, os principados eram praticamente autônomos. Nas cidades o comércio teve um grande desenvolvimento. As cidades de Rin e, mais tarde, as cidades alemães do norte formaram associações comerciais; a mais poderosa foi a Liga Hanseática.

No final da Idade Média, a grande estirpe de duques foram extintas e se criaram novos principados. Três casas reais — Habsburgo, Wittelsbach e Luxemburgo — lutaram pelos direitos dinásticos da coroa imperial. Em 1273 se pôs fim ao Gran Interregnum. Rodolfo I de Habsburgo ampliou as possessões de sua família.

Durante o reinado de Sigismundo de Luxemburgo foi convocado o Concílio de Constança (1414-1418). O movimento husita convulsionou a Boêmia ao combinar os sentimentos tradicionais tchecos com o desejo de reformar em profundidade a Igreja.

Com seu enteado Alberto V, o Ilustre, a coroa imperial tornou-se hereditária da casa dos Habsburgo. Seu sucessor, Frederico III da Estiria, perdeu a Hungria e a Boêmia, e vendeu Luxemburgo para a França, enquanto lutava contra os príncipes alemães e os turcos alcançavam as fronteiras do Império.

Maximiliano I desenvolveu uma política matrimonial em benefício de sua

família. Mediante o matrimônio de seu filho, Felipe I o Belo, com a herdeira da Espanha, Joana I a Louca, Maximiliano assentou as bases para a futura união das coroas de Castela e Aragão com o Império. Como no resto da Europa, o século XV foi uma época de transição da economia feudal da Idade Média para a economia monetária da época moderna, processo que criou tensões entre todas as classes da sociedade, enquanto as cidades se tornavam cada vez mais importantes.

As inquietações espirituais de Martinho Lutero se combinaram com as ambições seculares dos príncipes alemães para produzir a Reforma protestante que propunha a liberdade religiosa. As lutas religiosas intensificaram os conflitos políticos europeus durante cem anos.

Em 1519, Carlos I da Espanha e V da Alemanha sucedeu a seu avô Maximiliano como imperador do Sacro Império Romano. Dedicou sua vida a preservar um império medieval unido na fé, um esforço infrutífero na sociedade plural criada pelos reformadores e as forças seculares. Os protestantes estavam divididos: além dos luteranos haviam cristãos reformistas inspirados pelo teólogo suíço Ulrico Zuinglio e radicais anabatistas.

Pela Paz de Augsburgo (1555), ficou reconhecido o luteranismo, mas não ocorreu o mesmo com os calvinistas (ver Calvino). Carlos abdicou em 1556.

Seu vasto Império se dividiu: as possessões espanholas e borgonhesas passaram a seu filho Felipe II, enquanto que o título imperial e as possessões imperiais foram para seu irmão Fernando I de Habsburgo.

Enquanto os imperadores Fernando I e seu filho Maximiliano II estiveram ocupados com a ameaça da invasão turca, o protestantismo se expandiu na Alemanha, mas seu progresso se deteve pela Contra-reforma. O Concílio de Trento (1545-1563), modificou a doutrina e o culto católicos e impediu a reconciliação com os protestantes.

A tensão entre ambas religiões conduziu à guerra dos Trinta Anos que finalizou pela paz de Westfalia (1648). Reconhecia-se a soberania e a independência de cada estado do Sacro Império Romano Germânico e a religião seria determinada por seu príncipe; foi aceita a situação

existente em 1624 no aspecto religioso, ao estabelecer que as propriedades dos Habsburgo, o sul e o oeste da Alemanha eram católicos e os protestantes podiam manter as propriedades adquiridas.

