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PAISAGEM E ESPAÇO

O espaço está no centro das preocupações dos mais variados profissionais. Para alguns, objeto de conhecimento, para outros simples meio de trabalho. Há desde os que o vêem como produto histórico, até como um processo histórico. Poderíamos dizer que o espaço é mais interdisciplinar dos objetos concretos (Santos e Souza, 1986, p. 1).

Todos os espaços são geográficos porque são determinados pelo movimento da sociedade, da produção. Mas tanto a paisagem quanto o espaço resultam de movimentos superficiais  e de fundo da sociedade, uma realidade funcionamento unitário, um mosaico de relações, de formas, funções e sentidos. Paisagem, o que é ?

Tudo aquilo que nós vemos, o que nossa visão alcança, é a paisagem. Esta pode ser definida como o domínio do visível, aquilo que a vista abarca. Não é formada apenas de volumes, mas também de cores, movimentos, odores, sons etc.

Percepção e Conhecimento:

Nossa visão depende da localização em que se está. se no chão, em um andar baixo ou alto de um edifício, num miradouro estratégico, num avião... A paisagem toma escalas diferentes e assoma diversamente aos nossos olhos, segundo onde estejamos, ampliando-se quanto mais se sobe em altura, porque desse modo desaparecem ou se atenuam os obstáculos à visão, e o horizonte vislumbrado não se rompe.

A dimensão da paisagem é a dimensão da percepção, o que chega aos sentidos. Por isso, o aparelho cognitivo tem importância crucial nessa apreensão, pelo fato de que toda nossa educação, formal ou informal, é feita de forma seletiva, pessoas diferentes apresentam diversas versões do mesmo fato. Por exemplo, coisas que um arquiteto, um artista vêem, outros não podem ver ou o fazem de maneira distinta. Isso é valido, também, para profissionais com diferente formação e para o homem comum.

A percepção é sempre um processo seletivo de apreensão. Se a realidade é apenas uma, cada pessoa a vê de forma diferenciada; dessa forma, a visão pelo homem das coisas materiais é sempre deformada. Nossa tarefa é de ultrapassar a paisagem como aspecto, para chegar  ao seu significado. A percepção não é ainda o conhecimento, que depende de sua interpretação e está será tanto mais válida quanto mais limitarmos o risco de tomar por verdadeiro o que é só aparência.

Já houve tempo em que, para muitos, a geografia teria como objeto o estudo da paisagem. Mas Sorre introduzia  uma ressalva, distinguindo o fenômeno geográfico de sua mera expressão corpórea. Dizia o grande mestre francês que o geógrafo devia utilizar em sua descrição, "a noção de capital de complexo geográfico local, cuja a expressão concreta é a paisagem". E acrescenta : "eis o verdadeiro dado geográfico" (Megale, 1984, p.126), como se quisesse mostrar o interesse de alcançar a essência do acontecer geográfico. Muitos também davam como sinônimo paisagem e região. É fato que, em tempo bastantes remotos, a geografia correspondente a cada grupo seria explicada pela própria ação do grupo e a paisagem e a região eram diretamente associadas. Está idéia persistiu no espírito dos geógrafos europeus até o fim do século passado. "A teoria de Vidal de La blache concebia o homem como hóspede antigo de vários pontos da superfície terrestre, que em cada lugar se adaptou ao meio que o envolvia, criando, no relacionamento constante e cumulativo com a natureza, um acervo de técnicas, hábitos, usos e costumes que lhe permitiram  utilizar os recursos naturais disponíveis. A este conjunto de técnicas e costumes, construído e passado socialmente, Vidal denominou "gênero de vida", o qual exprimia uma relação entre a população e os recursos, uma situação de equilíbrio, construída historicamente pelas sociedades. A diversidade dos meios explicaria a diversidade dos gêneros de vida" (Moraes, 1986, p.68-69).

Na Europa, a personalidade de cada região foi constituindo-se  como resultado de uma longa evolução  e os traços do passado podiam, por isso, cristalizar-se. As atividades criadas se mantinham durante um longo período, dando a impressão de imobilidade. Daí a idéia de que a paisagem, criada em função de um modo produtivo duradouro, devia confundir-se com a região, isto é, a área de ação do grupo interessado.

É fato que assim ( sobretudo no começo da história do homem) era possível entrever certa semelhança entre paisagem e região. Mas o mundo mudou, e hoje a confusão entre os dois conceitos não é mais possível. A geografia não é mais o estudo da paisagem, como imaginavam nossos colegas de antanho; não é que eles estivessem errados, apenas houve grandes transformações no mundo. A modernização da agricultura, a dispersão industrial introduzem formas novas de organização espacial.

Os objetos culturais: Carl Sauer, pai da geografia cultural - muito próxima da antropogeografia de Ratzel e da geografia humana de Vidal de la Blache - propôs que considerássemos dois tipos de paisagem, a natural e a artificial. Argumenta dizendo que, à medida que o homem se defronta com a natureza, há entre os dois uma relação cultural, que é também política, técnica etc. É marca do homem sobre a natureza, chamada de socialização por Marx.

Desta maneira, com a produção humana há produção do espaço, o trabalho manual foi sendo relegado a segundo plano, e a maquinaria foi sendo cada vez mais usada até chegar à automação. A produção do espaço é resultado da ação dos homens agindo sobre o próprio espaço, através dos objetos, naturais e artificiais. Cada tipo de paisagem é a reprodução de níveis diferentes de forças produtivas, materiais e imateriais, pois o conhecimento também faz parte do rol das forças produtivas.

Paisagem natural, paisagem artificial: A paisagem artificial é a paisagem transformada pelo homem, enquanto grosseiramente podemos dizer que a paisagem natural é aquela ainda não mudada pelo esforço do humano. Se no passado havia a paisagem natural, hoje essa modalidade de paisagem praticamente não existe mais. Se um lugar não é fisicamente tocado pela força do homem, ele, todavia, é objeto de preocupações e de intenções econômicas e políticas. Tudo hoje se situa-se no campo do interesse da história, sendo, desse modo, social. A paisagem é um conjunto heterogêneo de formas naturais e artificiais; é formada por frações de ambas, seja quanto ao tamanho, volume, cor, utilidade, ou qualquer outro critério. A paisagem é sempre heterogênea. A vida em sociedade supõe uma multiplicidade de funções e quanto maior o número destas, maior a diversidade de formas e de atores. Quanto mais complexa a vida social, tanto mais nos distanciamos de um mundo natural e nos endereçamos a um mundo artificial.

