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Mata Atlântica :

Esta parte considerável da natureza brasileira é notadamente uma floresta de altitude. Localizando-se principalmente ao longo das serras do Mar e da Mantiqueira, a Mata Atlântica outrora seguia paralelamente ao mar que lhe deu o nome, desde o Rio Grande do Sul até o Rio Grande do Norte. Hoje, estima-se que exista menos de 10% de sua cobertura original. Parte de sua área devastada foi recomposta com cobertura terciária, como é o caso de algumas regiões urbanas, usando principalmente vegetais importados.

Desde o descobrimento, a Mata Atlântica vem sendo devastada por vários interesses, entre eles o colonialista. Inicialmente foi a extração do Pau-Brasil e de madeiras nobres, em seguida os cultivos de cana-de-açúcar e de café paralelamente à extração vegetal, tanto para uso em construção e mobiliário quanto para a produção de carvão. A formação de pastagens foi um passo adiante. Tudo isso fez com que muitos vegetais nativos desaparecessem, sem que qualquer estudo tenha sido realizado a respeito. Além disso, durante esse período muitos animais foram extintos.

Os primeiros naturalistas estrangeiros que vieram ao Brasil, percorreram em expedições algumas partes da Mata Atlântica, com a finalidade de estudar a flora, a fauna e os costumes indígenas, e ficaram maravilhados com a densidade e abundância de plantas e animais que encontraram. Mas, durante séculos, nada foi feito para preservar este patrimônio. Atualmente, as reservas existentes são insuficientes para preservação, principalmente da fauna.

Estudos recentes mostram que na Mata Atlântica ainda são descobertas espécies vegetais não catalogadas no meio científico. A preservação da pequena e isolada fauna, como também o que resta da cobertura vegetal, depende fundamentalmente de uma rígida fiscalização, de programas educacionais e de uma regulamentação oficial. A Mata Atlântica, apesar de tudo, ainda tem muito a oferecer às gerações atuais e futuras, desde que tenha uma utilização racional e controlada, essencialmente voltada para o turismo e lazer.

Floresta Amazônica:

A flora amazônica ainda é praticamente desconhecida, com um fantástico potencial de plantas utilizáveis para o paisagismo, e é constituída principalmente de plantas herbáceas de rara beleza, pertencentes às famílias das Araceæ, Heliconiaceæ, Marantaceæ, Rubiaceæ, entre outras. Essa flora herbácea, alem do aspecto ornamental, seja pela forma ou pelo colorido da inflorescência, desempenha vital função no equilíbrio do ecossistema.

Como exemplo, temos as helicônias,com uma grande variedade de espécies com coloridas inflorescências. São de presença marcante nas nossas matas úmidas e tem uma importante função no equilíbrio ecológico. No continente americano, as helicônias são polinizadas exclusivamente pelos beija-flores que, por sua vez são os maiores controladores biológicos do mosquito palha Phletbotomus, transmissor da leishmânia, muito abundante na amazônia desmatada. A alimentação dos beija-flores chega a ser de até 80% de néctar das helicônias na época da floração das espécies.

Com poucas espécies herbáceas e a grande maioria com espécies de grande porte, as palmeiras tem uma exuberante presença nas matas ribeirinhas, alagadas e nas serras, formando um destaque especial na paisagem amazônica. Muitas palmeiras amazônicas, como tucumã, inajá, buritirana, pupunha, caioué e outras espécies de classificação desconhecida foram muito pouco ou nada utilizadas para o paisagismo.

Quanto às árvores, o vastíssimo mar verde amazônico tem um número incalculável de espécies. Algumas delas, endêmicas em determinadas regiões da floresta foram ou estão sendo indiscriminadamente destruídas, sem que suas propriedades sejam conhecidas. Dentre as árvores mais conhecidas utilizáveis para o paisagismo, estão o visgueiro, os ingás, a sumauma, muitas espécies de figueiras, os taxizeiros, a moela de mutum, a seringueira e o bálsamo.