Politicamente o Sacro Império Romano Germânico (ou I Reich) continuou com tal denominação, mas havia perdido todas as pretensões à universalidade e a um governo centralizado. No final do século XVII e início do XVIII, o Império estava eclipsado pela França e pela Inglaterra. A estrutura imperial dependia de grande quantidade de príncipes menores; os Wettins da Saxônia, os Welfs de Brunswick-Luneburgo se converteram em eleitores de Hannover, os Wittelsbachs da Baviera, os Habsburgo da Áustria e os Hohenzollern de Brandeburgo eram as famílias hegemônicas no Império e dominavam aos outros príncipes.

Apenas haviam se recuperado da guerra dos Trinta Anos quando os príncipes

e o imperador se enfrentaram em uma série de novas lutas dinásticas. No oeste, os príncipes se envolveram em quatro guerras para freiar as intenções de Luís XIV de estender o território francês até o Reno.

Os príncipes alemães se encaminharam para o norte e o leste, onde entraram em conflito com a Suécia no mar Báltico, produzindo-se duas guerras, denominadas de Norte. Os alemães também tiveram que enfrentar os turcos otomanos, que se expandiram no sudeste da Europa. Eugênio de Sabóia os venceu em Senta (1697) e os Habsburgo foram anexados a maior parte da Hungria. A família dos Hohenzollern tinha territórios geograficamente desconectados no oeste. Fora do Império, a área mais importante era a Prússia, que se converteu em um reino independente em 1701.

Frederico Guilherme I da Prússia era um militar dedicado a unir suas dispersas possessões em um único Estado moderno onde a presença do militar seria constante. Frederico II o Grande dedicou a maior parte de sua vida a estender o território da Prússia para a costa da Áustria e da Polônia.

O imperador Carlos VI, ansioso em manter unificados os domínios dos Habsburgo, promulgou a Sanção Pragmática em 1713, declarando que sua filha Maria Teresa I da Áustria lhe sucederia. Quando morreu em 1740, os eleitores da Baviera e da Saxônia rechaçaram a Sanção Pragmática.

Frederico II invadiu a Silésia, precipitando a guerra da Sucessão austríaca (1740-1748). Maria Teresa assinou a paz com ele em 1742, cedendo-lhe a Silésia.

O surgimento da Prússia como uma grande potência levou a uma mudança de alianças e a novas hostilidades. A intenção de Maria Teresa de reconquistar a Silésia deu lugar a uma série de alianças que conduziriam à guerra dos Sete Anos (1756-1763).

Durante 18 anos os Estados alemães estiveram implicados de forma diferente

em cinco guerras contra os exércitos da França revolucionária e napoleônica. No início a Áustria e a Prússia perderam muitos territórios, mas em 1812 Napoleão foi derrotado na campanha da Rússia. Frederico Guilherme III da Prússia, junto com a Áustria e a Rússia, derrotou Napoleão em Leipzig (1813). No Congresso de Viena (1814-1815) os Estados vencedores de Napoleão redesenharam o mapa da Europa. O Sacro Império

Romano Germânico, com mais de 240 estados, foi substituído pela Confederação Germânica, formada por 39 estados representados na Dieta de Frankfurt. Muitos alemães queriam estabelecer um governo liberal de acordo com uma Constituição que garantisse a representação popular e outras medidas. Também tinham esperanças na unificação nacional.

Os soberanos da Prússia e da Áustria e os recentemente coroados reis da Baviera, Hannover, Württemberg e Saxônia, temerosos de qualquer usurpação de sua soberania, opuseram-se ao liberalismo e ao nacionalismo. Áustria, Prússia, Rússia e Grã-Bretanha formaram a Quádrupla Aliança para suprimir qualquer ameaça aos acordos com Viena.

As revoluções liberais de 1830 e 1848 em Paris, estenderam-se sobre a Europa. Os confrontos também alcançaram a Baviera, a Prússia e o sudoeste da Alemanha, mas foram esmagados rapidamente na Áustria, Hungria e Prússia.

Prússia e Áustria fizeram planos divergentes para a futura unificação alemã. Na Prússia, o rei Guilherme I, junto a seu primeiro-ministro, Otto von Bismarck, decidiram fazer da Prússia um poderoso Estado.