Se levarmos em conta a sucessão histórica dos modos de produção, nela reconhecemos as diversas gradações do artifício, com o império do cultural se tornando cada vez mais marcante e significativo. Este parece ser o caminho da evolução. Hoje por isso, diante de uma grande cidade como São Paulo, Nova York, Paris, Londres, Buenos Aires, torna-se difícil distinguir o que é natural do que é artificial. A percepção da diferença é cada vez mais árdua e temerária. Sabemos todavia, que a marcha do mais natural ao mais artificial leva a  que tenhamos mais e mais instrumentos de trabalhos fixos e cada vez o domínio das técnicas se impõe. Há uma relação entre os instrumentos de trabalho (objetos dos mais diversos tamanhos, que o homem cria para produzir) e a paisagem. Há uma grande quantidade desses instrumentos que não são materiais, mas que se elaboram como elementos necessários à produção. Em eras bastante remotas, os instrumentos de trabalho eram um prolongamento  da terra, próteses ou acréscimos à própria natureza, duráveis ou não. Os instrumentos de trabalho imóveis e a serem condição de uso destes. Estradas, edifícios, pontes, portos, depósitos etc. são acréscimos à natureza sem os quais a produção é impossível. A cidade é o melhor exemplo dessas adições ao natural.

Paisagem e Produção:

A relação entre paisagem e produção está em cada forma produtiva necessita de um tipo de instrumento de trabalho. Se os instrumentos de trabalho estão ligados ao processo direto da produção, isto é, à produção propriamente dita, também o estão à circulação, distribuição e consumo. A paisagem se organiza segundo os níveis destes, na medida em que as exigências do espaço variam em função dos processos próprios a cada produção e ao nível de capital, tecnologia e organização correspondentes. Por essa razão, a paisagem urbana é mais heterogênea, já que a cidade abarca diversos tipos e níveis de produção. Cada instrumento de trabalho tem uma localização específica, que obedece a lógica de produção nesses quatros momentos acima mencionados, e é por isso que o espaço é usado de forma desordenada.

A paisagem não se cria de uma só vez,  mas por acréscimos, substituições a lógica pela qual se fez um objeto no passado era a lógica de produção daquele momento. Um a paisagem é uma escrita sobre a outra, é um conjunto de objetos que têm idades diferentes, é uma herança de muitos diferentes momentos. Daí vem anarquia das cidades capitalistas. Se juntos se mantêm elementos de idades diferentes, eles vão responder diferentemente às demandas sociais. A cidade é essa heterogenidade de formas, mas subordinada a um movimento global. O que se chama desordem é apenas a ordem do possível, já que nada é desordenado. Somente uma parte dos objetos geográficos não mais atende aos fins de quando foi construída. Assim, a paisagem é uma herança de muitos momentos, já passados, o que levou Lênin a dizer que a grande cidade é uma herança do capitalismo , e veio para ficar devendo os planejadores do futuro levar em conta essa realidade.

No começo da história do homem seus instrumentos de trabalho eram separados, hoje estão cada vez mais indivisíveis, como uma estrada de ferro, uma autopista etc. O caminho histórico dos instrumentos de trabalho vai, cada vez mais, da divisibilidade à indivisibilidade e do dado isolado ao sistema. É o que ocorre na energia elétrica, a água, o telefone etc. Outra tendência atual dos instrumentos de trabalho é ir do diminuto ao imenso - por exemplo, os circuitos integrados e os hipermercados. Cada um desses instrumentos é um sistema em si mesmo, que se relaciona com um sistema global. Dessa forma, um shopping-center  tem seu próprio sistema de crédito, seus estacionamentos, sua lógica organizacional, seu sistema funcional. A uma sistematicidade do objeto moderno que se relaciona com um sistema maior. Passamos dos objetos, geográfica e funcionalmente isolados, para os objetos agrupados sistematicamente e também sistêmicos. As cidades mais antigas adaptam-se, transformam-se mais ou menos lentamente; as novas já nascem assim.

Uma permanente mudança: Em cada momento histórico os modos de fazer são diferentes, o trabalho humano vai tornando-se cada vez mais complexo exigindo mudanças correspondentes às inovações. Através de novas técnicas vemos a substituição de uma nova forma de trabalho por outra, de uma configuração territorial por outra. Por isso, o entendimento do fato geográfico depende do conhecimento dos sistemas técnicos.

O homem vai construindo novas maneiras de fazer as coisas, novos modos de produção que reúnem sistemas de objetos e sistemas sociais. Cada período se caracteriza por um dado conjunto de técnicas. Em cada período histórico temos um conjunto próprio de técnicas e de objetos correspondentes. Num momento B, muitos elementos  do momento A permanecem; e surgem novos. É a inovação triunfante que permite sair de um período e entrar em outro . A inovação traz a modificação da paisagem, que passa a ter objetos dos momentos A e B. A paisagem não é dada para todo o sempre, é objeto de mudança. É um resultado de adições e subtrações sucessivas. É uma espécie de marca  da história do trabalho, das técnicas. Por isso, ela própria é parcialmente  trabalho morto, já que é formada pro elementos naturais e artificiais. A natureza natural não é trabalho. Já o seu oposto, a natureza artificial, resulta de um trabalho vivo sobre o trabalho morto. Quando a quantidade de técnica é grande sobre a natureza, o trabalho se dá sobre o trabalho.  è o caso das cidades sobretudo as grandes, As casas, a rua, os rios canalizados, o metrô etc., são resultados do trabalho corporificado em objetos culturais. Não faz mal repetir: suscetível a mudanças irregulares ao longo do tempo, a paisagem é um conjunto de formas heterogêneas , de idades diferentes, pedaços de tempos históricos representativos das diversas maneiras de produzir as coisas, de construir o espaço.

Datação e movimento da paisagem: Os objetos são passíveis, pois, de uma datação, têm idades. Pela datação dos objetos de uma paisagem deveríamos poder reconhecer a sua idade( ou as suas idades). Mas isso nem sempre é possível, já, que, muitas vezes, os objetos antigos são suprimidos da paisagem. Quem desembarca em São Paulo, reconhece a história dos objetos presentes, mas não a história da cidade. Na velha Europa, os traços do passado são mais visíveis; é toda uma diferença de ritmos. Mas em todos os casos não há paisagem indiferenciada de um ponto de vista histórico, exceto a de uma cidade porventura inaugurada ontem.

