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Cartografia:

A arte de traçar mapas começou com os gregos que, no século VI a.C., em função de suas expedições militares e de navegação, criaram o principal centro de conhecimento geográfico do mundo ocidental.

O mais antigo mapa já encontrado foi confeccionado na Suméria, em uma pequena tábua de argila, e representa um Estado. A confecção de um mapa normalmente começa a partir da redução da superfície da Terra em seu tamanho. Em mapas que figuram a Terra por inteiro em pequena escala, o globo se apresenta como a única maneira de representação exata. A transformação de uma superfície esférica em uma superfície plana, recebe a denominação de projeção cartográfica. Cartografia, portanto, é a arte e ciência de graficamente representar um área geográfica em uma superfície plana como em um mapa ou gráfico (normalmente no papel ou monitor). As representações de área podem incluir superimposições de diversas informações sobre a mesma área através de símbolos, cores, entre outros. A Cartografia data da pré-história Quando era usada para delimitar territórios de caça e pesca. Na Babilônia os mapas do mundo eram impressos em madeira num disco liso, mas foram Eratosthenes de Cirene e Hiparco (século III a.C.) que construíram as bases da moderna cartografia com um globo como forma e um sistema de longitudes e latitudes. Ptolomeu desenhava os mapas em papel com o mundo dentro de um círculo, sendo imitado na maioria dos mapas feitos até a Idade Média. Foi só com a era dos descobrimentos que os dados coletados durante as viagens tornaram os mapas mais exatos. Com a descoberta do novo mundo, a cartografia começou a trabalhar com projeções de superfícies curvas em impressões planas. A mais usada e conhecida é a projeção Mercator. Hoje em dia a cartografia é feita através de fotometria e de sensoreamento remoto por satélite e, com a ajuda de computadores, mais informações podem ser visualizadas e analisadas pelos geógrafos, fazendo mapas que chegam a ter precisão de até 1 metro.

Mapas:

A localização de qualquer lugar na Terra pode ser mostrado num mapa. Mapas são normalmente desenhados em superfícies planas em proporção reduzida do local da Terra escolhido. Nenhum mapa impresso consegue mostrar todos os aspectos de uma região. Mapas em contraposição a foto aéreas e dados de satélite podem mostrar muito mais do que apenas o que pode ser visto. Podem mostrar, por exemplo: concentração populacional, diferenças de desenvolvimento social, concentração de renda, entre outros. Os mapas, por sua representação plana, não representam fielmente um mundo geóide como a Terra, o que levou cartógrafos a conceberem globos, que imitam a forma da Terra. Os mapas mais comuns são os políticos e topográficos, o primeiro representando graficamente os continentes e as fronteiras entre os países e o segundo representando o relevo em níveis de altura (normalmente também incluindo os rios mais importantes). Para desenhar mapas cartográficos depende-se de um sistema de localização com longitudes e latitudes, uma escala, uma projeção e símbolos. Hoje em dia, boa parte do material necessário ao cartógrafo é obtido de sensoreamento remoto com foto de satélite ou aerofotometria. No projeto RADAM - que mapeou o Brasil nas décadas de 70 e 80 - usou-se mais de aerofotometria e os primeiros mapas novos do país estarão saindo do IBGE em 1996. O departamento de cartografia da ONU é responsável pela manutenção do mapa mundial oficial em escala 1/1.000.000 e todos os países enviam seus dados mais recentes para este departamento.

Projeções:

A transferência de uma esfera para a área plana do mapa seria impossível se os cartógrafos não se usassem de uma técnica matemática chamada projeção. Para ilustrar esta técnica podemos imaginar como seria se abríssemos uma esfera e achatássemos ela para a forma de um plano: partes da esfera original teriam que ser esticadas para podermos fazer isto, em especial as áreas mais próximas aos os pólos, criando grandes deformações de área em um mapa mundial, se comparássemos os países perto do equador com os mais perto do pólo. Estas técnicas de projeções vem desde os mapas da Grécia com Ptolomeu no séc. II, e foram evoluindo até que logo após a renascença o holandês Mercartor concebeu a mais simples técnica de projeção, a qual é dada seu nome. É a projeção de mapas do mundo mais conhecida até hoje. Para a representação de países, entretanto, normalmente se usa a projeção bicônica. Outras técnicas foram evoluindo até os dias de hoje, e muitas outras projeções tentaram desfazer as desigualdades de área perto dos pólos com as de perto do equador, entre elas a projeção de Gall, que permite se manter a familiaridade do mapa-múndi e ao mesmo tempo diminuir as distorções.

Sensoriamento Remoto:

Quase a totalidade da coleta de dados físicos para cartógrafos, geólogos e oceanógrafos é feita através de sensoreamento remoto por meio de satélites especializados que tiram fotos da Terra em intervalos fixos. Estas imagens podem ser feitas através da escolha do espectro de luz que se quer enxergar e alguns podem enviar sinais para captá-los em seu reflexo com a Terra, gerando milhares de possibilidades de informação sobre minerais, concentrações de vegetação, tipos de vegetação, entre outros. Alguns satélites, especialmente os de uso militar, conseguem enxergar um objeto de até vinte centímetros na superfície da Terra, quando o normal são resoluções de vinte metros. Várias empresas internacionais existem com o fim de vender imagens de satélite sob encomenda. No Brasil, algumas agências estão presentes, sendo que o INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) possui instalações completas que vem fornecendo imagens para vários fins. Outra forma de sensoreamento remoto é a aerofotometria, que se utiliza de vôos altos para tirar fotos de dentro de aviões adaptados, artifício muito usado em agricultura e instalações de fábricas e complexos industriais, porque produz uma resolução melhor do terreno em questão.

Fuso horário? Que confusão é essa?

Tudo começou no século XIX, quando os ingleses criaram os conceitos de fusos horários. Usaram dois princípios: o dia tem 24 horas e o globo terrestre, 360 graus de longitude. Os ingleses, então, dividiram a superfície da terra em 24 fusos horários. Cada um ficou equivalendo a 15 graus. Definiu-se também que a hora zero seria contada a partir do meridiano de Greenwich, o marco inicial da longitude localizado . Assim, os horários passam a ser somados para leste (onde nasce o sol) e subtraídos para oeste (onde ele more) ele se põe).

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CONFLITOS PELO MUNDO:

A Geografia dos Conflitos do mundo atual ainda convive com inúmeras áreas de tensão espalhadas pelo globo. As causas principais são rivalidades étnicas, religiosas e nacionalistas e ainda os casos em o conflito envolve disputa entre estados ou mudanças de fronteiras.

Um exemplo de conflito entre dois ou mais Estados é o que ocorre entre a Índia e Paquistão , duas potências nucleares. A Índia – de maioria hindu – e o Paquistão – muçulmano – onde o dois países disputam a região da Caxemira localizada ao norte da Índia.