Depois da Guerra Áustro-prussiana, a Áustria cedeu Veneza para a Itália, e a Prússia foi anexada a Schleswig-Holstein, Hannover e outros estados, e organizou a Confederação da Alemanha do Norte (1867) sem a Áustria.

Bismarck culminou sua estratégia com a Guerra Franco-prussiana, depois da qual, em 1871, Guilherme foi proclamado imperador do Império Alemão (o II Reich).

Una vez unificados os diversos Estados alemães sob o Império dirigido pela Prússia, Bismarck fez uma série de alianças para proteger a Alemanha de qualquer agressão exterior. No interior fomentou a Revolução Industrial.

Bismarck considerou que a Igreja católica ameaçava a supremacia do Estado alemão. Iniciou assim a Kulturkampf (luta cultural) durante a qual

suprimiu muitas ordens religiosas.

O Império não funcionava de forma democrática. Bismarck dirigiu uma perseguição ao Partido Socialista, precursor do Partido Social-democrata alemão e preparava suprimir a Constituição. Entretanto, o novo imperador Guilherme II da Prússia o destituiu, por querer governar o Império de

forma pessoal.

Guilherme II manteve a Tríplice Aliança (1882) da Alemanha, Áustria e Itália. Para equilibrar a situação, a Rússia concordou com uma aliança em 1894 com a França. A Grã-Bretanha, durante muito tempo neutra, clarificou suas diferenças coloniais com a França e com a Rússia, o que teve como resultado a formação do Tríplice Acordo. Desta forma, a Europa se dividiu em dois blocos armados.

A crise do Marrocos e dos Balcãs intensificaram os antagonismos. Guilherme II interveio duas vezes no Marrocos (1905, 1911), que a França pretendia, para proteger os interesses alemães na África. A Áustria foi anexada em 1908 às províncias turcas da Bósnia e Herzegovina. O assassinato do arquiduque austríaco Francisco Fernando de Habsburgo em Sarajevo, em junho de 1914, foi a faísca que iniciou a I Guerra Mundial.

As tropas alemães invadiram e avançaram pela neutra Bélgica com a intenção de tomar Paris de surpresa, mas os alemães encontraram mais resistência na Bélgica do que esperavam, apesar de quase chegaram a Paris. Entretanto, os britânicos e os franceses freiaram o avanço alemão na batalha de Marne.

Enquanto os russos atacaram o leste, mergulhando a Alemanha na temida guerra de duas frentes.

Os alemães derrotaram várias vezes os russos. Os aliados bloquearam a Alemanha para impossibilitar o fornecimento de alimentos e matérias-primas, contando com o apoio dos Estados Unidos que entrou na guerra em 1917. A Rússia pediu a paz, que foi assinada em 1918. Os alemães lançaram uma ofensiva final no oeste, mas os aliados resistiram.

O chanceler anunciou que Guilherme II abdicou e se demitiu. O dirigente do Partido Social-democrata Friedrich Ebert proclamou a República. A Alemanha teve que enfrentar os duros termos do Tratado de Versalhes em 1919: perdeu a Alsácia e Lorena a favor da França, e a Prússia Ocidental passou para a Polônia. Também perdeu suas colônias e teve que ceder suas instalações

siderúrgicas, linhas ferroviárias e barcos comerciais, assim como sua força naval. Além disso, tiveram que aceitar a plena responsabilidade como causadores da guerra e pagar as indenizações.

A crise econômica fez piorar a situação. Pelo Plano Dawes (1924), foi revista a quantia e a modalidade de pagamento das reparações de guerra e se proporcionaram empréstimos do exterior. Durante cinco anos a Alemanha desfrutou de uma estabilidade social e prosperidade relativas; em 1926 se incorporou à Sociedade das Nações. Entretanto, a crise econômica mundial de 1929 colocou o país uma vez mais no desastre.