A paisagem tem, pois, um movimento que pode ser mais ou menos rápido. As formas não nascem apenas das possibilidades técnicas de uma época, mas dependem, também, das condições econômicas , políticas, culturais etc. A técnica tem um papel importante, mas não tem existência histórica fora das relações sociais. A paisagem deve ser pensada paralelamente às condições políticas, econômicas e também culturais. Desvendar essa dinâmica social é fundamental, as paisagens nos restituem todo um cabedal histórico de técnicas, cuja a era revela; mas ela não nos mostra todos os dados, que nem sempre são visíveis.

As mutações da paisagem: o estrutural e funcional: As mutações da paisagem podem ser estruturais ou funcionais. Ao passarmos numa grande avenida, de dia ou à noite, contemplamos paisagens diferentes, graças ao seu movimento funcional. A rua, a praça, o logradouro funcionam de modo diferente segundo as horas do dia, os dias da semana, as épocas do ano. Dentro da cidade e em razão da divisão territorial do trabalho, também há paisagens funcionalmente distintas. A sociedade urbana é una, mas se dá segundo formas-lugares diferentes. É o princípio da diferenciação funcional dos subespaços. A sociedade não mudou, permaneceu a mesma, mas se dá de acordo com ritmos distintos, segundo os lugares, cada ritmo corresponde a uma aparência, uma forma de parecer. É o princípio da variação funcional do mesmo subespaço.

Já uma mudança estrutural dá-se também pela mudança das formas. Quando se constroem prédios de quarenta, em lugar de vinte  ou trinta e dois andares, é, via de regra, sinal de que outros também poderão ser construídos, de que temos atividades e gente para enchê-los, e justificar sua construção. Há uma relação entre a estrutura sócio-econômica e a estrutura sócio-econômica e política. Alterações de velhas formas para adequação às novas funções são também uma mudança estrutural.

É nesse quadro que se analisa o envelhecimento das formas, tanto físico quanto social. As formas envelhecem por inadequação física, quando, por exemplo, ocorre desgaste dos materiais. Já o envelhecimento social corresponde ao desuso ou desvalorização, pela preferência social a outras formas. Às vezes o movimento corresponde a uma  moda, como a construção de suítes nas habitações; aqui a um envelhecimento moral. Às vezes, o envelhecimento das formas permite que haja uma mudança brutal de seu uso - grandes casa viram cortiços, mudam de moradias ricas para pobres. O envelhecimento físico das formas é previsível pela durabilidade dos materiais, o envelhecimento moral não é tão previsível, muda de acordo com o quadro  político, econômico, social e cultural.

A paisagem é um palimpsesto, um mosaico, mas que tem um funcionamento unitário. Pode conter formas vivas ou formas virgens. As primeiras estão à espera de uma reutilização, que pode acontecer : as segundas são adrede criadas para novas funções, para receber inovações. As funções que são maus suscetíveis de criar novas formas são: bancos, hipermercados, o Estado, shopping-centers etc., além de certas funções públicas. Fora estas, são poucas as funções capazes de criar novas formas, e é por isso mais comum o uso das preexistentes através da readaptação. É o caso das casas de saúde, escolas, serviços diversos, fábricas menores etc., que se instalam em antigos casarões ou prédios deixados por outras atividades com a readaptação de formas velhas para novas funções.

Espaço, o que é : Segundo A. C. da Silva (1986, pp. 28-29) "as categorias fundamentais do conhecimento geográfico são, entre outras, espaço, lugar, área, região, território, habitat, paisagem e população, que definem o objeto da geografia em seu relacionamento. (...) De todas as mais geral - e que incluiu as outras - é o espaço".

Mas a paisagem e o espaço são coisas diferentes. Como o vocábulo paisagem, a palavra espaço também é utilizada em dezenas de acepções. Fala-se em espaço da sala, do verde, de um país, de um refrigerador, espaço ocupado pelo corpo etc. É um dos termos que mais possui verbete nos dicionários e enciclopédias; e em alguns comparecem com centenas de sentidos diversos. Palavras como vermelho, duro, sólido não têm seus significados colocados em dúvida, estão associados a experiências elementares. O que não acontece com a palavra espaço, freqüentemente substituída por lugar, território etc. A palavra é mesmo muito utilizada como substantivo, assim o espaço do homem, do migrante, do sedentário etc. A própria palavra paisagem é comumente utilizada para designar o espaço.

O espaço seria um conjunto de objetos e de relações que se realizam sobre estes objetos; não entre estes especificamente, mas para os quais eles servem de intermediários. Os objetos ajudam a concretizar uma série de relações. O espaço e resultado da ação dos homens sobre o próprio espaço, intermediados pelo objetos, naturais e artificiais.

A paisagem não é espaço: Não há na verdade, paisagem parada, inerme, se usarmos este conceito é apenas um recurso analítico. A paisagem é materialidade, formada por objetos materiais e não-materiais . A vida e sinônimo de relações sociais, e estas não são possíveis sem a materialidade, a qual fixa relações sociais do passado. Logo, a materialidade construída vai ser fonte de relações sociais, que também se dão por intermédio dos objetos. Estes podem ser sujeitos de diferentes relações sociais - uma mesma rua pode servir a funções diferentes em distintos momentos.

A sociedade existe com objetos, é com estes que se torna concreta. Por exemplo, São Paulo tem dezesseis milhões de habitantes, mas se não explicamos como estes se movem, para o lazer, para o trabalho, para compras, como eles habitam , como participam da reprodução social etc., não estou me referindo a São Paulo , mas apenas dezesseis milhões de pessoas... A paisagem é diferente do espaço. A primeira é a materialização de um interesse da sociedade. Seria, numa comparação ousada, a realidade de homens fixos, parados como numa fotografia. O espaço resulta do casamento da sociedade com a paisagem. O espaço contém o movimento. Por isso, paisagem e espaço são um par dialético. Complementam-se e se opõem. Um esforço analítico impõe que os separemos como categoriais diferentes , se não querermos correr o risco de não reconhecer o movimento da sociedade.

