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Conteúdo do Segundo Bimestre
ÉTICA
Uma das grandes preocupações da contemporaneidade
é o agir humano. Qual é a melhor maneira de agir? Há critérios
predeterminados que orientam as ações humanas? Nas relações
cotidianas dos homens, surgem continuamente vários problemas.
Como agir diante deles? Estes questionamentos se fazem presentes
em nosso cotidiano, seja pelos meios de comunicação, seja
pelas relações sociais.
Esses problemas levantados ocorrem nas relações
efetivas das pessoas. Em alguns momentos, as decisões tomadas
dizem respeito somente à pessoa envolvida, mas, em outras
situações, as conseqüências de determinadas decisões enviem
várias pessoas. Naturalmente que, perante a sua consciência
moral, cada pessoa é responsável pelo que faz. Porém, nenhum
ato moral é isolado, pois exige o respeito para com o outro.
Nesse sentido, é imprescindível que nas
relações dos homens existam normas que norteiem o seu comportamento.
De acordo com as normas estabelecidas, aprendemos a agir desta
ou daquela maneira. Desde a mais tenra idade, padrões de comportamento
são estabelecidos para ensinar às pessoas determinados valores:
como se portar à mesa, como agir diante de estranhos; conceitos
de beleza; direitos e deveres de cada um. De acordo com a
maneira de agir de cada um, obedecendo aos padrões estabelecidos
ou transgredindo-os, a sua conduta é avaliada como boa ou
má, justa ou injusta. Assim, desde as mais antigas sociedades,
valores foram construídos de acordo com o momento histórico
vivido.
Nas comunidades primitivas, por exemplo,
o mundo hostil e desafiador que se apresentava ao homem precisava
ser dominado para que ele pudesse produzir a sua sobrevivência
de forma mais eficiente. Porém, suas necessidades só poderiam
ser supridas mediante o trabalho coletivo. Foi, portanto,
a partir das relações, atitudes e qualidades dos homens que
apareceram várias normas orais, dando origem à moral, para
ajustar o comporta-mento de cada membro do grupo aos interesses
da coletividade.
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A necessidade
de ajustar o comportamento de cada membro do grupo aos
interesses da coletividade leva a que se considere como
bom e proveitoso tudo aquilo que contribui para reforçar
a união ou a atividade comum e, ao contrário, que se
veja como mau ou perigoso o oposto. (...) Estabelece-se,
assim, uma linha divisória entre o que é bom e o que
é mau, uma espécie de tábua de deveres e obrigações
baseada naquilo que se considera bom ou útil para a
comunidade. Destaca-se assim uma série de deveres: todos
são obrigados a trabalhar, a lutar contra os inimigos
da tribo, etc. Estas obrigações comuns comportam o desenvolvimento
das qualidades morais relativas aos interesses da coletividade:
solidariedade, ajuda mútua, disciplina, amor aos filhos
da mesma tribo, etc.
VAZQUES, Adolfo S. Ética. 16. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
1996. p. 28.
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Toda cultura estabelece uma moral, isto
é, valores referentes ao que é bom e ao que é mau para todos
os membros do grupo. De acordo com as relações construídas
e as condições em que o homem vive (família, classe social,
situação política, trabalho, etc.), ele herda costumes e comportamentos
para serem respeitados e reproduzidos. Assim, nas suas relações,
ele constrói vários tipos de valores, como estéticos, religiosos,
econômicos, morais. Porém, diante da reflexão que estamos
fazendo, interessam-nos os valores morais.
A palavra moral vem do latim (mos, moris),
que significa costume, no sentido de conjunto de normas adquiridas
por hábito; ou ainda moralis, morale, relativo aos costumes.
Nesse sentido, podemos então dizer que moral é um conjunto
de regras, costumes e valores de conduta, específicos de uma
sociedade, em uma determinada época.