Em meio a depressão econômica, as eleições de 1932 fizeram com que o Partido Nacional-socialista (nazista) fosse o de maior representação no Reichstag. Em 1933, com o apoio de elementos de extrema direita, Hitler foi eleito chanceler. O novo Parlamento aprovou a Lei de Poderes Especiais permitindo a Hitler controlar todos os aspectos da vida alemã e criar o III Reich.

Todos os partidos políticos, exceto o Nacional-socialista foram considerados ilegais. O III Reich buscou ser econômicamente auto-suficiente. O sistema propagandístico contou com o apoio da Gestapo.

Os judeus sofreram com as leis discriminatórias, sendo privados da cidadania e excluídos das atividades civis e profissionais, e depois da denominada Noite dos cristais quebrados, centenas de milhares de judeus fugiram do país. As ocupações da França, da Bélgica, dos Países Baixos, da Noruega, da Dinamarca, da Iugoslávia e da Grécia fizeram com que milhões de judeus ficassem sob o domínio nazista. Ainda houve colaboradores nos territórios ocupados que ajudavam aos nazistas, a resistência a sua política foi importante. Até o final da guerra, os judeus mortos chegaram a cerca de seis milhões no que ficou conhecido como o Holocausto.

Os desejos da Alemanha de buscar uma revisão do Tratado de Versalhes pela força tornaram inúteis os esforços realizados pelos os outros países que queriam evitar o confronto militar, o que conduziu à II Guerra Mundial.

Em 1942, a Grã-Bretanha porém resistia e os Estados Unidos havia entrado na guerra depois do ataque japonês a Pearl Harbor. Em 1943, a ofensiva soviética conduziu gradualmente as tropas alemães para o oeste. As forças do Eixo na África do Norte foram derrotadas e a Itália foi invadida. A Alemanha, a partir de 1942, começou a ser bombardeada de forma intensiva, mas Hitler recusou render-se. As forças britânicas e americanas

desembarcaram na Normandia em 1944 e avançaram para a fronteira alemã, enquanto os soviéticos faziam o mesmo na frente oriental. Hitler se suicidou antes dos tanques soviéticos entrarem em abril de 1945 em Berlim.

A rendição incondicional da Alemanha pôs fim ao III Reich. Os aliados reduziram a Alemanha às suas fronteiras anteriores ao início da contenda e ainda destinaram uma parte de seu território oriental a Polônia como forma de compensar as terras ocupadas pela União Soviética até o Oder. A Alemanha foi dividida em quatro zonas de ocupação, mas como a política dos aliados divergiam, a Alemanha praticamente foi dividida em duas partes. Em 1948, Grã-Bretanha, Estados Unidos e França uniram suas zonas de ocupação e encorajaram aos alemães a formar um governo democrático. A URSS, por sua vez, criou outro Estado. Em 1949 foram formados dois Estados alemães: a República Federal Alemã, ou Alemanha Ocidental e a República Democrática Alemã ou Alemanha Oriental.

O governo da Alemanha Oriental caiu em 1989. Com a derrubada do muro de Berlim e outras barreiras migratórias mais de 200.000 alemães orientais entraram na Alemanha Ocidental. Ambas Alemanhas realizaram a união econômica e monetária em julho de 1990, e em outubro foi dissolvida a República Democrática Alemã: todos seus cidadãos se converteram em súditos da República Federal Alemã. A coalizão dirigida por Helmut Kohl conseguiu a vitória nas eleições de 1990.

Com a dissolução da antiga URSS e a evolução política européia, os Estados Unidos começaram a reduzir suas forças militares na Alemanha.

