TEMAS E TESES EM GEOGRAFIA:

O MEIO TÉCNICO-CIENTÍFICO E A INFORMAÇÃO:

Uma das realidades mais extraordinárias do mundo atual é a velocidade com que são transmitidas informações entre diferentes lugares, quer estejam próximos quer distantes, fazendo deles lugares mundiais. A comunicação e a circulação de informações - dados, idéias ou decisões - ocorrem instantaneamente, no chamado tempo zero. Isso sem falar que essas informações podem chegar, ao mesmo tempo, em vários lugares. Velocidade, instantaneidade e simultaneidade são características do que chamamos de meio técnico-científico informacional.

A Em 1982, o geógrafo Milton Santos, em seu trabalho intitulado Pensando o Espaço do Homem, já alertava para o fato de que, das múltiplas denominações aplicadas ao nosso tempo, nenhuma é mais expressiva que a de período tecnológico. Dizia ele que a técnica é um intermediário entre a natureza e o homem desde os tempos mais remotos e inocentes da História. Mas, ao converter-se num objeto de elaboração científica sofisticada, acabou por subverter as relações do homem com o meio, as relações entre as classes sociais e até mesmo as relações entre as nações.

Para Milton Santos, a ciência, a tecnologia e a informação, hoje, são a base técnica da vida social, ou, em outras palavras, o meio técnico-científico informacional é um meio geográfico no qual o território inclui obrigatoriamente ciência, tecnologia e informação.

Nas últimas décadas, a revolução tecno-científica em curso se deu destacadamente no campo da microeletrônica e das telecomunicações, e ocorreu juntamente com a reestruturação da produção e do trabalho no sistema capitalista, da economia internacional e dos territórios. A alta tecnologia permitiu a crescente internacionalização da economia e a interpenetração das economias nacionais, ou seja, a interpenetração do capital, do trabalho, dos mercados e dos processos de produção baseados na informação. E, com isso, países e nações deixam de ser unidades econômicas de nossa realidade histórica.

A economia capitalista, dominante no mundo, estimula a competição econômica e força as empresas - principalmente as de grande porte - a buscarem a eficácia, gerando com isso uma sucessiva revolução do trabalho, da técnica e dos produtos. Sistemas cada vez mais aperfeiçoados de comunicação e de fluxos de informações, junto com técnicas mais racionais de distribuição, tais como empacotamento, controle de estoques e conteinerização, permitem a aceleração das atividades e da circulação de mercadorias. Bancos eletrônicos e dinheiro "de plástico" são inovações que agilizam os fluxos de dinheiro e permitem a aceleração dos negócios nos mercados financeiros e de serviços, tanto nacionais como internacionais.

A economia de mercado sempre buscou a redução das distâncias porque isso significaria redução do tempo de produção, de circulação e de consumo de mercadorias e, conseqüentemente, redução dos custos, pois, no sistema capitalista de produção, tempo é dinheiro. Grandes avanços foram feitos nesse sentido, ao longo do século XIX e na primeira metade do século XX. Eram inovações voltadas para a remoção das barreiras espaciais - uma questão "deveras geográfica" na história das sociedades capitalistas.

Foi isso que aconteceu quando surgiram as estradas de ferro, o cabo submarino, o telégrafo sem fio, o automóvel, o telefone, o rádio, o avião a jato e a televisão que, ao formarem redes técnicas de circulação e comunicação, permitiram (cada um a seu tempo e interligando-se aos demais) realizar integrações territoriais, quebrando as barreiras físicas para o transporte e para a circulação de matérias-primas, de bens produzidos, de pessoas, de idéias, de decisões e de capital. Mas nenhuma dessas inovações comprimiu tanto o espaço, acelerando o processo de integração, como as novas tecnologias da informação.

Hoje ocorre um aumento significativo na densidade das redes de circulação e de comunicação. E essas redes podem se superpor umas às outras, permitindo simultaneamente a aceleração nos processos de integração produtiva, integração de mercados, integração financeira, integração de informações. Mas, ao mesmo tempo e perversamente, geram um processo de desintegração, pelo qual países e nações são excluídos das vantagens propiciadas pela alta tecnologia da informática, como ocorre, notadamente, com nações africanas.

No entanto, a exclusão não se dá apenas em relação às nações mais pobres. Tal exclusão atinge também milhões de trabalhadores nas economias de tecnologia mais avançada. Em países desenvolvidos, máquinas inteligentes estão substituindo trabalhadores de escritórios e operários que, a cada dia, engrossam as filas dos desempregados.

Podemos então deduzir que a tecnologia é um fator importante, mas ela, por si só, não explica a História dos homens.