Imaginemos a cidade de Salvador no dia primeiro de junho de 1987, às quinze horas. Teríamos uma determinada distribuição de pessoas, da produção sobre o território. Três horas mais tarde,esta distribuição seria outra. O conjunto de trabalhadores e atividades muda, assim como uma visão do conjunto. O movimento das pessoas corresponde à etapa da produção que está se dando naquele momento . Todos são produtores - o operário, o artista de teatro, o vendedor de supermercado, o intelectual, o motorista de táxi etc., mesmo quem está diretamente no processo de produção, já que também consome. É a maneira como se dá a produção, e o intercâmbio entre os homens que dá um aspecto à paisagem. O trabalho morto (acumulado) e a vida se dão juntos, mas de maneiras diferentes. O trabalho morto seria a paisagem. O espaço seria o conjunto do trabalho morto ( formas geográficas ) e do trabalho vivo ( o contexto social ).

Há uma adequação da sociedade - sempre em movimento - à paisagem. A sociedade se encaixa na paisagem, supõe lugares onde se instalam, em cada momento, suas diferentes frações. Há, dessa maneira, uma relação entre sociedade e um conjunto de formas - materiais e culturais. Quando há uma mudança social, há também mudança de lugares - por exemplo, a invasão de São Paulo pelos pobres, há cerca de vinte e cinco anos. Diríamos que Edward Soja (1983) que a sociedade sempre está se espacializando-se. Mas a espacialização não é o espaço. A espacialização é um momento da inserção territorial dos processos sociais. O espaço é mais do que isso, pois funciona como um dado do próprio processo social.

A espacialização não é o espaço: O espaço e resultado da soma e da síntese, sempre refeita, da paisagem com a sociedade através da espacialidade. A paisagem tem permanência e a espacialidade é momento. A paisagem é uma coisa, a espacialização e funcional e o espaço estrutural. A paisagem é relativamente permanente, enquanto a espacialização é mutável, circunstancial , produto de uma mudança estrutural ou funcional. A paisagem precede a história que será escrita sobre ela ou se modifica para acolher uma nova atualidade, uma inovação. A espacialização é sempre o presente, um presente fugindo, enquanto a paisagem é sempre o passado, ainda que recente.

O espaço é igual à paisagem mais a vida nela existente; é a sociedade encaixada na paisagem, a vida que palpita conjuntamente com a materialidade. A espacialidade seria um momento das relações sociais geografizadas , o momento da incidência da sociedade sobre um determinado arranjo espacial.

A espacialização não é o resulta do movimento da sociedade apenas, porque depende do espaço para se realizar. No seu movimento permanente, em busca incessante de geografização, a sociedade está subordinada à lei do espaço preexistente. Sua subordinação não é a paisagem, que, tomada isoladamente, é um vetor passivo. É o valor atribuído à cada fração de paisagem pela vida - que metamorfoseia a paisagem em espaço - que permite a seletividade da espacialização . Está não é um processo autônomo , porque, na origem, depende das relações sociais e na chegada independente do espaço, mas o seu conceito substitui o conceito de espaço. A espacialização também não é apenas o resultado do movimento da sociedade, porque depende do espaço.


 

PETRÓLEO:

 

Introdução

Durante os séculos XVI e XIX o verdadeiro motor das expansões marítimas e das atividades econômicas era a busca do ouro. Reis, navegante, soldados, e mercadores uniram-se para ,localizá-lo em qualquer parte do mundo. Os portugueses tentaram no litoral da África Ocidental e depois no Brasil (os grandes veios só foram encontrados no século XVIII, nas Minas Gerais), os espanhóis lançaram-se sobre o México e esvaziaram o ouro e a prata dos astecas, o mesmo fizeram com os incas no Peru. Os americanos só o encontraram depois de 1848, na Califórnia, que recém haviam conquistado do México. Os ingleses toparam com os primeiros veios na Austrália no século XVIII e depois na África do Sul, na região dos Transvaal, na década de 1880.

Mas a partir de 1859 um novo produto vai atiçar a cobiça humana. Visitando a Pensilvânia, George Bissel encontra petróleo. A partir de então começa a grande corrida atrás do ouro negro. Em princípio extrai-se apenas o querosene para a iluminação, mas com advento da indústria automobilística (Ford fabrica o primeiro modelo em 1896) e do avião (os irmãos Wright voam em 1903), somado à sua utilização nas guerras, tornou-se o principal produto estratégico do mundo moderno. As maiores 100 empresas do nosso século estão ligadas ao automóvel ou ao petróleo. E os nomes de John Rockeffeler (fundou a Standar Oil em 1870), Paul Getty, Leopold Hammer, Alfred Nobel, Nubar Gulbenkian e Henry Ford tornaram-se mundialmente conhecidos por estarem associados ao petróleo ou ao automóvel.

Dados sobre o petróleo

Calcula-se que existam 1 trilhão de barris (1 barril = 159 litros) de petróleo, desses, 43,4% já foram extraídos e consumidos até 1990.

A produção mundial anual atinge a 24 bilhões de barris, consome-se 23 bilhões e 1 bilhão vai para os depósitos (os EUA produzem 13%, a Europa Ocidental 6%, o Golfo Pérsico 27%, os outros 19%).

As reservas existentes no mundo inteiro são calculadas em 137 bilhões de toneladas (67% delas se encontram no Oriente Médio).

Crises do petróleo

As crises do petróleo - todas depois da 2ª Guerra Mundial - que momentaneamente interromperam seu fluxo, mostram um cruzamento de conflitos. A primeira delas ocorre entre os estados-nacionais e as grandes empresas multinacionais visando o controle do processo produtivo e distributivo. Tratou-se de uma luta em torno do dinheiro e do poder. O segundo tipo de conflito, numa etapa posterior, deu-se entre os países produtores e os países consumidores.

Estados-Nacionais X Empresas Multinacionais

A exploração dos recursos petrolíferos no Terceiro Mundo começou em 1908 com a descoberta de lençóis de petróleo no Irã. A partir de então toda a região do Golfo Pérsico começou a ser explorada. Foi o início de uma política de concessões feitas pelo Xá e por chefes tribais árabes a grandes companhias estrangeiras, particularmente inglesas (Anglo-iranian) e americanas (Texaco, Mobil Oil, Esso, Standar Oil). Dois fatores fizeram com que o petróleo passasse a ser estratégico no nosso século. Em 1896 Henry Ford começou a produzir o primeiro veículo automotor em série, inaugurando a era da moderna indústria de automóveis, expandindo-se para outros transportes como o aeronáutico. O aumento do consumo de gasolina e óleo começa então a impulsionar a prospecção e a busca de mais poços de petróleo, tanto nos Estados Unidos como no exterior. Outro fator que levou o petróleo a tornar-se o negócio do século ocorreu em 1911, com a decisão tomada por Churchill, quando Ministro da Marinha inglesa - a maior do mundo -, de substituir o carvão pelo óleo como energia para seus navios, em 1911.