INFORMAÇÕES GERAIS

Nome oficial

Bundesrepublik Deutschland

(República Federal da Alemanha)

Capital

Berlim, muito embora alguns serviços e funções ainda se mantenham em Bonn, capital da República Federal da Alemanha antes da unificação Bandeira A bandeira da antiga República Federal da Alemanha se manteve como insígnia nacional quando a Alemanha foi reunificada, em 1990. As cores foram tomadas dos uniformes dos voluntários alemães que lutaram durante as Guerras Napoleônicas e representa o país, embora não de forma continuada, desde 1848. O preto representa a pólvora, o vermelho, o sangue e o amarelo-ouro, o fogo.

Hino

"Einigkeit und Recht und Freiheit"

("Unidade, Justiça e Liberdade")

Fontes:

Book of World Flags

National Anthems of the World

TERRITÓRIO

Superfície

356.959 km2

Ponto culminante

Zugspitze

2.962 m

acima do nível do mar

Ponto mais baixo

Nível do mar

CLIMA

Temperaturas médias

Berlim

Janeiro -1 °C

Julho 19 °C

Munique

Janeiro -2 °C

Julho 18 °C

Precipitações médias anuais

Berlim

600 mm

Munique

960 mm

Fontes:

Europa World Year Book 1995

Statesman’s Year-Book 1995-96

Websters Geographical Dictionary

POPULAÇÃO

80.767.591 hab

(segundo estimativas de 1993)

Densidade demográfica

226 hab/km2

(segundo estimativas de 1993)

Distribuição da população

86% Urbana

14% Rural

Principais cidades

Berlim 3.454.200 hab

Hamburgo 1.640.100 hab

Munique 1.219.600 hab

(segundo estimativas de 1992)

Línguas

Língua oficial

Alemão

Outras línguas

Sorabo e outras línguas minoritárias

Religiões

45% Protestantes

fundamentalmente luteranos

40% Católicos

2% Muçulmanos

13% Outros

incluindo judeus

Fontes:

Britannica 1995 Europa World Year Book 1995 Statesman’s Year-Book 1995-96

Whitaker’s Almanack 1996 World Almanac and Book of Facts 1996

ECONOMIA

Produto Interno Bruto 1.834.000.000.000 dólares norte-americanos(1994)

Principais produtos econômicos

Agricultura

Batatas, beterraba, cevada, trigo, vinho, gado

Mineração

Carvão, linhito, sal, potassa

Indústria

Equipamento para transportes, maquinaria não-elétrica, metais e seus derivados, Produtos químicos, maquinaria elétrica, produtos alimentícios População economicamente ativa (por setores) 57% Comércio e serviços 39% Indústria

4% Agricultura, silvicultura e pesca Principais exportações

Maquinaria e equipamento para transportes, produtos químicos, eletrodomésticos, produtos alimentícios, ferro e aço Principais importações Maquinaria e equipamento para transportes, produtos químicos, produtos alimentícios, têxteis e roupas, combustíveis minerais Principais parceiros comerciais França, Itália, Estados Unidos, Reino Unido, Países Baixos, Bélgica

Moeda

Marco alemão

Fontes:

EIU reports Europa World Year Book 1995 International Financial Statistics (April 1996) Statesman’s Year-Book 1995-96

Forma de governo

República federal

Chefe de Estado

Presidente

Mandato de cinco anos (eleito indiretamente pelo ‘Bundestag’ e pelos

parlamentos estaduais)

Chefe de governo

Chanceler federal

Indicado pelo presidente, mas aprovado pelo ‘Bundestag’

Poder legislativo

Sistema bicameral

Bundestag

(Assembléia Federal)

672 deputados

Bundesrat

(Conselho federal)

68 delegados

Sufrágio

Sufrágio universal para todos os cidadãos maiores de 18 anos

Poder judiciário

Tribunal Constitucional Federal

Forças Armadas

Exército, Marinha, Aeronáutica

339.000 soldados; todos os homens entre 18 e 45 anos de idade prestam

serviço militar durante 12 meses

Divisões administrativas

16 estados

EDUCAÇÃO

Principais universidades e escolas técnicas superiores Universidade de Heidelberg Heidelberg Universidade Livre de Berlim Berlim Universidade de Gotinga Gotinga Universidade de Tubingen Tubingen

Fontes: Europa World Year Book 1995 Keesing’s Record of World Events Political Handbook of the World 1995-96 The Military Balance 1995-96 World of Learning

 

DATAS IMPORTANTES

9 d.C.