Crescendo sob as árvores amazônicas, encontram-se plantas epífitas, como: bromélias, orquídeas, imbés e cactos. Essas plantas são importantes para a fauna que vive exclusivamente nos galhos e copas das árvores. Dentre os animais que se integram na comunidade epífita, temos os macacos, os sagüis. as jaguatiricas, os gatos-do-mato, lagartos, araras, papagaios, tucanos e muitos outros que se especializaram nesse habitat, acima do solo. Com o corte das árvores, as epífitas desaparecem e, com elas, toda a fauna associada.

Muitas dessas plantas epífitas de rara beleza foram muito bem retratadas pela pintora Margaret Mee, durante as várias excursões que realizou na floresta amazônica. Outrora abundantes em determinadas regiões, hoje grande parte dessas plantas se encontra em populações reduzidas.

Certamente a região amazônica tem um gigantesco potencial madeireiro, de plantas utilizáveis para o paisagismo e de espécies vegetais com substâncias para uso medicinal. Mas é necessário que tais recursos sejam mantidos de forma renovável. A floresta amazônica ensina que o extrativismo indiscriminado apenas desertifica, pois ela é mantida pela camada de húmus em um solo fresco, muitas vezes arenoso.

Portanto, é imprescindível utilizar a floresta de uma forma racional. Explorando-a, mas renovando-a com as mesmas espécies nativas; e, principalmente, preservando as regiões de santuários de flora e fauna, que muito valerão, tanto no equilíbrio ecológico, quanto no regime de chuvas e na utilização para o turismo.

Projeto envolvendo 120 pesquisadores de todo o mundo investiga as conseqüências globais dos desmatamentos e queimadas na Amazônia

Apesar da crescente preocupação mundial quanto à conservação dos recursos naturais, as florestas tropicais do mundo, com sua ampla biodiversidade, continuam a desaparecer em ritmo acelerado. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), somente no ano passado, o desflorestamento chegou a 16.838 km2. Incertos sobre quais as conseqüências do desmatamento e das queimadas na Amazônia para as outras nações do globo, cientistas de todo o mundo se deslocaram para a região, em janeiro e fevereiro últimos, para participar do Projeto LBA (Large Scale Biosphere Atmosphere Experiment in Amazonia – Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), um empreendimento que envolve o Inpe, o Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA) e universidades federais e estaduais brasileiras, como UNESP e USP, além da agência militar espacial norte-americana Nasa e de diversas universidades dos EUA e da Europa. "Queremos entender como as alterações físicas e biológicas das florestas podem influenciar o clima mundial", diz um dos participantes do projeto, o especialista em radares Mauricio de Agostinho Antonio, pesquisador do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), unidade complementar da UNESP, câmpus de Bauru.

O LBA envolve um investimento de 100 milhões de dólares, entre 1998 e 2003. Cerca de 120 pesquisadores de todo o mundo, dois aviões norte-americanos, três radares da Nasa, quatro balões de coleta de dados meteorológicos e 38 sensores pluviométricos desenvolveram uma campanha intensiva na estação chuvosa. "O objetivo é saber o máximo possível sobre a chuva e o clima da região nesse período do ano", explica Ciro Antonio Rosolem, diretor do IPMet.

Um dos idealizadores do Projeto, o cientista Carlos Nobre, chefe do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cpetec) do Inpe, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, lembra por que recorreu à UNESP. "Contatei o professor Mauricio quando houve a necessidade de um gabaritado especialista em meteorologia para atuar nos radares norte-americanos que foram instalados na Amazônia", conta.

Além de trabalhar nesses radares, Mauricio selecionou o local que serviu de base para a pesquisa. Após um ano e meio de estudos e viagens à Amazônia, optou por Ji-Paraná, RO. "Na região, zonas desmatadas e virgens estão relativamente próximas, o que ajuda a coletar e comparar dados", diz. "Contamos ainda com a proximidade da rodovia BR-364 e a logística da Iamá, uma ONG que atua na região." (veja quadro abaixo).