Outro exemplo de conflito é aquele que ocorre dentro de um país ( guerra civil – guerrilha ), onde grupos armados objetivam a tomada do poder, é o que ocorre na Colômbia, onde a Farc ( Forças Armadas Revolucionária da Colômbia ), controlam uma área de 42 mil km2 dentro do território colombiano, instalando uma guerra civil no país e um dos conflitos mais duradouros e sangrentos da América Latina.

México: a luta do EZLN – Exército Zapatista de Libertação Nacional - .O EZLN controla o sul do país, o Departamento de Chiapas, a região mais pobre do território mexicano e luta contra a política neoliberal do governo mexicano, que exclui e marginaliza a população pobre.

E inúmeros conflitos estão incluídos nesta Geografia.

Afeganistão: O grupo fundamentalista Taleban, durante o período que dominou o país promoveu uma guerra civil a outras etnias ( tadjique, uzbeque e hazará ).

Sri Lanka: Conflito de origem religiosa onde Tâmeis ( hinduístas ) lutam contra cingaleses ( budistas ), estão em luta desde 1980 ( século xx ).

África: Conflitos entre Ruanda e Burundi, na região dos Grandes Lagos Africanos, já deixaram 1(um) milhão de mortos, em consequência da antiga rivalidade entre as etnias tutsi e hutu.

África: Nigéria, O conflito entre cristãos e muçulmanos faz parte do cotidiano da Nigéria. A Nigéria é o principal exportador de petróleo da àfrica, mas a esmagadora maioria da população, de 112 milhões de pessoas, vive na pobreza. As péssimas condições de vida são responsáveis por boa parte das tensões religiosas do país, composto de cerca de 250 grupos étnicos.

África: Serra Leoa – é uma das nações mais pobres do mundo, a guerrilha luta contra o governo,com o objetivo de tomar o poder.

Israel: Conflito Árabe-Israelense, onde os palestinos reivindicam o reconhecimento de um Estado independente nos territórios ocupados por Israel – Faixa de Gaza e Cisjordânia.

Timor Leste: Essa ex-colônia portuguesa cuja população em sua maioria de religião católica, foi anexada ao território da Indonésia ( de maioria islâmica ) em 1975. Depois de um tenso e violento conflito separatista , onde morreu praticamente metade da população , em 1999, Timor Leste conseguiu sua independência, através da mediação da ONU, dos EUA e Portugal, junto ao governo da Indonésia. No dia 20 de maio de 2002, nasce a República Democrática de Timor Leste.

Irlanda do Norte: A Irlanda ( República do Eire ), onde 75% da população é protestante de origem escocesa e inglesa, rompeu os laços com o Reino Unido da Inglaterra em 1937, tendo sua independência reconhecida somente em 1949. Porém esta separação desagradou os católicos que ficaram em minoria, sendo por isto discrimados política e economicamente, levando-os a lutar pela unificação da ilha e voltar ao domínio da Inglaterra, destacando-se o IRA ( Exército Republicano Irlandês ) entre as organizações que lutam pela reunificação da ilha. A violência do Ira diminuiu após a assinatura de um acordo de paz em 1988.

Espanha: A questão do País Basco.Um movimento nacionalista pela independência do País Basco – região ao norte da Espanha e sudoeste da França, que tem no grupo ETA ( Pátria Basca e Liberdade ) o seu braço mais violento, com atentados terroristas que abalam a nação espanhola.

Argélia: Este país pobre do norte da África, vive uma guerra civil desde 1992, quando as eleições vencidas pela Frente Islâmica de Salvação ( FIS ) foram anuladas. Desde então este grupo luta pela criação de uma estado teocrático na Argélia, atacando cidades, onde já morreram mais de 100 mil pessoas.

Turquia: Os Curdos querem a independência do Curdistão, e para isto guerrilheiros separatistas lutam pela independência desde os anos 80. A área em que habitam se encontra sob domínio da Turquia, do Iraque, da Síria e do Irã.

Tibet: Esta área encontra-se sob domínio da China desde 1950. Acredita-se que mais de 1,2 milhão de tibetanos morreram durante a ocupação.

QUEM PERDE E QUEM GANHA COM ESSES CONFLITOS :

Os confrontos dispersos pelo mundo fazem milhões de vitimas, sem contar os refugiados, pessoas que fogem da violência, o número de refugiados vem crescendo progressivamente desde as últimas décadas do século XX , que em 1995 já chegava a 27 milhões de pessoas. Nas diversas regiões do globo alguns povos se destacam , como no Oriente Médio ( curdos, palestinos e afegões), na Ásia Meridional ( indianos e paquistaneses ), na região dos Bálcãs ( refugiados das repúblicas da ex-Iugoslávia ) e na África Negra ( Ruanda, Sudão, Etiópia, Somália, Serra Leoa, etc.). Mas há também quem sai ganhando com tantos conflitos. As vendas de armas aumentaram 8% no ano passado ( 2000 ), chegando a 37 bilhões de dólares, confirmando a condição dos EUA como o maior fornecedor de armas ( US$ 26 bilhões ) para o mundo, principalmente para os países em desenvolvimento, na sequência os maiores fornecedores são, EUA, Rússia, França, Alemanha, Inglaterra, China e Itália.


CRISES NO MUNDO: REFLEXOS NO BRASIL

BRASÍLIA - A crise cambial na Ásia não deve afetar o Brasil, afirmou ontem o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes. Segundo ele, o País pode até ser beneficiado, recebendo mais investimentos. "Se o dinheiro está saindo de lá, tem de ir para algum lugar", diz o chefe do Depec.

Lopes explica que, ao contrário da crise mexicana, a da Ásia não deve afetar a percepção dos investidores estrangeiros. "Não há motivos para os investidores fazerem comparação entre a Ásia e o Brasil." No caso do México, disse, isso não aconteceu porque se tratava também de um país americano, com algumas semelhanças com o Brasil.

Embora a situação do déficit em transações correntes (balança comercial mais serviços) seja crescente, Lopes afirma que o Brasil tem uma série de bons indicadores para apresentar aos investidores. Primeiro, as reservas internacionais, que estão em níveis elevados. Em segundo, o programa de privatizações e as reformas. Acima disso, o Brasil tem um programa de estabilização com três anos de sucesso, segundo o diretor do BC. Mesmo que algum efeito secundário possa atingir o País, Lopes disse que a situação é de tranqüilidade. Lembra que, quando ocorreu a crise no México, em dezembro de 1994, as reservas internacionais estavam em US$ 36,47 bilhões. Em março de 1995, as reservas caíram para US$ 31,53 bilhões, parando, em abril, em US0 29,9 bilhões. A queima de reservas foi, portanto, de US$ 6,57 bilhões em quatro meses e estão em US$ 56,7 bilhões.