Contudo, ela não se limita a reproduzir
os valores herdados de tradição. medida que o homem desenvolve
o seu espírito critico, especialmente na adolescência, a tendência
é questionar os valores herdados. A moral é um conjunto de
normas que determina o comportamento dos homens. Entretanto,
através da consciência e da liberdade ela pode ou não ser
aceita
Devido a sua historicidade, o homem não
se resume apenas em reproduzir e perpetuar valores no tempo.
Por meio de suas experiências vividas, ele também pode descobrir
que determinadas normas, necessárias a um determinado momento,
precisam ser superadas. Porém, não se pode perder de vista
que a consciência, a liberdade, e a responsabilidade são indispensáveis
as ações humanas. O individuo como ser social, mesmo tomando
atitudes individuais, pode atingir os interesses sociais.
| ...têm caráter moral somente os
atos dos indivíduos enquanto seres conscientes, livres
e responsáveis, ou também os atos coletivos, enquanto
forem planejados em conjunto e realizados conscientemente
em conjunto por diferentes indivíduos. Assim, o verdadeiro
agente moral é o indivíduo, mas o indivíduo como ser social |
Disso decorre que a realização
da moral é uma tarefa individual, mas, por sua vez, dada a
natureza social do indivíduo, não é um assunto meramente individual.
Entre outras razões, porque os princípios junto com
as normas que determinam o seu comportamento moral
correspondem a necessidades e interesses sociais.
Op. cit. p. 184.
FILOSOFIA MORAL:
ÉTICA
Moral e ética são dois termos usados com
muita freqüência em nosso cotidiano. Algumas pessoas, por
exemplo, costumam fazer referência à ética profissional, atitude
ética, moral, amoral, imoral, mas nem sempre conseguem distinguir
seus significados.
Vimos anteriormente que moral (costumes)
é o conjunto de normas de conduta seguidas pelos homens. Se,
na experiência vivida, se estabelece à norma de "não
matar", e alguém não a respeita, esta atitude de será
imoral. Portanto, um ato será moral ou imoral, se tiver ou
não de acordo com a norma estabelecida. Um ato imoral
será aquele que não considera as regras estabelecidas, nega
a moral e é norteado pelo imediatismo, por decisões momentâneas,
sem considerar os valores.
Qual é a diferença entre ética e moral?
Quando alguém pergunta: o que é ética? Muita gente sabe o
que é, mas considera difícil explicar. Embora moral e ética
possuam conceitos diferentes, freqüentemente são usadas como
sinônimos. Aliás, a etimologia dos termos é muito semelhante.
Assim como moral, que vem do latim, significa costume, ética,
que vem do grego, ethos, também significa costume.
Porém, não podemos deixar de mencionar que
a palavra ethos sofre uma variação. A vogal e, em grego, pode
ser representada por duas vogais: epsílon e eta. Neste sentido,
quando a palavra ethos é escrita com eta (chamada de vogal
longa), significa costume; e quando escrita com epsílon (chamada
de vogal breve), significa caráter. Sendo assim a ética enquanto
caráter, significa a convicção pessoal de cada um no que diz
respeito à virtude e aos vícios que o homem é capaz de praticar.
Esse caminho de análise nos remete ao fundador
da ética ocidental: Sócrates. Muitos séculos depois
da sua morte, foi assim considerado, porque sua ética não
se baseava apenas nos costumes do povo e dos seus antepassados,
mas também nos sentimentos, nas condutas e nas atitudes individuais,
isto é, no caráter. Essas posturas individuais é que levam
alguém a respeitar ou transgredir os valores da cidade.
Sócrates (...) a sua ética (...)
não se baseava simplesmente nos costumes do povo e dos ancestrais,
assim como as leis exteriores, mas, sim, na convicção pessoal,
adquirida através de um processo de consulta ao seu demônio
interior (como ele dizia), na tentativa de compreender
ã justiça das leis.
VALLS, Álvaro. O que é ética. São Paulo:
Brasiliense, 1996. p. 17.