Povos germânicos derrotaram as legiões romanas na batalha do Bosque de

Teutoburgo.

486

Clodoveu I, rei dos francos, invadiu a província romana da Gália. Clodoveu

introduziu formas de vida romanas nos territórios ocidentais da atual

Alemanha.

843

O Tratado de Verdun dividiu o Império de Carlos Magno em três reinos. Por

sua vez, o reino alemão foi dividido em cinco ducados.

962

Coroação de Oto I o Grande em Aquisgrã como imperador do Sacro Império

Romano.

1075

A disputa entre Henrique IV e o papa Gregório VII foi o ponto de partida

de uma série de guerras civis que colocaram em cheque o poder da Igreja.

1300s

Supremacia comercial e militar da Liga Hanseática no norte da Alemanha.

1517

Martinho Lutero iniciou a Reforma protestante.

1555

A Paz de Augsburgo reconheceu o direito de os príncipes alemães escolherem

o credo religioso a ser professado nos seus territórios.

1648

A Paz de Vestfália pôs fim à guerra dos Trinta Anos.

1740

Frederico II o Grande tornou-se rei da Prússia, Estado que começou a

transformar-se em grande potência européia.

1806

Dissolução do Sacro Império Romano Germânico e criação da Confederação do

Reno.

1815

Formação da Confederação Germânica pelo Congresso de Viena.

1848

Revoluções ao longo de todo o território alemão. Criação do Parlamento de

Frankfurt, primeira assembléia nacional alemã, palco das primeiras

discussões sobre a possibilidade de unificação, interrompidas juntamente

com o final do movimento revolucionário.

1871

Otto von Bismarck, primeiro-ministro prussiano, realizou seu sonho de

unificar a Alemanha com a fundação do II Império Alemão.

1914-1918

Morreram mais de 1,5 milhão de alemães durante a I Guerra Mundial. De

todos os Impérios Centrais, a Alemanha foi o que empreendeu o maior

esforço bélico durante o conflito.

1918-1919

A Alemanha foi obrigada a aceitar os duros termos do Tratado de Versalhes,

que pôs fim à I Guerra Mundial. Criação da República de Weimar.

1933

Adolf Hitler e o Partido Nacional-socialista chegaram ao poder.

1939

A Alemanha invadiu a Polônia e começou a II Guerra Mundial.

1945

Os exércitos aliados invadiram a Alemanha e a dividiram em quatro zonas de

ocupação. Os crimes de guerra nazistas foram julgados em Nuremberg.

1949

Divisão da Alemanha em República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental)

e República Democrática Alemã (Alemanha Oriental).

1955

A Alemanha Oriental tornou-se um Estado comunista e a Alemanha Ocidental,

uma república parlamentarista.

1961

O governo da Alemanha Oriental construiu o Muro de Berlim.

1989

Queda do Muro de Berlim.

1990

Reunificação da Alemanha em torno da República Federal da Alemanha.

Dissolução da República Democrática Alemã.

1991

Erich Honecker, antigo dirigente da República Democrática Alemã, fugiu do

país para não ser processado. Abertura dos arquivos da Stasi, polícia

secreta da Alemanha Oriental: muitas pessoas foram acusadas de ter atuado

como informantes deste organismo.

1992

Grupos neonazistas e racistas perpetraram quase 2.500 atos de violência

contra imigrantes turcos.

1994

As tropas norte-americanas, britânicas, francesas e russas abandonaram

Berlim depois de 40 anos de ocupação.