Nos últimos dez dias, no entanto, a bolsa de valores brasileira sofreu uma das maiores quedas de sua história, uma torrente de dólares fugiu para o exterior e uma onda de pânico varreu o mercado financeiro nacional, que afundou mais do que qualquer outro balcão de papéis espalhado pelo planeta. O desastre demonstra que não importa se o Brasil se parece ou não com o México, ou se ele é diferente ou não da Ásia. Importa, isso sim, que o Brasil foi o país que pior se saiu na crise que começou na semana passada. Pior: por mais que o discurso oficial insista em mostrar o real como um super-herói do capitalismo globalizado, o país pode muito bem naufragar num ataque especulativo contra sua moeda, como já ocorreu no México ou na Tailândia. Essa é a sombria realidade em que o Brasil acabou de entrar. "Para o capital internacional, os países são todos iguais: quando oferecem oportunidades de lucro, tornam-se atraentes. Quando transmitem insegurança, afugentam", afirma Paulo Ferraz, presidente do banco Bozano, Simonsen. Neste momento, o Brasil afugenta. A principal razão que levou à queda da bolsa em São Paulo foi a saída de dólares do Brasil. Fundos de investimento americanos que perderam pesado na hecatombe da Ásia sacaram das suas aplicações para evitar vermelhos na contabilidade que precisam apresentar aos seus investidores. Por trás dessas operações de esvaziamento das bolsas brasileiras não existe uma argumentação bem fundamentada contra os pilares e rumos da economia nacional. O problema é que a crise, com o afundamento maciço do mercado de ações no Brasil, deixou no ar uma nuvem escura de maus presságios. Sensações negativas com essa força são perigosíssimas em áreas sensíveis como o câmbio e o mercado de ações. Aqui, o nome da doença fatal é pânico.

Brasil e um dos motivos seria que nosso país dispõe de um  "estoque de privatização" (é assim que chamam as estatais que ainda têm para entregar aos interesses estrangeiros). Traduzindo: enquanto  houver o que entregar, não haverá ataque especulativo ao Brasil. Isso é simplesmente escandaloso, por querer nos fazer acreditar que, para evitar esse tipo de crise, temos de nos entregar aos poucos.

(REFLEXOS NO BRASIL) Crise real imaginada

Aumentou o interesse e a confiança dos investidores asiáticos na América Latina, em geral, e no Brasil, em particular. Ironicamente, porque a instabilidade asiática recente tornou a América Latina uma opção mais estável.
O aumento da confiança ficou claro numa pesquisa divulgada ontem pelo Bank Boston junto a 102 grandes investidores (entre bancos, fundos de investimento e multinacionais) na China, Hong Kong, Indonésia, Filipinas, Cingapura e Coréia do Sul. Do total, 68% estão mais confiantes na América Latina do que há cinco anos, e 60% acham que os investimentos na região vão crescer. A primeira opção de investimentos seria o Brasil para 32%, seguido da Argentina (24%) e México (15%). Os países pesquisados têm pouca relação com a América Latina e 75% do total não têm investimentos na área. A pesquisa deixou de lado, propositadamente, o Japão, por ser um investidor tradicional na região. A pesquisa foi feita em agosto, em meio à confusão monetária asiática. O diretor de pesquisas do Boston, Peter Allen, disse que, dado o nervosismo que dominava o mercado e o receio de que o Brasil pudesse sofrer uma crise semelhante, ficou surpreso ao ver os investidores colocarem o Brasil como primeira opção. Henrique Meirelles, presidente do Bank Boston, acha que o pior do nervosismo já passou e Allen concorda que houve uma preocupação exagerada do mercado. Meirelles acha que a preocupação envolveu principalmente instituições e investidores pouco informados sobre o Brasil, em função de duas vulnerabilidades: a sobrevalorização cambial e o elevado déficit externo. Ele acredita, contudo, que o risco de haver uma crise monetária no Brasil é pequeno em função do nível de reservas e do programa de privatização. O Boston participou da emissão de US$ 250 milhões de eurobônus do BNDES, na semana passada, com prazo de 10 anos. O sucesso da emissão, que teve 20% do total vendido na Ásia, ajudou a consolidar uma tendência recente de melhora do mercado para papéis brasileiros, depois de alguns meses complicados. O aumento do interesse asiático na América Latina detectado pela pesquisa se concentra mais na área financeira. As multinacionais foram um pouco menos otimistas em suas respostas e a maioria (64%) só pretende pensar em investir em privatizações na região em três anos ou mais. De todo modo, 60% acham que as reformas na América Latina vão continuar na próxima década. O principal problema é a falta de estabilidade (40%), seguido pela corrupção política (31%).

(ÁSIA) RAZÕES DA CRISE

A grande imprensa tem destacado nos últimos dias o chamado ataque especulativo a algumas economias asiáticas que, diante de uma grande pressão, foram obrigadas a desvalorizar suas moedas e/ou tiveram reflexos negativos em suas bolsas de valores, como a Tailândia, a Malásia e as Filipinas.
Todos esses países têm posto em prática o mesmo receituário dito neo-liberal: abertura indiscriminada aos produtos e capital estrangeiro, câmbio relativamente estável e baixa taxa de inflação e, como consequência, déficit no balanço de pagamentos, desemprego e desnacionalização. O economês do império do norte os conhece pelo apelido de NICs ( newly industrialized countries) e as velhas e novas metrópoles aplaudem sua "abertura" econômica. Pareciam o símbolo da prosperidade, apesar do alto grau de miséria e desemprego, até alguns dias atrás quando se iniciou o chamado ataque especulativo. Este nada mais é do que o conjunto de ações e manobras de grupos financeiros internacionais (sem nenhum controle local) que, depois de fazer negócios em moeda local (por exemplo, nos chamados mercados futuros), forçam a compra de dólares. Os Bancos Centrais desses países, para manter a "estabilidade cambial", como acontece no Brasil, são obrigados a vender dólares.

Forçando a barra - Os especuladores forçam a barra e os Bancos Centrais locais vêem suas reservas cairem perigosamente e não têm outra alternativa senão desvalorizar a moeda local. Depois da desvalorização, os especuladores realizam seus lucros, através de negócios fechados quando o câmbio era outro. Isso mostra que a economia desses países é controlada não por reis, presidentes ou ministros da fazenda mas, sim, por banqueiros, especuladores e capitalistas estrangeiros. O resto é  fachada, não para inglês ver, porque os ingleses sabem muito bem o que se passa, mas para tapear o povo.

Esses países, incluídos no grupo dos chamados Tigres Asiáticos, na realidade não tem nada de  Tigres ou, como diria um líder chinês já falecido, são apenas Tigres de Papel que se desmancham ao primeiro vento.

(REFLEXOS DESENVOLVIDOS) Economias estáveis

Termina-se a primeira semana de 98 com a nítida percepção de que está em curso uma espécie de segunda fase da crise asiática, na qual o foco de inquietações volta-se para os países que foram as primeiras vítimas da turbulência, em meados de 97. Mas não se trata de mera reprise. Consolida-se, ao contrário, a sensação de que o risco de contágio do resto do planeta pelo vírus da turbulência não depende só do agravamento da crise em países mais ricos, como Coréia e, especialmente, Japão. É claro que, nessa hipótese, o efeito seria muito maior. Mas o fato de o presidente norte-americano Bill Clinton ter-se dado ao trabalho de passar quase meia hora ao telefone com seu colega da Indonésia, Suharto, evidencia que a perspectiva de um desastre até mesmo em um "tigre" menos consolidado, como a Indonésia, preocupa o mundo inteiro. Não bastasse o telefonema, os EUA e o FMI despacharam para a Ásia brigadas de especialistas para tentar conter a crise. O problema é que talvez não haja meios suficientes para tapar todos os rombos que se vão abrindo na Ásia, ainda mais que são rombos de diferentes tipos.