As grandes vedetes da operação são os aviões. Um deles, o jato Cessna Citation II, da Universidade de Dakota do Norte, ao ser avisado de precipitações em Rondônia, decola de Porto Velho, RO, e atravessa as nuvens, para captar dados físicos, químicos e pluviométricos. O outro, um ER-2, da Nasa, fica na base militar de Brasília. "É o único no mundo capaz de carregar uma tonelada de instrumentos científicos", conta Mauricio. O ER-2, correspondente civil ao célebre avião militar U-2, que deu nome à banda irlandesa de rock, voa acima das nuvens, a até 17 mil metros de altitude, e mede os fenômenos físicos e químicos que ocorrem dentro delas.

BALÕES E SENSORES

As informações, conseguidas pelos aviões, radares, balões e sensores, estarão sendo usadas, neste primeiro momento, pela Nasa, em colaboração com os pesquisadores brasileiros, para calibrar o funcionamento do satélite experimental TRMM (Tropical Rainfall Measurement Mission – Missão de Mensuração da Chuva Tropical), lançado, em parceria pelos EUA e pelo Japão, em novembro de 1997. "Ele orbita a 370 km de altura e passa pela região duas vezes por dia, coletando dados sobre o clima e a chuva", explica Antonio. "Mas, como está ainda em fase de experiência, é necessário comparar os números que consegue aos obtidos pelos aviões. Assim, são realizados ajustes de posicionamento ou do equipamento." Segundo Antonio, nunca foi implementada uma operação parecida na Amazônia. "Após esta campanha na estação chuvosa, será realizada uma semelhante, em junho e julho de 2001, para coletar dados sobre o período seco", conta. "A novidade do projeto é conceber a Amazônia como uma unidade regional. Comparando os dados do período de chuva com os do período de seca e os conseguidos nas zonas desmatadas e na floresta virgem, será possível compreender como as chuvas se formam e como são absorvidas pelo solo", comenta Nobre, coordenador geral do LBA.

Após fevereiro, apenas cerca de 10% dos equipamentos instalados pela Nasa e pelas universidades dos EUA permanecerão em Rondônia. O resto volta para os EUA. "Porém, como co-responsável pela operação dos radares instalados em Rondônia, o Grupo de Radar do IPMet/UNESP será o depositário nacional dos dados originais coletados", celebra Rosolem. "O LBA é um passo importante para buscar práticas de desenvolvimento sustentado na Amazônia, mas não esgota o assunto", conclui Nobre.

Não se pode esquecer do homem

ONG lembra importância da dimensão humana na região

A complexidade de instalar cientistas brasileiros e estrangeiros na Amazônia gerou a necessidade de estabelecer numerosas parcerias. Uma delas foi com o Instituto de Antropologia e Meio Ambiente (Iamá), Organização Não Governamental (ONG) que, fundada em 1987, conta, entre seus pesquisadores, com a participação do cientista social Mauro Leonel, do Departamento de Ciências Políticas da Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP, câmpus de Marília. "Alugamos parte de nossas instalações em Ji-Paraná para funcionar como o Centro de Operações brasileiro do Projeto", diz o docente. Para Leonel, o Projeto LBA é um esforço importante, que tenta prever o impacto do desmatamento no funcionamento ecológico, climatológico e hidrológico da Amazônia. "No entanto, após essa avaliação técnica da região, não se pode deixar de lado a dimensão humana. Somente assim será possível o pleno desenvolvimento da região", conclui.

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MERCOSUL

Desde 1º de janeiro de 1995, Argentina, Brasil Paraguai e Uruguai, os países membros do Mercosul (Mercado Comum do Sul), passam a cobrar tarifas idênticas nas suas importações. A TEC (Tarifa Externa Comum) abrange 85% dos produtos negociados. Os 15% restantes terão um prazo maior de adaptação (variando de 2001 a 2006).