União Européia: entra em circulação o euro, a nova moeda européia

Janeiro 99

Dia primeiro de janeiro de 1999, 11 estados europeus adotaram oficialmente o euro, a nova moeda única da União Européia (UE). O acontecimento, que marca uma das maiores mudanças no sistema monetário internacional desde a egunda Guerra Mundial (1939-1945), foi qualificado como um passo decisivo para a integração política e econômica da Europa.

O euro será empregado inicialmente nas transações não monetárias, sobretudo nas movimentações bancárias e bolsas de valores. As moedas nacionais dos países que compõem a lista do euro (peseta, libra irlandesa, florim, lira, xelim, escudo português, franco francês, belga e luxemburguês, marco alemão e finlandês) vão ficar em circulação até primeiro de janeiro de 2002, quando serão substituídas pelas cédulas e moedas do euro. Enquanto isso, os consumidores da chamada zona do euro vão poder dispor de cartões de crédito, cheques de viagem e cheques pessoais em euros. Os títulos da dívida pública serão convertidos em euros e as empresas aceitarão o pagamento em eurocheques e cartões de crédito e vão poder, se o desejarem, aplicar a moeda única em sua contabilidade.

Integram a zona do euro Alemanha, Äustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e Portugal. Três países membros da União Européia não participam voluntariamente dessa primeira fase do euro por causa da forte oposição que fazem seus habitantes à União Econômica e Monetária: Dinamarca, Suécia e Reino Unido. Os gregos, apesar das estritas medidas econômicas que estão adotando, não se ajustaram ao critérios de convergência (controle da inflação, déficit público, taxas de juros, dívida pública e promoção da estabilidade cambial) estabelecidos no tratado de Maastricht, em 1991, e têm até o ano 2002 para aderir ao euro.Antes do lançamento formal da moeda única, os ministros da Economia das 11 nações participantes se reuniram em Bruxelas, na Bélgica, para fixar a paridade do euro com suas respectivas moedas nacionais, equivalência que será definitiva. Um euro equivalerá sempre a 1,95 marco alemão, 166,38 pesetas, 27 liras ou 6,55 francos franceses, por exemplo. Também foi estabelecido o valor do câmbio inicial em relação a moedas de outros países para o mercado de divisas. Esses valores são flutuantes em função da oferta e da procura. Por exemplo, no dia primeiro de janeiro o valor de um euro foi fixado em 1,667 dólar norte-americano e em 132,8 ienes, ao passo que no dia 21 de janeiro essas cotações eram de 1,575 dólar e 131,59 ienes.

Além de fixar as paridades, o recém-criado Banco Central Europeu determinará a taxa fixa de juros para a zona do euro. Cada um dos países-membros se comprometeu a limitar seu déficit orçamentário.

A nova moeda deve beneficiar empresas e consumidores por meio da redução de despesas com câmbio e taxas de juros. Espera-se que a criação de uma grande economia européia única, com uma moeda estável, ajude a atrair o investimento estrangeiro e a elevar a competitividade da Europa nos mercados internacionais. Em 1997, 290 milhões de pessoas residiam na zona

do euro, que tinha um produto interno bruto (PIB, o valor de todos os bens e serviços que são produzidos anualmente) de 6,5 bilhões de dólares. No mesmo ano, os Estados Unidos tinham 267 milhões de habitantes e um PIB de cerca de 8 bilhões de dólares.

Muitos economistas acreditam que no futuro o euro poderia rivalizar com o dólar norte-americano como a moeda de reserva preferida, o que despertou certa preocupação nos Estados Unidos, enquanto que outros observadores destacaram como traço fundamental da adoção do euro a possibilidade de servir como catalizador da total unificação política da União Européia.

A zona do Euro

O euro, a nova moeda da União Européia (UE) lançada oficialmente no dia 1º de janeiro de 1999, deixa a Europa muito próxima da integração política e econômica. Somente quatro países da União Européia não participam ainda da zona do euro: Dinamarca, Grécia, Reino Unido e Suécia.