Há um problema econômico, ainda o central. Além do virtual derretimento das moedas de um punhado de países, o risco imediato é o de moratória desses Estados ou de uma sequência de falências de empresas locais, impossibilitadas de pagar suas dívidas em dólares dada a brutal queda no valor das moedas asiáticas. Mas há também uma questão política, representada pela falta de confiança da população em seus governantes, o que abre espaço para conflitos sociais de imprevisível desfecho. É sintomático, a respeito, que companhias ocidentais na Indonésia estejam aconselhando as famílias de seus executivos, que viajaram para o exterior nas festas de fim de ano, a não voltarem já ao país, exatamente pelo temor de distúrbios. Para fechar o círculo: a expressão "bola da vez" está perdendo o sentido. Todos e cada um de um grupo de sete países asiáticos vão e voltam como alvos da roleta da crise.

(REFLEXO DESENVOLVID) E. instáveis

Pouca gente passou por um revertério tão pesado em 1997 quanto os sul-coreanos. Começaram o ano animados, com seu primeiro governo civil preparando a transição sem sobressaltos, a economia com fôlego de tigre meio ofegante, mas ainda de impor respeito e uma faxina em regra na corrupção grossa, que pôs na cadeia altos executivos e dois ex-presidentes. Terminam de pernas para o ar, com o país em crise financeira, quebradeira de bancos e empresas, economia parada. Para coroar a virada, na quinta-feira passada elegeram para presidente Kim Dae Jung, 73 anos, primeiro oposicionista a chegar ao cargo na Coréia do Sul. "Este é o dia mais histórico, mais radical desde a criação do nosso país", disse Kim, em seu primeiro discurso depois de eleito. No dia seguinte, a bolsa caiu, com repercussões mundo afora um lembrete de como o planeta inteiro, inclusive o Brasil, está amarrado ao destino dos países periclitantes.

Uma espécie de Brizola asiático, que esteve perto de ser enforcado pelos regimes militares que mandaram na Coréia do Sul por trinta anos, Kim ainda assusta parcelas da classe média e, principalmente, os empresários, não muito convencidos da recente conversão à cartilha neoliberal desse político de passado populista e esquerdista. Chega ao poder, finalmente, num rabo de foguete: para salvar o país da débâcle total, o governo atual foi obrigado a dobrar a espinha e aceitar, juntamente com um empréstimo de quase 60 bilhões de dólares, a tutela do Fundo Monetário Internacional sobre a economia. Apanhada de calças curtas no furacão que nos últimos três meses abalou os mercados financeiros na Ásia, a Coréia do Sul perdeu investidores, a fragilidade de seus bancos e indústrias veio à tona e a moeda nacional, o won, sofreu desvalorização de 50%.

(BRASIL) EFEITOS E MEDIDAS TOMADAS

Na segunda-feira, depois que o índice da bolsa brasileira já estava caindo havia três dias, os investidores estrangeiros resolveram sair do Brasil como forma de preservar a maior parte do que tinham ganho no mercado de ações nos últimos doze meses, algo como 102% de lucro, na medição oferecida pelo índice Bovespa, formado pelas ações mais negociadas em São Paulo. Em meio à agitação e à crise de confiança, a procura de moeda forte foi tão grande que na terça-feira o Banco Central chegou a vender 10 bilhões de dólares em sete leilões consecutivos. Desses 10 bilhões, segundo informou Maria do Socorro Carvalho, do Banco Central, 5 deixaram o Brasil, e o volume das reservas internacionais nas mãos do Banco Central caiu de 60 para 55 bilhões.

De uma hora para outra, o Brasil, que era confiável, tornou-se extremamente desconfiável. Na quinta-feira, o Banco Central tentou reverter o quadro com um choque elétrico no coração. Dobrou as taxas de juro, de 22% para 46% ao ano, para manter o interesse dos investidores internacionais. É uma taxa astronômica, irresistível para quem tem qualquer poupança em condições de aplicar. No dia seguinte, o mercado de ações reagiu com alta de 1,5%. Ainda assim, a semana negra chegou ao fim com perda de um terço no valor das ações desde a eclosão do fator Hong Kong. Para o brasileiro que quer distância da bolsa de valores, ou que nunca viu um maço de dólares pela frente, os reflexos da crise financeira também estão à vista. Eles aparecerão daqui por diante na forma de juros mais altos no banco e na loja, compras mais caras a prazo e uma elevação brutal das dificuldades para dependurar-se no cheque especial ou no cartão de crédito.

(CRISE ASIÁTICA) Países Afetados

Enquanto o vendaval das bolsas fustigava economias nos cinco continentes, alguns poucos países conseguiram manter-se fora do epicentro da crise. As maiores economias do mundo estão de tal forma interligadas que tanto os sinais de riqueza quanto os de miséria são imediatamente compartilhados. Por isso, as razões pelas quais alguns países puderam escapar do desastre, como se levitassem sobre um terremoto, são fascinantes. Itália, Suécia, Holanda, Chile e, em certo grau, Espanha parecem, nas últimas semanas, ter pedido licença do clube do capitalismo global para voltar só quando a festa da prosperidade recomeçar. Alguns países foram poupados simplesmente porque seus mercados financeiros são muito pequenos para atrair especuladores. Há o caso da China, que se salvou porque sua abertura ainda não permite participar diretamente da refrega global. Outros, no entanto, escaparam porque suas economias se assentam sobre bases sólidas e são gerenciadas com mão de ferro pelos governos. "Os países menos afetados pela crise mundial ou têm altas taxas de poupança interna ou são vistos pelos investidores como sérios modernizadores de suas economias", explica o economista Ramon Moreno, do banco central americano. Segundo um célebre estudo de Martin Feldstein, professor da Universidade Harvard, o capital especulativo voa para qualquer parte do mundo pela qual se sinta atraído mas só fica e dá frutos onde existe uma consistente poupança interna. Feldstein sustenta que, para atrair e manter investimentos externos, de pouco adianta, a longo prazo, colocar os juros nas nuvens. O básico é dar a contrapartida em poupança local. "Quem não poupa não recebe. Quem não poupa mas recebe perde logo", ensina Feldstein, cuja teoria acabou sendo a prática da recente crise financeira mundial. Tome-se o exemplo da Holanda. Depois de passar os anos 80 como o patinho feio da Europa, a Holanda resolveu suas dissidências políticas internas e passou os últimos dez anos arrumando a casa.