Em 1995, estes países formaram uma união aduaneira com quase 190 milhões de consumidores potenciais e um PIB (Produto Interno Bruto) total de mais de meio trilhão de dólares terão 12 anos para dar o passo seguinte: construir um mercado comum e, ao mesmo tempo, conquistar a estabilidade econômica e superar o subdesenvolvimento social.

Ao contrário das experiências anteriores, desta vez a integração deixou os gabinetes e consolidou-se com negócios. Mais de 300 empresas brasileiras estão investindo na Argentina e o comércio regional deu um salto de 34% ao ano desde 1990. O Mercosul pode mudar o mapa da América do Sul.

Seus países são:

BRASIL

Nome Oficial: República Federativa do Brasil

Capital: Brasília

Área:8.511.965 Km2

População:149,2 milhões

Língua: Português

Divisão administrativa:26 estados e o distrito federal

Renda per capta: US$2.770

Moeda: Real

Regime de governo: Presidencialista

ARGENTINA

Nome Oficial: República Argentina

Capital: Buenos Aires

Área:2.766.889 Km2

População:33,1 milhões

Língua: Espanhol

Divisão administrativa:22 províncias, 1 distrito e o território da terra do fogo.

Renda per capta: US$6.050

Moeda: Peso

Regime de governo: Presidencialista

URUGUAI

Nome Oficial: República Oriental do Uruguai

Capital: Montevidéu

Área:176.224 Km2

População:3,1 milhões

Língua: Espanhol

Divisão administrativa:19 departamentos

Renda per capta: US$3.340

Moeda: Peso Uruguaio

Regime de governo: Presidencialista

PARAGUAI

Nome Oficial: República do Paraguai

Capital: Assunção

Área:406.752 Km2

População:4,5 milhões

Língua: Espanhol e Guarani

Divisão administrativa:19 departamentos e um distrito federal

Renda per capta: US$1.380

Moeda: Guarani

Regime de governo: Presidencialista

A função da união entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai - o Mercosul tem como objetivo melhorar as economias dos mesmos com uma aliança.

Alem de poderem contar com o apoio destes países o intercâmbio de produtos, culturas e raças esta sendo muito importante para suas independências, pois ainda são colônias de si mesmas. Apesar de todos as diferenças entre estes países o Mercosul como a globalização ele está em

pleno vigor.

Fonte: Folha de S.Paulo - 18 de dezembro de 1994, caderno MERCOSUL

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As consequências para o Mercosul

Produtos maquiados pelo Paraguai e reexportados pelo país ingressam no Mercosul com todas as facilidades tarifárias permitidas aos sócios do bloco

Entidades empresariais do Brasil, Argentina e Uruguai argumentam que sofrerão concorrência desleal, pois terão que competir com produtos estrangeiros maquiados pelo Paraguai.

O Grupo Mercado Comum, que reúne técnicos e diplomatas envolvidos nas negociações do Mercosul, está discutindo o assunto

O Paraguai argumenta que a lei não fere o Tratado de Assunção (que deu forma legal ao Mercosul) porque respeitará os índices de nacionalização previstos nos acordos dentro do bloco econômico.

O governo paraguaio argumenta que a lei irá gerar empregos e acabar com a capacidade ociosa das empresas.

REPORTAGEM:

Alca, um balanço

Fonte: jornal Folha de São Paulo, caderno "Dinheiro", 18 de maio de 1997

por ALVARO ANTÔNIO ZINI JR., 44, que é Professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP.

A reunião ministerial da ALCA termina sem que se tenha avançado muito na criação da Área de Livre Comercio das Américas. Sob o ponto de vista das metas estabelecidas, o resultado é frustrante: apenas tornou explícita a divergência séria de agendas entre países como Estados Unidos e Canada e os do Mercosul.