De 1908 a 1950, as companhias multinacionais formaram verdadeiros impérios (eram chamadas as 7 grandes) abarcando todas as zonas produtoras de petróleo espalhadas pelo mundo, mas concentradas basicamente no Oriente Médio. Foi a época de ouro das multinacionais. Elas possuíam sua própria política externa, suas linhas de aviação e comunicação completamente independentes. Geralmente seus administradores e gerentes eram os homens mais importantes do país e seus verdadeiros governantes. Os estados que existiam eram neocoloniais, dependentes, sem poder e força para disputar o controle da riqueza nacional.

Essa situação começou a inverter-se a partir da 2ª Guerra Mundial. As antigas potências colonialistas (Inglaterra, França e Holanda) perderam suas energias na guerra. Um forte movimento nacionalista teve então início. No Irã, em 1951, deu-se a primeira crise com a política do 1º Ministro Mossadegh que nacionalizou a British Petroleum. Mas, em 1953, a CIA e o serviço secreto inglês, numa operação conjunta, conseguiram reverter a situação e Mossadegh foi deposto e o Xá Reza Pahlevi, pró-americano, foi novamente entronado. Mesmo tendo fracassado, a política nacionalista de Mossadegh foi o ponto de partida para uma série de enfrentamentos que se seguiram entre os estados-nacionais, que começavam a se fortalecer, contra o poder das empresas multinacionais. Gradativamente as empresas foram vendo diminuir suas regalias sendo obrigadas a aceitar o pacto dos cinqüenta mais cinqüenta, que tornava os estados-nacionais sócios iguais delas.

A segunda crise do petróleo ocorreu em 1956 quando o Presidente do Egito, Gamal Nasser , nacionalizou o Canal de Suez, em mãos de uma companhia anglo-francesa. Com a intervenção militar de tropas inglesas e francesas ocorreu um boicote do mundo árabe que foi contornado pela exigência dos Estados Unidos e da URSS que aquela intervenção cessasse imediatamente.

A terceira crise ocorreu durante a Guerra dos Seis Dias, quando Israel travou uma guerra fulminante com seus vizinhos. Mas a mais grave, a quarta, ocorreu durante a Guerra do Yon-Kippur, quando os árabes agora organizados no cartel da OPEP (fundada em Bagdá, em 1960), decidiram aumentar o preço do barril de petróleo (de U$ 2,9 para U$ 11,65), um aumento de 301%. Essa última crise assinala uma mudança substancial do conflito. Agora não se trata mais de um enfrentamento entre estados-nacionais e multinacionais, mas entre produtores e consumidores.

A penúltima grande crise mundial - a quinta crise - ocorreu como resultado da espetacular deposição do Xá Reza Pahlevi, em 1979, seguida pela Revolução Xiita que desorganizou todo o setor produtivo do Irã. A crise estendeu-se até 1981, quando o preço do barril saltou de U$ 13 para U$ 34. Ou seja 1072% em relação ao preço de 1973.

A crise do Golfo

Depois de ter-se envolvido numa desgastante guerra de fronteiras com o Irã, o ditador iraquiano Saddam Hussein resolveu atacar, em 1990, o emirado do Kuwait, um dos maiores produtores de petróleo dom mundo. Saddam o transformou na 19ª província da República Iraquiana. Tinha início a sexta crise do petróleo do após-Guerra. O Kuwait era considerado fornecedor estratégico pelos Estados Unidos, fazendo com que os americanos temessem que Saddam Hussein pudesse açambarcar o controle de metade do fornecimento do petróleo na região. Igualmente receavam que ele pudesse alastrar-se para a Arábia Saudita.

Conseguiram então fazer com que a ONU autorizasse uma operação militar visando a desocupação do Kuwait. Em 1991, liderando uma força multinacional (composta por inglese, franceses, italianos e outros países árabes), os Estados Unidos reconquistaram o emirado e expulsou as tropas iraquianas de volta para suas fronteiras. Ao bater em retirada os iraquianos incendiaram todos os poços de extração provocando uma das maiores catástrofes ecológicas do mundo, fazendo com que grande parte da vida animal do Golfo Pérsico fosse destruída.

A intervenção internacional foi o passo inicial da chamada Nova Ordem Mundial onde o consenso das nações determinou não aceitar mais nenhuma guerra de anexação.

Sanções sobre o Iraque

Desde que foi derrotado pela Operação Tempestade no Deserto, Saddam Hussein passou a sofrer sanções internacionais. Em sua política econômica foi bloqueado por meio da proibição de vender petróleo iraquiano, bem como de importar uma série de outros produtos. No plano militar foi limitado por dias zonas de exclusão, uma ao norte, no Paralelo 36 e outra ao sul, no Paralelo 32, onde sua aviação e seus soldados não podem transitar - apesar de ser território iraquiano - sob pena de sofrerem represálias. A garantia de que o Iraque terá de obedecer essas normas é reforçada pela presença da esquadra americana ancorada no Golfo Pérsico e que tem o poder de lançar mísseis sobre o país.

Petróleo:

O Petróleo é um composto de hidrocarbonetos em seus três estados. Contém também pequenas quantidades de compostos de enxofre, oxigênio, nitrogênio.

· Origem: restos de matéria orgânica, bactérias, produtos nitrogenados e sulfurados no petróleo indicam que ele é o resultado de uma transformação da matéria orgânica acumulada no fundo dos oceanos e mares durante milhões de anos, sob pressão das camadas sedimentares que foram se depositando e formando rochas sedimentares.

· Jazidas: O petróleo é encontrado na natureza não como uma espécie de rio subterrâneo u camada líquida entre rochas sólidas. Ele ocorre sempre impregnando rochas sedimentares, como os arenitos. Como essas rochas são permeáveis, o óleo "migra" através delas pelo interior da crosta terrestre. Se for detido pôr rochas impermeáveis, acumula-se, formando então as jazidas. Das jazidas conhecidas, as mais importantes estão no Oriente Médio, Rússia e repúblicas do Cáucaso, Estados Unidos, América Central e na região setentrional da América do Sul.