Primeira classe "A Holanda saneou o sistema bancário, enxugou os custos do governo e das empresas, incentivou a poupança e o hábito de investir em bolsas de valores cinco anos antes que outros países europeus descobrissem essa novidade", diz Jan Zegering Hadders, diretor do banco ING em Amsterdã. Não foi por acaso, portanto, que não se cogitou de um ataque especulativo contra o guilder nem houve corrida contra a bolsa holandesa que estava, na semana passada, projetando ganhos anuais em torno de 30%. O Chile, único país da América Latina que conseguiu diminuir o índice de miséria (ou seja, conseguiu baixar inflação sem gerar desemprego), escapou do estouro da boiada das bolsas pela reputação de gerência econômica competente. Mesmo pouco afetado pela crise, o governo chileno antecipou-se e anunciou que não estava satisfeito com seus 3,8% de déficit em conta corrente, o indicador que mede o grau de dependência externa da economia. O Chile tem o menor déficit de conta corrente da região, mas já está tomando medidas para diminuí-lo ainda mais no ano que vem. "Os países menos afetados por crises foram aqueles que consertaram o telhado enquanto ainda havia sol, ou seja, conjuntura externa favorável", declara um influente banqueiro de Nova York. "O Brasil esperou chover para só então tapar as goteiras." A Itália, que chegou a ser apontada como candidata séria a dar um vexame como o do México em 1994, deu uma reviravolta. Graças às piruetas políticas do primeiro-ministro Romano Prodi, o governo italiano conseguiu aprovar um Orçamento com o menor déficit deste século. A Bolsa de Milão oferecia na semana passada ganhos anuais de 40%, e a lira, ao que parece, vai entrar no vagão da primeira classe do euro, a moeda unificada que começa a vigorar em janeiro de 1999.

CONTINUIDADE OU CESSAÇÃO NA CRISE

Quem imagina que a crise asiática acabou e que os problemas dos Tigres estão superados deve pensar três vezes. Por ora, as bolsas estão mais sossegadas, a cotação das moedas parou de cair e o mundo ganhou um tempo para respirar. Mas muito estudioso pensa não só que a crise pode voltar, mas que poderia reaparecer com uma virulência tal que empurraria o mundo inteiro em direção a um período de empobrecimento, tensões sociais, desequilíbrio de governos. O professor Robert Reich, ex-secretário do Trabalho americano, acha que se está a caminho de uma grande contração econômica, com dinâmica semelhante à da grande depressão de 1929. O especulador mais famoso do momento, George Soros, apontado por muitos como o responsável pela crise asiática, afirma que pode haver um colapso no sistema mundial de comércio. "Tudo se assemelha a um incêndio que não foi controlado", diz. Eisuke Sakakibara, vice-ministro para finanças internacionais do Japão, arrisca que a crise asiática é apenas o primeiro sintoma de uma síncope do capitalismo global.

(ÁSIA) RAZÕES DA CRISE:

Contração, colapso, síncope capitalista eram coisas impensáveis até meados do ano passado, quando os países do Sudeste Asiático começaram a quebrar. A novela todos já conhecem. Em sete meses de intensa emoção, suas moedas arderam numa fogueira furiosa. Nesse período, essas moedas perderam metade do valor, em média. Um milhão de dólares aplicados lá valem agora apenas meio milhão em bahts, rupias, pesos, ringgits e wons. Somado, o valor de mercado das ações negociadas em Hong Kong, Coréia, Tailândia e Indonésia caiu 201 bilhões de dólares, entre 30 de junho e 31 de dezembro de 1997. Adicionando a isso a perda de valor das ações no Japão, chega-se a 1 trilhão de dólares. O FMI e outras instituições financeiras governamentais prometeram entregar 141 bilhões em socorro e outros desembolsos estão sendo negociados.

Por enquanto, esse é o diagrama econômico do incêndio. Diante dele, os analistas fazem duas perguntas. A primeira diz respeito à profundidade do poço. Como a contabilidade de bancos e empresas asiáticas é feita para inglês ver, não se sabe se todo o rombo foi exposto. A suspeita é de que não foi. A segunda pergunta se liga à primeira. A rachadura das economias asiáticas já atingiu o mundo, mas de maneira moderada. Por enquanto. Se o estrago se ampliar, os bancos estrangeiros serão apanhados na próxima esquina. Com base nesses balanços ocos, eles emprestaram cerca de 200 bilhões de dólares ao Sudeste Asiático e é provável que não recebam uma parte do dinheiro. Quanto, ninguém sabe, mas já existem algumas pistas. O J.P Morgan, americano, admite que tem 587 milhões de dólares em empréstimos de retorno duvidoso, na Ásia. Outros também admitem que perderam, mas não dão números. São o Chase Manhattan e o Citicorp, também americanos. Um estudo da Moody's, empresa que avalia investimentos e riscos, diz que há nove bancos europeus com resultados comprometidos por causa de operações na Ásia.

A crise tem bom potencial para contaminar a economia do mundo, e ninguém tem uma fórmula pronta, segura, para contorná-la. Isso fica claro quando se lêem opiniões recentes sobre o problema asiático. Milton Friedman, ganhador do Nobel de Economia em 1976, palpita que o FMI não deveria ajudar. Para ele, é melhor que a Ásia quebre. "É imoral que funcionários (do FMI) que não foram eleitos e não prestam contas a ninguém gastem o dinheiro do contribuinte para ajudar países que fizeram investimentos errados." A dificuldade é imaginar a dimensão do estrago que uma interrupção da ajuda poderia causar. O economista Paul Krugman, professor do Massachusetts Institute of Technology, MIT, acha que o problema da Ásia se resolverá pela limpeza das contabilidades, e pela limpeza dos governos não muito éticos no trato com dinheiro e crédito. O problema é que trocar um governante não é coisa simples, nem rápida, a não ser pela ponta da baioneta. Krugman tem sido citadíssimo pelos articulistas e se tornou candidato ao próximo Prêmio Nobel de Economia por ter sido o primeiro a prever problemas no Pacífico. Nem ele, no entanto, supôs que a explosão fosse tão grande. "Ninguém, eu inclusive, antecipou algo parecido com a atual crise da Ásia. O que estamos vendo é alguma coisa mais complexa e mais drástica." Aqueles que perderam dinheiro, que correm o risco de perder ainda mais, que podem até perder o emprego se a crise se espraiar pelo mundo não devem culpar demasiadamente os economistas por suas falhas de previsão. A economia do final do século ficou complicada demais. As empresas estão entrelaçadas com bancos, operam com dezenas ou centenas de moedas, têm milhares de subsidiárias em vários países. A troca de produtos, mercadorias e serviços entre os países cresceu mais de dez vezes nos últimos 25 anos (o comércio mundial é de mais de 6 trilhões de dólares ao ano), e os governos perderam boa parte de sua capacidade de influir na moeda, nos juros, nas decisões de investimento.