No entanto não cabe dizer que toda a reunido foi um fracasso. No caso brasileiro, por exemplo, está servindo para induzir a um reexame necessário da política comercial e ao questionamento de como elevar a competitividade das exportações.

Um desdobramento positivo das preocupações causadas pela reunião de Belo Horizonte e pelo projeto da Alca é ter tornado claro que parte das nossas dificuldades deve-se ao atraso cambial. Como o senador José Serra

escreveu em artigo na Folha do dia 15, "lembre o leitor a abertura (comercial) foi lançada no inicio dos anos 90, sob uma taxa de cambio efetiva (entrevista) muito menos apreciada do que a prevalecente desde o segundo semestre de 1994". Seguramente, o senador sabe ao que se referia e conhece as restrições que alguns setores do governo fazem a esta constatação.

Dois outros desdobramentos positivos da reunião foram a maior mobilização do setor empresarial e a intensa atividade diplomática do Itamaraty para apurar restrições que afetam negativamente as exportações do país. A preocupação do empresariado com os desafios colocados pela Alca fizeram com que entidades como a CNI e a CNA se dedicassem com muito mais afinco no levantamento das suas pautas de interesse. Essa mobilização deixa claro a necessidade de buscar superar os desafios em termos de competitividade dos produtos, do "Custo Brasil" e da adequação da política comercial.

Itamaraty por sua vez, pode consolidar a opção pelo fortalecimento do Mercosul, tanto por sua dimensão econômica quanto política, e mostrar-se ágil na definição de uma temática econômica de interesse da nação. Quanto ao impasse com os Estados Unidos, não seria mesma possível comprometer-se com uma nova roda de liberalização comercial, no curto prazo, diante das dificuldades das contas externas. O saldo qualitativo da reunião é a percepção mais clara de que o país precisa definir melhor seu projeto de crescimento. Superada a etapa de vencer a hiperinflação, um problema que era absolutamente prioritário, os desafios do presente são outros: como crescer, como que recursos e buscando qual perfil social.

O caminho apontado é que as reformas da Constituição, as privatizações e as mudanças na Previdência que possam aumentar a poupança irão resolver o problema. Mas só isso, como está se vendo, não é suficiente.

REPORTAGEM:

MERCOSUL

As negociações estão abertas

Fonte: Bolsa Internacional de negócios fev/abr - 1997

Certificação de produtos

 

Historicamente, o primeiro degrau rumo à integração entre os países é a criação de uma zona livre de comércio, com a redução e eliminação de tarifas alfandegárias. Exemplo desse tipo de tratado é o nafta, que gerou o livre mercado entre México, Estados Unidos e Canadá, não existindo qualquer compromisso com relação à circulação de pessoas e capitais, unificação política.

O degrau seguinte para a efetiva integração é a união aduaneira. A União Européia já atingiu este estágio, sendo que os países dela integrantes importam de outros com as mesmas tarifas e atuam como bloco.

O Mercado Comum do Sul - Mercosul, foi criado em 1991 pelo Tratado de Assunção com o objetivo implantar a livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos; coordenação de posições conjuntas em foros internacionais; coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais e harmonização das legislações nacionais, para uma maior integração entre Argentina, Brasil, Paraguai, e Uruguai, os países que formam o Mercosul.

Seguindo o que foi acordado no Tratado de Assunção, o Mercosul estabeleceu-se em 31 de dezembro de1994. O prazo de três anos a partir da assinatura do Tratado foi determinado para que os países pudessem criar condições de harmonização entre si, no que se refere a legislação mecanismos de solução de controvérsias, elaboração de listas de produtos sujeitos à união aduaneira, eficácia internacional das judiciais.