 

FONTES DE ENERGIA E POLUIÇÃO:

Os fluxos naturais de energia, que são utilizados há milênios, são conhecidos como fontes renováveis. Antes da Revolução Industrial, o Sol era uma das fontes de energia mais utilizadas. Ele fornecia energia para os músculos (do ser humano e dos animais empregados na tração de cargas e para mover moinhos e máquinas). Além disso, aproveitava-se a força do vento e da água - movidos também pela energia solar. A madeira, sob a forma de carvão, era igualmente utilizada desde a pré-história.

Com a Revolução Industrial, os combustíveis fósseis - como o carvão e o petróleo - começaram a ser utilizados como fontes de energia. A energia gerada pelos combustíveis fósseis é, em última instância, limitada pela geologia, pois se trata de uma fonte de energia não renovável.

A exploração dos combustíveis fósseis deu a base para o desenvolvimento da sociedade industrial, diferente de todas as sociedades anteriores, tanto na sua natureza quanto na sua escala.

No ano 2000, as fontes de produção/consumo de energia devem se distribuir aproximadamente do modo como está no esquema da página seguinte.

A principal fonte de energia da sociedade industrial é o petróleo, que representa aproximadamente 40% da energia comercial do mundo. Por causa da ameaça de esgotamento das jazidas é possível que, no início do século XXI, seu uso se modifique, passando a ser empregado mais como matéria-prima para a indústria química do que como combustível.

As reservas mundiais de carvão, ao contrário, são suficientes para atender à demanda nos próximos 250 anos, se forem mantidos os níveis de consumo atuais. Os problemas ambientais devem, no entanto, inviabilizar uma volta maciça ao seu uso.

Em 1973, os países produtores de petróleo, organizados na Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP), promoveram uma grave crise energética mundial ao dobrar o preço do barril de petróleo. Até então, os países consumidores de petróleo usavam de forma abusiva esse capital energético que a natureza havia acumulado há milhões de anos, esquecendo-se de que estavam usando uma "oferta" que a natureza não conseguiria manter indefinidamente. A crise obrigou os países consumidores a buscar novas regiões produtoras de petróleo e, ao mesmo tempo, promover campanhas de racionalização do seu uso. Normalmente as taxas de consumo de energia acompanhavam as de crescimento econômico. Mas, a partir da crise, o exemplo da Alemanha Ocidental é sugestivo: entre 1974-1985, enquanto o seu consumo de energia aumentou apenas 3%, o PIB alemão cresceu 17,5%, o que mostra a eficiência das suas políticas de uso mais racional de energia.

Para os países em desenvolvimento, a crise energética revelou-se mais grave porque foi acompanhada por uma desvalorização das matérias-primas: em 1975 o preço de uma tonelada de cobre equivalia ao de 115 barris de petróleo; em 1982 a equivalência baixou para 57 barris.

Embora os preços do petróleo tenham diminuído na década de 1980, não voltaram mais aos níveis anteriores a 1974, o que mudou profundamente a situação energética mundial. A crise dos preços estimulou o desenvolvimento de novas tecnologias que possibilitaram obter mais petróleo nos poços que estavam em produção e recuperar áreas já consideradas esgotadas. Porém, se continuarmos a consumir petróleo no ritmo atual, as reservas mundiais deverão esgotar-se nos próximos cinqüenta anos.

Antes que a OPEP deflagrasse a crise do petróleo, o terço mais pobre da população mundial já enfrentava outra crise energética. Aproximadamente 2 bilhões de habitantes dos países em desenvolvimento dependem da lenha como combustível para cozinhar ou para aquecimento. Como há um descompasso entre a velocidade do consumo da floresta e o tempo necessário para as árvores crescerem, a obtenção de lenha torna-se cada vez mais difícil. O aumento da população nessas regiões torna o problema ainda mais grave. Não se trata de um problema de ignorância: é um trágico problema de sobrevivência. As populações mais pobres, dos países subdesenvolvidos, são obrigadas a destruir os meios de vida do futuro para dispor do necessário no presente. O quadro se torna ainda mais grave porque o desmatamento traz uma série de problemas ambientais: desaparece o "efeito esponja" da floresta, o que significa que os solos ficam expostos diretamente à ação das chuvas; aumenta o escoamento superficial; modifica-se definitivamente a biodiversidade.

Outras razões significativas para a diminuição das florestas - especialmente das florestas tropicais - são a demanda de terras para o cultivo e o desmatamento para a obtenção de madeiras nobres. Os deslocamentos da população em direção às fronteiras agrícolas em busca de terras e a atuação das empresas madeireiras, em busca do lucro imediato, têm provocado a rápida redução das florestas tropicais úmidas. Estima-se em 12 milhões de hectares a área desmatada a cada ano. Se o desmatamento mantiver esse ritmo é possível que, no ano 2050, essa formação florestal esteja praticament