· História: Na antigüidade, era usado para fins medicinais ou para lubrificação e era conhecido com os nomes de óleo de pedra, óleo mineral e óleo de nafta. Atribuíam-se ao petróleo propriedades laxantes, cicatrizantes e anti-sépticas. Era considerado eficaz também no tratamento da surdez e na cura de tosse, bronquite, congestão pulmonar, gota, reumatismo e mau-olhado. Das pirâmides do Egito à Arca de Noé, são muitas as referências à presença do petróleo na vida dos povos da antigüidade. Sacerdotes hebreus, por exemplo, usavam o petróleo nos sacrifícios, para acender fogueiras nos altares, e as chamas que irrompiam eram consideradas manifestações divinas. Conta a Bíblia que Deus, desgostoso com a raça que criara, ordenou a Noé a construção de uma arca e sua calafetação com betume, antes de inundar o mundo com o dilúvio. E o termo betume representava, possivelmente, resíduo de petróleo obtido na superfície. O betume, uma forma pastosa de petróleo encontrada a céu aberto, teria sido o cimento aplicado na construção da Torre de Babel, nas Pirâmides do Egito, no templo de Salomão ou nos famosos Jardins Suspensos de Nabucodonosor. Milênios antes de Cristo, o petróleo, já era um valorizado produto comercial, usado também para embalsamar corpos, iluminar, impermeabilizar moradias e palácios, pavimentar estradas ou construir embarcações. Para Gregos e Romanos, a principal aplicação era bélica: lanças incendiárias embebidas em betume eram uma de suas armas mais eficazes.

Ao longo de vários séculos, o petróleo foi recolhido na superfície. A primeira mineração só aconteceu em 1742, na Alsácia

( limite da França com a Alemanha ). Em Baku, capital do Azerbaijão, na ex-União Soviética, no início do século XIX, os russos cavavam com a mão os primeiros poços, que atingiam profundidades de até 30 metros. Os métodos eram bastante primitivos, mas mesmo assim a utilização do petróleo ampliava-se. Passou a ser usado como medicamento, curando cálculos renais, escorbuto, cãibras e gota, além de tônico para o coração e remédio contra reumatismo.

Só na Segunda metade do século passado os métodos primitivos, de pouquíssimo rendimento, deram lugar à ousada idéia de perfurar poços mais profundos. Foi um ex-maquinista de trem, o americano Edwin drake, quem passou à História como autor da façanha. Perfurado em 1859 na Pensilvânia, Estados unidos, o poço aberto pôr Drake com um equipamento que funcionava como um bate-estaca, pelo sistema de percussão, produziu 19 barris pôr dia, encorajando muitas outras tentativas.

Cinco anos depois da descoberta de drake, funcionavam nos Estados unidos 543 companhias dedicadas ao novo ramo de atividade. O petróleo passou então a ser utilizado em larga escala, substituindo os combustíveis disponíveis, principalmente o carvão, na indústria, e os óleos de rício e de baleia, na iluminação. Com a invenção dos motores a explosão, no final do século, começou-se a empregar frações até então desprezadas do petróleo, e suas aplicações multiplicaram-se rapidamente. No final do século XIX, dez países já extraiam petróleo de seus subsolos.

· Extração: Nos dias de hoje a extração do petróleo varia de acordo com a quantidade de gás acumulado na jazida. Se a quantidade de gás for grande o suficiente, sua pressão pode expulsar pôr si mesma o óleo, bastando uma tubulação que comunique o poço com o exterior. Se a pressão for fraca ou nula, será preciso ajuda de bombas de extração.

· O Refino: O petróleo bruto, tal como sai do poço, não tem aplicação direta. Para utilizá-lo, é preciso fracioná-lo em seus diversos componentes, processo que é chamado de refino ou destilação fracionada. Para isso aproveitam-se os diferentes pontos de ebulição das substâncias que compõem o óleo, separando-as para que sejam convertidas em produtos finais.

Subprodutos mais importantes : O gás, uma das frações mais importantes obtidas na destilação, é composto das subst6ancias com ponto de ebulição entre 165 0C e 30 0C, como o metano, o etano, o propano e o butano. O éter de petróleo tem ponto de ebulição entre 30 0C e 90 0C e é formados pôr cadeias de cinco a sete carbonos. A gasolina, um dos subprodutos mais conhecidos, tem ponto de ebulição entre 30 0C e 200 0C, é formada de uma mistura de hidrocarbonetos que possuem de cinco a 12 átomos de carbono. Para obter querosene, o ponto de ebulição fica entre 175 0C e 275 0C. Íleos mais pesados, com cadeias carbonadas de 15 a 18 carbonos, apresentam uma temperatura de ebulição entre 175 0C e 400 0C. As ceras, sólidas na temperatura ambiente, entram em ebulição em torno de 350 0C. no final do processo, resta o alcatrão, o resíduo sólido.

O processo de refino: O processo começa pela dessalinização do petróleo bruto em que são eliminados os sais minerais. Depois, o óleo é aquecido a 320 0C em fornos de fogo direto e passa para as unidades de fracionamento, onde podem ocorrer até três etapas diferentes. A etapa principal é realizada na coluna atmosférica: o petróleo aquecido é introduzido na parte inferior da coluna junto com vapor de água para facilitar a destilação. Desta coluna surgem as frações ou extrações laterais, que ainda terão de ser transformadas (5) para obter os produtos finais desejados.

Começava assim um grande negócio e mais um capítulo da história daquela que se tornaria a principal matéria prima do século XX, capaz de transformar as relações econômicas do mundo, dando impulso à industrialização e ao progresso tecnológico, diminuindo distâncias e aumentando o conforto das pessoas. O petróleo é um elemento básico para a moderna sociedade industrial. Além de fornecer o combustível usado em usinas termelétricas, constituindo portanto uma fonte de energia elétrica, com ele se fabricam vários combustíveis (gasolina, querosene, óleo) usados na indústria e nos veículos automotores. Além disso, constitui matéria prima importante para inúmeros tipos de indústrias químicas, como a de plásticos, de asfalto, de borracha sintética centenas de produtos químicos e farmacêuticos, e várias outras

 

Os Maiores Produtores Mundiais

De Petróleo ( 1989 )

 

PAÍS

 

Produção Anual

( Milhares de toneladas )

 

Ex.- União Soviética

Estados unidos

Arábia Saudita ( * )

México ( * )

China ( * )

Irã ( * )

Iraque ( * )

Venezuela ( * )

Canadá

Nigéria ( * )

Emirados Árabes Unidos ( * )

Kuwait ( * )

 

625 000

460 000

225 000

145 000

135 000

120 000

105 000

100 000

88 000

80 000

60 000

56 000

Fonte: Tabela elaborada a partir do Monthy Bulletin of Statistics, da ONU, março de 1991.