O sucesso passo a passo

Quando foi implantado, em janeiro de 1995, o Mercosul causou uma série de polêmicas. Grande parte dos empresários não acreditava em sua viabilização e, principalmente, em sua continuidade. Aqueles que acreditavam, diziam que o sucesso se daria somente nos segmentos de alimentação e cultura. O ceticismo deu-se, provavelmente, porque outras experiências já haviam sido tentadas, e não resultaram nada.

Hoje, passados dois anos, a realidade se mostra bem diferente. Somente entre as pequenas e médias indústrias, duplicou durante o ano de1996, se comparado com o ano anterior. Novas empresas foram abertas, empregos foram gerados. Conquistou-se novos mercados, tecnologias modernas e, principalmente, a credibilidade e igualdade de condições nas concorrências internacionais.

"O mercado veio para ficar, diferentemente de outros tratados e acordos tentados anteriormente, respeita a individualidade de cada país integrante. A implantação do tratado foi muito bem pensada e, aqui no Brasil, principalmente entre as pequenas e médias empresas, o primeiro ano foi de assimilação, depois veio a sedimentação, agora, os negócios estão começando a ser efetivados", explica Luís Álvaro da Siqueira Bastos, Gerente de Negócios do Sebrae/SP.

Para os consumidores brasileiros, os resultados podem ser percebidos,

principalmente, nas prateleiras dos supermercados e nas lojas de

eletrodomésticos. O número de produtos importados ali existentes aumentou

sensivelmente. Já para os empresários brasileiros, foi um período particularmente difícil. Quase que ao mesmo tempo da implantação do Mercosul, nascia o Real a nova moeda do país. O pânico de ser mais um plano econômico fadado ao fracasso impedia a tomada de quaisqueriniciativas. Além disso, a ameaça da abertura de mercado trazia a possibilidade do sucateamento da industria nacional.

O susto do real passou. A moeda está consolidada, os hábitos de consumo de todos os brasileiros mudaram, o Mercosul foi assimilado, sedimentado, começou a gerar os primeiros resultados e, agora, está alavancando negócios a pleno vapor. O momento é de adequação, investir na produção e na mão de obra especializada, adquirir novas tecnologias, rever custos e aumentar a produtividade.

"O Mercosul também serviu para mostrar o quão empreendedores e ágeis na assimilação de novas situações são os empresários brasileiros. Dentre os países integrantes do Tratado, sem dúvida o Brasil tem as melhores empresas e empresários melhores preparados. Mas nem sempre foi assim. Antes, não havia compromisso com o preço, prazo ou entrega dos pedidos. As altas taxas de inflação, a instabilidade econômica, a ciranda financeira, tornava os empresários mais preocupados com as finanças do que com empresa propriamente dita", diz Luís Álvaro de Siqueira Bastos, "As mudanças ocorridas no país e no mundo e, especialmente, a implantação do Mercosul, serviram como alerta aos nossos empresários que reagiram imediatamente, adaptando-se as novas regras de mercado. Hoje estamos reconquistando a credibilidade dos mercados internacionais", diz Luís Álvaro.

REPORTAGEM:

ALCA e MERCOSUL estão em rota de colisão.

Eventual uso, pelos EUA, da mão de obra barata mexicana pode

prejudicar a América do Sul.

Fonte: O estado de S.Paulo - 13.04.97

Vários blocos comerciais surgiram, também, no continente americano O nafta (liderado pelos EUA) é responsável por 88% do PIB continental. O Mercosul (liderado pelo Brasil), o segundo em importância, tem menos de um décimo do peso do Nafta (8% do PIB total).

Os outros têm pesos ainda menores. São eles:

Aladi - Associação Latino-Americana de Integração;

Pacto Andino - Grupo Andino;

MCCA - Mercado Comum Centro-Americano;

Caricom - Mercado comum do Caribe;

G3 - Mercado firmado entre Colômbia, México e Venezuela.

