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"Viagem à Terra do Brasil" de autoria de Jean de Léry. Belo Horizonte,
Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. Da Universidade de São Paulo, 1980.
303p.
Comentário: Trata-se de uma descrição
das terras brasileiras feita por um "não-católico", um huguenote e deve ser
vista dentro da polêmica com a obra de Thevet. Afirma em seu prefácio sobre o
"Quarto continente" e critica uma cultura de manutenção de heranças dos antigos,
privilegiando a "experiência" e o testemunho ocular "Não se julgue que assim
procure condenar as ciências que se aprendem nas escolas e nos livros; não é
essa a minha intenção; mas quero apenas que jamais se aleguem razões contra a
experiência" (p. 74). Trata-se não só de uma visão revisionista das fontes
clássicas como aponta a questão climática (chuvas "fétidas" e o ar insalubre das
calmarias no Equador e a saúde das pessoas) aponta provas da redondeza da terra
(" ... só quem criou essa máquina redonda de água e terra miraculosamente
suspensa no espaço". p. 254). Muito interessante a sua não associação do
canibalismo às lendas da literatura de sua época.
"Duas Viagens ao
Brasil", de autoria de Hans Staden, Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed.
Da Universidade de São Paulo, 1974. 216p.
Comentários: O relato desse
arcabuzeiro alemão extremamente azarado, que fazia parte da expedição Diogo de
Sanabria, futuro governador da província do Rio da Prata, náufrago nas costas do
atual estado de Santa Catarina), viveu entre os nativos na vila de Cananéia
feito prisioneiro e, no Segundo Livro, sobre a terra e seus habitantes, elabora
o "Pequeno relatório verídico sobre a vida e cosntumes dos tupinambás dos quáis
(sic) fui prisioneiro". Ao contrário de Thevet, não há referências aos clássicos
(nomáximo algo do imaginário popular europeu i. e. as Amazonas, monstros
marinhos e sereias no mapa) ainda elaborou um mapa das costas do Brasil.
Publicado em 1557. "As singularidades da França Antártica", de autoria
de André Thevet. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. Da Universidade de
São Paulo, 1978. 271p.
Comentário: Trata-se de uma obra que
descreve os "antípodas", povo cuja existência era refutada durante a idade Média
e início do Renascimento (século XV), além de ser um exemplo da manutenção dos
Clássicos, principalmente geógrafos ou escritores do império romano, enquanto
fontes ou referências. Não apenas trata das terras brasileiras, mas das costas
mediterrânea (Etiópia) e ocidental da África, além do litoral sul da África. Em
face da concepção medieval de que a África e a Ásia poderiam fazer parte de uma
mesma massa de terra, sem a existência de um mar ao sul do primeiro continente
citado, mas concebendo o Oceano Índico como um grande mar fechado, a obra é de
fundamental importância na mudança de concepção da proporção entre terras e
águas no globo. Além disso trata da descrição antropológicos e etnográficos da
população da Guanabara, porém como cosmógrafo do rei Henrique II da França,
frade e dono de uma vasta cultura clássica sempre procura relacionar o fato novo
a alguma referência antiga. Sua contribuição mais interessante é a
regionalização das "Índias Ocidentais" em três partes (Capítulo
LXVI).
"O Nascimento do
Purgatório", de autoria de Jacques Le Goff, Lisboa, Editorial Estampa, 1995.
448p.
Comentário: Obra bastante conhecida
entre os historiadores e , em parte, por geógrafos. Le goff é um dos expoentes
da Nova História e sua obra trata de um elemento do "imaginário" formalizado e
criado pela Igreja no século XIII, analisando os elementos relativos ao habitat
do que seria chamado posteriormente de Purgatório. Num breve item O espaço -
é bom pensar nele trata especificamente da Geografia do Outro mundo, muito
interessante para a linha que adotamos no programa em ver a relação entre o
imaginário medieval e as representações acerca do espaço geográfico, além da
representação dessa relação sob a forma literária. Neste programa de
pós-doutorado também analisamos uma outra forma dessa relação - a
cartográfica. "Monstros, Demônios e Encantamentos no Fim da Idade Média", de autoria
de Claude Kappler, São Paulo, Martins Fontes, 1994. 485p.
Comentáris: Obra que sistematiza toda
a série de "monstros" presentes na literatura, e também, na produção geográfica
dentro da literatura e das "enciclopédias" medievais. Muito clara quanto às
fontes e inclui desenhos, e interessante quanto aos antípodas, blênios, pigmeus
e cinocéfalos, incluindo análises da presença de monstros e lugares nas obras
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