Esse novelo foge a praticamente tudo o que se conhecia em matéria econômica. A tal ponto que uma receita do FMI, que já foi capaz de sanear um país com problema, não está funcionando nesse novo ambiente. O Fundo propôs ao governo indonésio que fechasse bancos quebrados em novembro de 1997. A medida, sugerida para resolver o problema, funcionou ao contrário. Gerou pânico. O pânico se espalhou para os países vizinhos e a situação da Indonésia e de toda a região piorou. Um fator que agrava a confusão é que o novelo econômico funciona com informações em tempo real. Em 1865, os brasileiros demoravam quinze dias para conhecer a taxa de juro dos Estados Unidos. Hoje ela surge no computador do banqueiro paulista assim que o Federal Reserve a divulga. A rapidez é boa para tomar decisões, mas torna uma crise incontrolável pela reação imediata, e às vezes insensata, de todos os mercados. O colapso da Ásia, segundo Jeffrey Sachs, da Universidade Harvard, foi espantoso pela "ferocidade e velocidade com que alterou a sabedoria convencional".

O Sudeste Asiático já entrou em recessão e colocou em movimento um processo que agrava o medo no Ocidente. Os Tigres começam a comprimir o mercado interno e tentarão exportar a qualquer preço, para conseguir divisas fortes, pagar suas dívidas e amenizar os problemas sociais decorrentes da quebra. A desvalorização das moedas já é um passo para esse esforço comercial dos países asiáticos. Ela significa que, em sete meses, os sapatos, tecidos, carros, televisores, aparelhos de som e computadores asiáticos ficaram bem mais baratos no mercado internacional. Para os fabricantes de produtos similares isso representa uma vantagem muito difícil de compensar. Por enquanto o impacto não foi grande, mas já começa a ser sentido. O Chile, cuja estabilidade econômica é celebrada ao ponto do excesso, teve de desvalorizar o peso em 10%. Foi a forma de manter as exportações de cobre, frutas e peixe para os países da Ásia. Até recentemente, uma parte importante das exportações da Alemanha seguia para os países asiáticos. Há meses as encomendas dessa região em crise estão diminuindo. Para não aumentar o problema do desemprego dentro da Alemanha, que já é grave, as companhias alemãs estão reduzindo o preço dos produtos que exportam. A Índia tenta proteger sua indústria com auxílio aos exportadores do país.

Nos Estados Unidos e na Europa, as montadoras de carros estão preocupadas. Antes da onda de desvalorizações cambiais na Ásia, os carros dos Tigres já haviam conseguido dominar 25% do mercado americano e do europeu. Agora, com a nova vantagem do câmbio ao lado da Ásia, a briga fica mais pesada para a Ford, a Fiat ou qualquer outra montadora. Do conjunto de problemas criados pela quebra asiática, esse é um dos que mais assustam. A desvalorização das moedas, a compressão do consumo doméstico, o esforço para exportar podem gerar uma guerra de preços em escala mundial. Os analistas mais tensos pensam num cenário em que os países do Leste Europeu também promovam desvalorizações e barreiras à importação para enfrentar o desafio do Pacífico, criando dificuldades para a Europa Ocidental. Uma guerra assim significa corte de custos (principalmente empregos) e redução dos lucros, de maneira a baixar os preços para tomar mercado dos concorrentes. O desastre se expandiria por auto-alimentação. Sem lucro, as empresas fecham e demitem mais gente. Desempregados não consomem, levam a novas quebras, e por esse caminho o transatlântico afunda. "Se os esforços para resolver a crise asiática não forem bem-sucedidos, poderemos ter mais desaceleração econômica e mais quebradeira. Hoje, é difícil prever como isso irá evoluir", diz Armínio Fraga, ex-diretor do Banco Central, operador de George Soros nos Estados Unidos.

Não se trabalha, nesse caso, meramente com hipóteses de catástrofe mas com um perigo real. O detonador pode ser a China. O país não está crescendo a taxas suficientes para gerar empregos na quantidade necessária e as desvalorizações na Ásia comprometem suas exportações e a capacidade de criar vagas. Já existem 150 milhões de chineses desempregados, número que deve subir para 200 milhões até o final de 1998, com o fechamento de estatais deficitárias. Para Pequim, a solução lógica seria desvalorizar o renminbi, o que equivaleria a jogar benzina na fogueira.

A questão asiática surgiu num momento em que outras complicações começam a mostrar o rosto. Uma delas chama-se deflação, fenômeno que é o contrário da inflação. Os preços estão caindo em todo o mundo. Em parte, porque os avanços tecnológicos foram gigantescos nas últimas duas décadas, em parte porque a competição global forçou as empresas a ajustar sua produção e seu preço ao do mercado internacional. Estima-se que os preços dos produtos eletrônicos tenham diminuído 70% nos últimos três anos. Em 1947, os inventores do computador acharam que podiam vender 200 máquinas, no total. Hoje, essa invenção, uma das que modificaram o século XX, transformou-se num produto quase banal. Compra-se um computador pelo preço de um jogo de pneus de automóvel. A cada ano e meio, a capacidade de um chip dobra, e seu preço cai. Os mais novos são capazes de fazer 588 milhões de cálculos por segundo.

A deflação também tem o seu preço, e ele é alto. "Preços em queda esmagam os lucros, estimulando as companhias a reduzir salários e cortar empregos", escreveu Robert Reich, o ex-secretário do Trabalho americano, num artigo recente. "Deflação, o inimigo real" é o título desse trabalho. O futuro, descrito por Reich, é assustador. Desemprego e pobreza, gerados pela deflação, podem produzir greves, ameaças aos governos democráticos, ou outras formas de desassossego social.

O outro complicador econômico do final do milênio é a superprodução. Ou seja, as empresas ou estão produzindo mais do que os consumidores podem ou querem comprar, ou têm capacidade superdimensionada. As montadoras podem produzir 35% mais veículos do que o mercado pode absorver. Um estudo da consultoria Coopers & Lybrand estima que haverá um excesso de automóveis da ordem de 20 milhões, em 2001. Só a China está produzindo 30 milhões de aparelhos de TV por ano e tem estoques altos de sapatos, tecidos e produtos eletrônicos.

(RFLEXO NO BRASIL) Lisura das medidas

O governo tomou na semana passada uma atitude para segurar a avalanche de dólares que estão chegando ao país depois que a crise asiática amansou. Entre setembro e dezembro, os dólares fugiram do país em razão do medo dos investidores de que acontecesse no Brasil um ataque especulativo como o ocorrido no Sudeste Asiático. Agora voltaram, estimulados por taxas de juro que estão entre as mais altas do mundo. Os investidores estrangeiros que trazem seus dólares ao Brasil ganham entre 15% e 17% ao ano, bem mais do que numa aplicação nos Estados Unidos ou na Europa. Como efeito dessa volta, as reservas internacionais, que haviam caído de 62 bilhões de dólares para 52 bilhões no final do ano passado, recuperaram o peso perdido. Estimativas não oficiais prevêem que tenham fechado em 58 bilhões de dólares em fevereiro e que podem voltar aos 62 bilhões no final de março.