Há razões propícias recentes para a proliferação desses acordos no continente. A principal. A principal foi uma certa convergência entre as polícias macroeconônicas dos países latino-americanos. Após o conhecimento generalizado do que a estratégia de substituição das importações havia se esgotado, adotaram-se programas de estabilização vem sucedidos, reformas estruturais que visavam redefinir o papel do Estado e do capital estrangeiro e um movimento feral de abertura comercial. A própria Cepal recomendou, em 1994, aos países latino-americanos uma nova concepção que chamou de "regionalismo aberto", como aponta Peter Schall em La Position de Unión Europea frente a los Nuevos Processos de la Integración en América Latina, em Contribuiciones de abril de 1996. É dessa forma que são vistos os acordos de integração regional como o Mercosul e o Nafta, uma vez que não houve discriminação contra terceiros por meio de elevação das tarifas.

O nafta é um bloco regional gigantesco consistente e enérgico. A parceria entre EUA e Canadá é fortemente complementar. A aliança mexicana é histórica e tem óbvio conteúdo geopolítico. qualquer crise no México tem impacto direto nos EUA, no mínimo por pressão adicional de imigração ilegal que piora os índices sociais norte-americanos. O acordo consolida também sua posição de fornecedor de mão-de-obra barata ao complexo industrial norte-americano, além de tornar cativo seu interessante mercado interno. O modelo de integração do Nafta cria zona de livre comércio restrita, com um conjunto detalhado de regras de origem e acordos nas áreas de serviços, investimentos, propriedades intelectual, normas trabalhistas e ambientais.

Resultados práticos do MERCOSUL surpreendem

Já o Mercosul, consolidado na aliança Brasil-Argentina que responde por

97% do PIB de 93% do comércio regional, definiu uma união aduaneira que privilegiou a política de tarifas comuns. Questões mais complexas de

integração foram deixadas de fora.

Os resultados práticos do Mercosul foram surpreendentes. Sua implementação mais do que triplicou a troca entre os países membros, elevando-o de US$3,9 bilhões em 1990 para US$12,4 bilhões em 1995, com um crescimento de 212% (veja o gráfico abaixo). Perto de 60% desse comércio está ocorrendo no setor infra-industrial, liderado pelas empresas transacionais, que nele encontram um adequado colchão de proteção que mais do que compensa o alto custo sistêmico da região.

Do lado das importações, o movimento intra-bloco aumentou de 15% (1990) para 19% (1995) o que poderia levar a crer em regionalismo fechado. No entanto, no mesmo período importações provenientes do Nafta no total do Mercosul aumentou 150%, as da UE em 172% e as do Japão e NIC's em 281% (veja a tabela 2 abaixo). Diante desses números fica difícil argumentar sobre protecionismo ou desvio de troca, como recentemente argumentou Alexander Yeats. Além do mais, o crescimento das exportações totais do Mercosul de 1990 a 1995 foi de 50%, e das importações totais do bloco foi de 150%.

A tarifa média do Mercosul para manufaturas reduziu-se de 25% em 1990

para 12% em 1995. E essa liberalização com o exterior foi complementada

pela eliminação e redução de inúmeras barreiras tarifárias e não tarifárias. O montante de investimentos que se dirigiu a região também aumentou significativamente, e indústrias européias, americanas e asiáticas direcionavam seus investimentos visando acesso a esse mercado através de núcleos de produção local.

O risco de reversão desse fluxo aliás, deve ser uma das maiores preocupações quanto à questão Alca. A drástica redução das tarifas de importação de produtos norte-americanos e a prevalência de um custo de produção (custo-país) ainda significativamente maior no Brasil e na Argentina poderá direcionar parte significativa dos novos investimentos diretos para os próprios EUA. Incorporando, quanto for o caso mão-de-obra barata mexicana, esse país poderá facilmente se constituir em plataforma exportadora para os grandes mercados da América do Sul inibindo fortemente a condição de crescimento da base de produção local.