Nota: Os Estados Unidos, além de segundo produtor mundial, são o principal país importador de petróleo, sendo assim o maior consumidor. Os países indicados pôr ( * ) são os grandes exportadores mundiais desse produto. Alguns países como a China e o México aumentaram recentemente a sua produção, pois até 1980 não figuravam entre os maiores produtores mundiais. Já o Irã e o Iraque, devido que mantiveram de 1980 até 1988, produzem na atualidade bem menos petróleo que na década de 70. A produção de petróleo especialmente no Oriente Médio, região onde se encontram as maiores reservas , é instável e dependente da situação política internacional. Em agosto de 1990, pôr exemplo, o Iraque invadiu o Kuwait. Nesse ano e anos seguintes, a produção de ambos os países diminuiu, em razão do cerco econômico liberado pelos Estados Unidos e da destruição de algumas instalações petrolíferas. Deve-se ressaltar ainda que até 1991 existia a URSS e as estatísticas mundiais não separavam a produção pelas ex-repúblicas (Rússia, Kasaquistão, Ucrânia, etc.).

Para Ter uma idéia melhor do que o petróleo representa para a nossa época, pensemos no seguinte: acordamos de manhã, tomamos banho sob um chaveiro elétrico ( que normalmente é de plástico, derivado do petróleo ), vestimos a roupa ( alguns tecidos, como o náilon, são feitos a partir do petróleo ) calçamos os sapatos ( seguramente as solas tiveram petróleo como matéria-prima ) e vamos tomar café ( talvez as xícaras sejam de plástico, ou a manteigueira); saímos à rua e olhamos passas os carros ( movidos a gasolina, com dezenas de componentes fabricados a partir do petróleo ); resolvemos ouvir um pouco de música e escolhemos um disco ( que não pode ser feito sem o petróleo ) e o colocamos na aparelhagem de som ( na qual há muito plástico ).

Pôr esses exemplos, podemos perceber como estamos mergulhados numa "civilização do petróleo como esse recurso natural é importante atualmente.

Na realidade, a sociedade industrial foi construída com base na abundância e nos baixos preços do petróleo. Quando se começou a perceber que ele não é inesgotável e quando seus preços começaram a subir ( a partir de 1973 ), configurou-se a famosa crise do petróleo ou crise energética.

Quanto ao total das reservas mundiais conhecidas, há diferentes dados, fornecidos pôr organizações diversas. De acordo com alguns desses dados, o petróleo existente em nosso planeta seria suficiente apenas para os próximos trinta anos; segundo outros, mesmo deixando de lado a possibilidade de encontrar novas reservas, as atualmente conhecidas dariam para mais de cinqüenta anos de consumo. Em todo caso, uma coisa é certa: o petróleo é uma riqueza natural que existe em quantidades limitadas e que um dia se esgotará, seja daqui a vinte, quarenta ou sessenta anos. É necessário, portanto, pesquisar novas fontes de energia e novos substitutos para o petróleo como matéria-prima.

Bibliografia:

· Site da Petrobrás ® www.petrobras.com.br

· Sociedade e Espaço J. William Visentini Editora Ática

· Help Sistema de Consulta Interativa Ciência e tecnologia

Klick Editora – O Estado de São Paulo


PECUÁRIA:

Definição: Compreende a criação de gado (bovino, suíno e eqüino e etc.), aves, coelhos e abelhas.

A criação de gado bovino é a mais difundida mundialmente devido à utilidade que apresenta ao homem – força de trabalho, meio de transporte e principalmente fornecimento de carne, leite e couro. O gado bovino compreende três espécies principais: O boi comum (bos taurus), o zebu ou boi indiano (bos indians) e o búfalo (bubalus bubalis).

Finalidades: Atende a duas finalidades básicas: a pecuária de corte e a pecuária leiteira.

A pecuária de corte é a criação destinada ao abate para o fornecimento de carne, as principais raças encontradas no Brasil são: Angus, Hereford, Shorthorn , Devon e etc.(inglesas) Nelore, Gir, Guzerá (indianas) e indu – brasileiras, Red polled, Normanda, Santa Gertudes e etc. (mistas)

A pecuária leiteira é a criação destinada à produção de leite e derivados. As melhores raças surgiram também na Europa daí espalhando-se para o mundo. As principais são: Holandesa, Flamenga e Jersei.

Histórico

Introduzido no Brasil por volta de 1530 em São Vicente (S.P.), e logo após no Nordeste (Recife e Salvador), o gado bovino espalhou-se com o tempo para as diversas regiões do país da seguinte maneira:

  • de São Vicente, o gado atingiu o interior paulista (região da França) e daí dirigiu-se para as regiões Sul e Centro – Oeste.

  • do litoral nordestino, o gado se espalhou pelo Vale do São Francisco, Sertão Nordestino, região Norte (P.A.) e M.G.

A partir do séc. XIX as raças indianas (zebu) foram introduzidas na região Sudeste, principalmente em M.G. , onde adaptaram-se bem e expandiram-se. Seu cruzamento com raças nacionais de qualidade inferior, originou um gado mestiço indubrasil.

No final do séc. XIX iniciou-se a importação de raças européias selecionadas, principalmente para o Sul do país, região que permitiu boa aclimatização e grande expansão.

Importância da Pecuária no Brasil

No decorrer de sua expansão geográfica, a pecuária desempenhou importante papel no processo de povoamento do território brasileiro, sobre tudo nas regiões Nordeste (sertão) e Centro – Oeste, mas também no sul do país (Campanha Gaúcha).

O Rebanho Bovino

O gado bovino representa a principal criação do país, e apresenta como características:

  • O rebanho brasileiro é na maior parte de baixa qualidade, e portanto de baixo valor econômico;

  • A relação bovino/habitante no Brasil é muito baixa quando comparado à países Argentina, Austrália e Uruguai.

  • A idade média do gado para abate no Brasil é de 4 anos, muito elevada em relação a países como Argentina, E.U.A e Inglaterra (cerca de 2 anos)

  • O peso médio também é muito baixo ainda, 230 a 240 quilos, contra mais de 600 quilos na Argentina, E.U.A e Inglaterra.