É sempre melhor ter reservas internacionais altas do que baixas. Além disso, a recuperação é importante porque mostra que o Brasil não foi riscado das opções de investimento, como muita gente vaticinou durante o auge da crise asiática. O que o governo quer evitar é que o aumento acelerado das reservas fuja ao controle. Dólares demais nas reservas exercem uma pressão muito grande sobre o Plano Real. Para cada dólar que entra no país, o governo é obrigado a emitir 1 real, uma vez que os investimentos, mesmo por parte de estrangeiros, são todos feitos em moeda nacional. O resultado é o aumento do volume de moeda em circulação, fenômeno que os economistas chamam de "excesso de liquidez". Para convencer pessoas e empresas a poupar, em vez de gastar esse dinheiro e causar inflação, o governo é forçado a oferecer taxas de juro maiores, que, por sua vez, têm efeitos ruins sobre a dívida pública.

Entre as medidas da semana passada, o governo determinou que quem tomar empréstimos ou lançar títulos no exterior só poderá começar a pagar a dívida depois de dois anos. As renovações de empréstimos também tiveram os prazos dilatados de seis meses para um ano. Dessa forma, pretende desestimular os especuladores, que entram no país para ganhar com os juros e sair rapidamente. "É evidente que os investidores estão cada vez mais confortáveis em relação ao Brasil, mas ainda precisamos ter cautela", diz o diretor de assuntos internacionais do Banco Central, Demosthenes Madureira de Pinho Neto.

A notícia ruim da semana passada é que as contas públicas pioraram bastante em relação ao que se esperava em 1997. O governo havia previsto um superávit em suas contas de 1,5% do PIB, o equivalente a 13 bilhões de reais. Em vez disso, fechou 1997 com um déficit de 0,67% do PIB. Isto é, um buraco de 6 bilhões de reais. O Banco Central acusa Estados e municípios de ser os vilões dessa história. Torraram, só em dezembro, 5 bilhões de reais no pagamento de salários, dívidas com empreiteiras e pendências judiciais. Estados e municípios estão privatizando suas empresas, esbanjando todo o dinheiro que entra e esquecendo de quitar suas dívidas com o governo federal. A parcela mais pesada no balanço final do governo, porém, foi a dos juros. Quando aumentou os juros para segurar dólares estrangeiros no Brasil, o governo também salgou sua fatura. Brasília, Estados, municípios e empresas estatais desembolsaram 46 bilhões de reais em juros referentes a títulos e a dívidas contraídas no mercado interno, no ano passado.

(REFLEXO NO BRASIL) Razões da crise:

O Brasil tem déficit em suas contas externas, como têm Tailândia, Indonésia, Malásia e Filipinas (e como o México tinha em 1994, quando desabou), mas isso não significa que entrará em surto cambial. Do ponto de vista da economia, o Brasil é mais forte do que Tailândia, Indonésia, Malásia e Filipinas juntos, mas é um país emergente como eles. Por isso, quando um distúrbio acontece lá, teme-se pelo investimento feito aqui. O laço psicológico é compreensível, mas não há nenhuma ligação baseada em fatos reais que justifique a oscilação das bolsas em São Paulo e no Rio. As bolsas brasileiras começaram a cair porque grandes investidores estavam vendendo seus papéis havia quase um mês. Fizeram isso porque já tinham ganho muito -- quase 90% de janeiro a começo de julho -- e nessas horas eles costumam sair do negócio. Essa operação se chama "realização de lucros" na gíria da bolsa. Na sexta-feira 11, apareceu o fator psicológico -- a Ásia -- e mais gente deu ordem de venda às corretoras.

O reflexo das pessoas que investem em ações é o do boi no meio da boiada, que dispara por causa de um assobio. Na terça, os pequenos investidores começaram a sacar dinheiro dos fundos de ações e os bancos tiveram de vender papéis para pagá-los. Com essa superoferta, os preços continuaram a cair por toda a semana. Aqueles que trabalham há muito tempo na bolsa já viram esse fenômeno várias vezes e sabem que não há nada a fazer quando a inquietação se espalha. A não ser esperar. "Quando esse tipo de coisa começa, não se sabe aonde vai parar", diz José Roberto Mendonça de Barros, secretário de política econômica do Ministério da Fazenda.

Apenas na terça-feira, os pequenos investidores sacaram 400 milhões de reais de seus fundos, assustados pela queda dos índices e alarmados pelo que ouviam falar das finanças externas asiáticas. A central de atendimento do Bradesco recebeu mais de 2.000 ligações de clientes aflitos, querendo saber o que estava acontecendo. No começo da tarde, a direção do banco fez circular por suas agências uma recomendação para que os gerentes explicassem à clientela que o melhor a fazer naquele momento era manter a calma e deixar tudo como estava.

Na Merrill Lynch a busca por informações foi tamanha que a corretora fez uma conferência telefônica em que analistas de São Paulo e de Nova York discutiram a situação. Pouco antes do meio-dia, os clientes da corretora em todo o mundo receberam uma mensagem informando o número que deveriam discar caso se interessassem pelo tema. Cerca de 200 grandes clientes, principalmente americanos, ligaram para ouvir os especialistas. Eles sugeriram que aquela era a hora de comprar ações, com preços em queda. O banco Matrix notou que as ligações mais aflitas vieram de clientes brasileiros. "Os brasileiros é que ficaram mais preocupados. O gringo vê isso no mundo inteiro. Queda em um dia ou outro, para eles, não é tendência", diz Antônio Freitas Valle, sócio do Matrix. A quermesse da semana passada começou e terminou nas bolsas. O real não foi desvalorizado, como muitos temeram. Não houve fuga de dinheiro, de acordo com o Banco Central. "Foi um movimento simples, de realização de lucros", diz Francisco Lopes, diretor de política monetária do BC. Não dá para dizer se a confusão continuará nesta semana porque investidores não se comportam com racionalidade. Podem continuar vendendo ações e empurrando o índice das bolsas para o poço. Ninguém sabe. Nesse ambiente de expectativa, pelo menos dois bancos estrangeiros estão aconselhando seus clientes a comprar papéis brasileiros: o Morgan Stanley e a Merrill Lynch.

A bolsa brasileira, descontada a queda da semana passada, é a segunda que mais se valorizou em todo o mundo nos últimos doze meses. Perdeu apenas para a da Rússia. Bolsas, como os mais calejados já sabem, ficam perigosas quando sobem rapidamente. Há um momento em que a especulação as transforma em bolhas de prosperidade atraente. O problema é que, quanto maior a bolha, mais frágil é a sua parede. As bolhas aparecem quando o valor das ações se descola da realidade. Muitos se perguntam se não é esse o caso do Brasil. A questão que os investidores levam toda noite para baixo dos lençóis é esta: será que a bolsa brasileira deu tudo o que podia dar?

Não há resposta segura para ela, apenas algumas pistas. No Brasil, tomando-se a média das empresas que participam do pregão, o valor das ações é igual ao patrimônio da companhia. Já foi bem mais baixo. Na Argentina, as ações valem 90% a mais do que o patrimônio. No México, que já caiu sob uma crise de desconfiança do capital estrangeiro, o valor das ações é mais de duas vezes o do patrimônio. A média americana é de três vezes. Isso quer dizer que, desse ponto de vista fornecido pela comparação aritmética, as ações no Brasil ainda não estão com preço irreal. Ao contrário, os especialistas acham que é muito razoável que as ações negociadas no pregão dobrem de valor no longo prazo, quando sua posição atual é avaliada de acordo com o que ocorre no exterior.