Como conseqüência dos fatores idade e peso, ocorre que a taxa de desfrute (percentual do rebanho abatido anualmente) no Brasil é muito baixa, cerca de 15% a 20% contra 30% da média mundial e 40% dos E.U.A

A pecuária brasileira é caracterizada pelo baixo valor econômico e pelo mau aproveitamento do potencial do rebanho, resultantes principalmente de deficiências tecnológicas tais como:

  • Zootécnicas: falta de aprimoramento racial;

  • Alimentos: deficiência das pastagens (a maior parte é natural) e de rações complementares;

  • Sanitário: elevada incidência de doenças infecto-contagiosas e precária inspeção sanitária.

Principais áreas de Criação

Região Sudesteè Possui o 2º maior rebanho bovino do país distribuídos em M.G., S.P., R.J. e E.S.

Nesta região predomina a raça zebu (Nelore, Gir, Guzerá), aparecendo raças européias e mistas, destinadas tanto ao corte como a produção de leite. As principais áreas de gado de corte são:

  • SP: Alta Sorocabana (Presidente Prudente) e Alta Nordeste (Araçatuba);

  • MG: Triângulo Mineiro e Centro – Norte do estado (Monte Claros);

  • ES: Norte do estado (bacia do rio S. Mateus)

As principais áreas de gado leiteiro estão em:

  • SP: Vale do Paraíba, encosta da Mantiqueira (S. João da Boa Vista, S. José do Rio Pardo e Mococa) e região de Araras Araraquara;

  • MG: Zona da Mata, região de Belo Horizonte e Sul do estado

  • RJ: Vale do Paraíba e norte do estado

  • ES: Sul do estado (cachoeirinha de itapemirim)

A região Sudeste possui a maior bacia leiteira e a maior concentração industrial de laticínios no país, abastecendo os maiores mercados consumidores, representados por S.P., R.J. e B.H.

Região Sulè possui o 3º maior rebanho distribuído pelo R.S., P.R. e S.C.

Esta região destaca-se por possuir o rebanho que além de numeroso, é o de melhor qualidade no Brasil. O rebanho é constituído por raças européias (Hereford, Devon, Shorthorn) e conta com técnicas aprimoradas de criação e condições naturais favoráveis, como: relevo suave, pasto de melhor qualidade, clima subtropical com temperaturas mais baixas e chuvas regulares.

No Sul prevalece a pecuária de corte. A principal área de criação é a Campanha Gaúcha , onde se localizam a maior parte do rebanho e importantes frigoríficos, tais como Anglo (Pelotas), Swift (Rosário). A pecuária nesta região destina-se principalmente à obtenção de carne, couro e charque para atender ao mercado interno e externo. A pecuária leiteira é menos importante, aparecendo principalmente nas áreas:

  • RS: porção norte – nordeste , abrangendo Vacuria, Lagoa Vermelha e Vale do Jacuí;

  • SC: regiões de lagoas e Vale do Itajaí

  • PR: porção leste do estado, abrangendo as regiões de Curitiba, Castro e Ponta Grossa.

Além da pecuária bovina, a região Sul possui os maiores rebanhos nacionais de ovinos, concentrados principalmente na Campanha Gaúcha ( Uruguaiana, Alegrete, Santana do Livramento e Bagé) e de suínos, que aparecem no norte – nordeste de R.S. (Santana Rosa e Erexim), sudoeste do Paraná e no oeste catarinense ( concórdia e Chapecó), onde se localizam os principais frigoríficos como a Sadia.

Região Centro – Oeste

Possui o maior rebanho bovino do país, distribuídos por G.O., M.S., M.T. e D.F.

A pecuária do C.O. é predominantemente extensiva de corte e destinada, na maior parte, ao abastecimento de mercado paulista. Apesar de estar disseminada por toda a região, abrangendo tanto as áreas de cerrado como o pantanal, as maiores densidades de gado aparecem no sudoeste de M.T. (Chapada dos Parecia) e centro – leste (vales dos rios Cristalino e das Mortes), sudeste de G.O. e maior parte de M.S. (pantanal e centro – sul)

A maio parte do C.O., oferece boas possibilidades de expansão pecuária porque sua posição geográfica é favorável, é muito exterior, tem abundância de pastagens naturais, boa pluviosidade no verão, os preços das terras são mais acessíveis em relação aos do Sudeste e Sul e é próxima do maior centro consumidor do país. Na verdade a quantidade de cabeças vem crescendo, porém a qualidade deixa muito a desejar.

A pecuária leiteira é pouco significativa ainda; aparecendo principalmente na Porção Sudeste de Goiás (Vale do Paraíba), que abastece as regiões de Goiânia e D.F.

Região Nordeste

Possui o 4º maior rebanho bovino do país , concentrado principalmente em: B.A., M.A., C.E., P.E. e P.I.

A pecuária bovina do nordeste é predominantemente extensiva de corte. Apesar de estar difundida por toda a região, a principal área pecuarista é o Sertão.

A pecuária leiteira ocupa posição secundária e está mais concentrada no Agreste, onde se destacam duas bacias leiteiras, a bacia do Recife (Pesqueira, Cachoeirinha, Alogoinhas e Guranhum) e a de Batalha em Alagoas

A produtividade do rebanho nordestino é das mais baixas do país, tanto em carne como em leite.

Região Norte

Possui o menor rebanho bovino do país, concentrado principalmente no estado do Pará. Apesar de ser o menor, foi o que mais cresceu no último decênio.

Nesta região predomina a pecuária extensiva de corte, e as áreas tradicionais de criação correspondem aos campos naturais do:

  • Pará: Campos de Marajó, médio e baixo Amazonas.

  • Amazonas: médio Amazonas e as regiões dos rios Negro e Solimões

  • Acre: Alto Peirus e alto Jureiá

  • Amapá: Litoral

  • Rondônia: Vale do rio madeira

Nas ultimas décadas a expansão pecuária na região Norte tem sido muito grande, mesmo a custa de desmatamento indiscriminado, invasão de terras indígenas e restrição das áreas de lavoura. Essas áreas de expansão estão principalmente no leste e sudeste do Pará (Paragominas, Conceição do Araguaia), Amazonas, Rondônia e Acre.

A pecuária leiteira é muito restrita e aparece nas proximidades das capitais Belém, Manaus e etc. Esta região conta com o maior rebanho de búfalos do país, concentrados principalmente na ilha de Marajó (P.A.).