A valorização média das bolsas brasileiras é calculada por dois índices, o IBV, da Bolsa do Rio, e o Ibovespa, da Bolsa de São Paulo. O Ibovespa mede a variação do preço das ações de 47 empresas, cujos papéis são os mais negociados em São Paulo. Mais da metade desse índice corresponde a negócios com ações da Telebrás.

 

Os Climas do Brasil

 

Existem diversas classificações climáticas baseadas no estudo da dinâmica das massas de ar, dos elementos e dos fatores do clima.

A classificação climática de Strahler pertence a uma escola climatologia chamada Dinâmica, pois ela se baseia na dinâmica geral da atmosfera, através das massas de ar.

A classificação dos climas brasileiros proposta por Arthur Strahler, por exemplo, baseia-se nas áreas da superfície terrestre dominadas ou controladas pelas massas de ar.

Uma outra classificação, a de Wilhelm Köppen, estuda separadamente os elementos do clima. Ela baseia-se, predominantemente, na temperatura, nas precipitações e na distribuição dos valores destes dois elementos do clima durante as estações do ano.

 

Significado dos símbolos da classificação de Köppen

  • 1ª letra – maiúscula, representa a característica geral do clima de uma região:

    • A – clima quente e úmido
    • B – clima árido ou semi-árido
    • C – clima mesotérmico ( subtropical e temperado)

 

    • 2ª letra – minúscula, representa as particularidades do regime de chuva:

    • f – sempre úmido
    • m – monçônico e predominantemente úmido
    • s – chuvas de inverno
    • s’ - chuvas do outono e inverno
    • w – chuvas de verão
    • w’- chuvas de verão e outono

    • 3ª letra - minúscula, representa a temperatura característica de um região:

    • h – quente
    • a – verões quentes
    • b – verões brandos

 

A classificação de Köppen, adaptada ao Brasil pela geógrafa Lísia Maria Cavalcanti Bernardes, resultou na existência dos tipos de clima que você observa neste outro mapa.

A localização da maior parte do país em zona intertropical e o predomínio de baixas altitudes são responsáveis pelas variedades climáticas quentes (médias superiores a 20o C), controladas por algumas massas de ar e frentes.

CLIMA EQUATORIAL

 

Domina os cerca de 5 milhões de km² da Amazônia Legal. Que corresponde a Amazônia : Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, quase todo o estado do Pará ( menos a porção sudeste), o noroeste do Maranhão e do Mato Grosso e parte de Roraima. Caracteriza-se por temperaturas médias entre 24ºC e 26ºC e sendo no mês mais frio superior a 18ºC , com amplitude térmica anual de até 3 graus, chuvas abundantes (mais de 2.500 mm/ano) e bem distribuídas. A ação da massa equatorial continental (mEc) produz as chuvas locais (ou de convenção) por meio da evapotranspiração. No inverno, ocasionalmente, a região recebe frentes frias originárias da massa polar atlântica (mPa), ocasionando as friagens. A umidade atmosférica é elevada, geralmente superior a 80%.

CLIMA TROPICAL

 

O clima tropical abrange quase a totalidade da área correspondente ao planalto Brasileiro, domina extensas áreas do planalto Central e das regiões Nordeste e Sudeste. Suas temperaturas são também elevadas, mas este tipo de clima se diferencia do equatorial por apresentar duas estações bem delimitadas pelas chuvas: Apresenta inverno quente e seco e verão quente e chuvoso.

As temperaturas médias são superiores a 20o C, com amplitude térmica anual de até 7 graus e precipitações de 1.000 a 1.500 mm/ano.

Mas para o Nordeste, a estação seca vai-se se tornando mais longa, efetuando-se a transição para o clima semi-árido.

No litoral oriental do Nordeste(do Rio Grande do Norte até o litoral baiano), as chuvas tornam-se novamente abundantes, caindo predominantemente no outono e no inverno.

Por influência da latitude(mais alta) e do relevo, no Sudeste estas características sofrem algumas modificações, que dão origem ao clima tropical de altitude.

 

CLIMA TROPICAL DE ALTITUDE

Corresponde às áreas mais altas do relevo brasileiro, representado elevações das serras do Mar e da Mantiqueira, assim como pelo planalto que se estende ao norte de São Paulo, sul de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. As médias mensais de temperatura que caracterizam este clima estão entre 18o e 22o C, com amplitudes térmicas anuais de 7 a 9 graus e precipitações entre 1.000 e 1.500 mm/ano, não existindo maiores diferenças entre o clima tropical de altitude e o tropical, pois os meses mais chuvosos, nas áreas de ocorrência deste tipo de clima, coincidem com a primavera e o verão( setembro a março) e os de estiagem, com o outono e inverno(abril a setembro) . O verão tem chuvas mais intensas, devido à ação úmida da massa tropical atlântica (mTa). No inverno, as massas frias originárias da massa polar atlântica (mPa) podem provocar geadas com temperaturas abaixo de 0ºC.

 

CLIMA TROPICAL ATLÂNTICO

Atua na fachada atlântica desde o sul do Rio Grande do Norte até o sul do Rio Grande do Sul. Temperaturas médias entre 18o e 26o C, com amplitudes térmicas crescentes à medida que aumenta a latitude. As chuvas abundantes superam 1.200 mm/ano, mas têm distribuição desigual. No litoral do Nordeste, concentram-se no outono e inverno e mais ao sul no verão.

 

CLIMA SEMI-ÁRIDO

O clima semi-árido caracteriza-se, predominantemente, pela escassez de chuva. Este tipo de clima domina o sertão nordestino.

Quando ocorrem anos normais as chuvas caídas no período próprio atendem às necessidades dos habitantes. A situação torna-se calamitosa apenas quando elas deixam de cair na época devida, prolongando-se assim a estação seca.

Alias, as estiagens anormais não ocorrem somente na área compreendida pelo sertão nordestino, mas abrangem também áreas mais distantes das influências do clima semi-árido. Caracteriza-se por médias térmicas elevadas, em torno de 27o C, com extremos, como Sobral, no Ceará, com uma média mensal de 28,9ºC ( em dezembro). Amplitude térmica anual em torno de 5 graus. Chuvas poucas e irregulares (menos de 800 mm/ano).

 

CLIMA SUBTROPICAL

Ocorre na maior parte do planalto Meridional. Predomina na zona temperada ao sul do Trópico de Capricórnio, exceto no norte do Paraná. Caracteriza-se por temperaturas médias inferiores a 18ºC, com amplitude térmica anual entre 9 e 13 graus. Nas áreas mais elevadas, o verão é suave e o inverno rigoroso, com geadas constantes e nevascas ocasionais. Muitas chuvas (entre 1.500 e 2.000 mm/ano), e bem distribuídas.