Sócrates nasceu em Atenas (469 399
a.C.). Era filho de um escultor e de uma parteira. Nas ruas,
ginásios e praças públicas, discutia com os atenienses, procurando
questionar sobre os valores que lhes haviam ensinado. Perguntava
às pessoas sobre moral, virtude, amizade, amor e coragem.
Ao encaminhar a discussão, percebia que elas não conseguiam
aprofundar tais conhecimentos, pois discutiam a partir de
simples opiniões, reproduzindo o que lhes haviam ensinado
desde a infância.
Ele pretendia que seu interlocutor chegasse
à essência das coisas pela definição. Pelo método da ironia,
que em geral significa simulação, pretendia que seu interlocutor
descobrisse a sua própria ignorância. Através da maiêutica
("relativo ao parto), segunda parte do seu
método, pretendia chegar ao nascimento de novas idéias. Com
essa forma de inquirir as pessoas, Sócrates atraiu muitos
amigos que se tornaram seus discípulos, mas também conseguiu
rancorosos inimigos. Sentindo-se ameaçados, condenaram o filósofo
à morte sob acusação de subversão por corromper a juventude
ateniense e de não acreditar nos deuses da cidade. Enquanto
conversava com seus discípulos sobre a imortalidade da alma,
aguardava a sua sentença de morte: um cálice de cicuta.
Sócrates incomodava os atenienses ao indagar
sobre a sua origem e a essência das virtudes que acreditavam
praticar ao seguirem os costumes. Questionava como e por que
os gregos sabiam que uma conduta era boa ou má, virtuosa ou
repleta de vícios.
Para os gregos, virtude é areté,
que significa aquilo que torna uma coisa boa e perfeita naquilo
que é. Falavam da virtude de vários elementos, como a dos
animais, a dos homens, a das plantas, etc. Por exemplo, a
virtude do cachorro é ser um bom guardião. Sendo assim, a
virtude do homem é possuir uma alma (segundo Sócrates, alma
é á consciência e a personalidade intelectual e moral) boa
e perfeita, de acordo com o que a natureza determina que seja.
Portanto, os verdadeiros valores são aqueles ligados aos da
alma, que são o conhecimento ou a ciência. Os viários, ou
virtude viciosa, seriam a privação do conhecimento ou da ciência,
isto é, a ignorância. Somente o ignorante é vicioso e incapaz
de virtude, 'pois quem sabe o que é o bem sempre agirá virtuosamente;
e aquele que não segue o bem é porque não o conhece.
Sendo assim, só pode ser considerado um
sujeito ético aquele que tem discernimento; sabe definir o
que as coisas são e descobre a sua essência; conhece as causas
e os fins das suas atitudes. Por isso, podemos dizer que Sócrates
é o fundador da ética ou filosofia moral, pois deixa claro
em que sentido devem caminhar os valores e as obrigações morais.
POR UMA DEFINIÇÃO
DE ÉTICA
Pelo que até aqui abordamos, não podemos
confundir ética com moral, pois a ética não cria a moral,
mesmo porque não é ela que estabelece as normas de comportamento
de um grupo humano. Na verdade, ela determina a essência da
moral, a partir das práticas morais já existentes, fundamentando-se
nas idéias de bem e virtude enquanto valores morais a serem
alcançados pelo homem.
A ética é a teoria ou ciência do
comportamento moral dos homens em sociedade. Ou seja, é ciência
de umas forma específica de comportamento humano.
VAZQUEZ, Adolfo 8, Op. Cit. p. 12.
Nesse sentido, a ética se opõe à concepção
tradicional a ela atribuída, enquanto um capítulo da Filosofia
meramente especulativo que não considera a ciência e está
dissociado da vida real. Por esse motivo, ela se ocupa em
estudar os tipos de fenômenos morais que fazem parte da vida
concreta dos homens, sem, no entanto, absolutizá-los, mas
concretizá-los nas condições reais de existência do homem.
A ÉTICA HOJE
"... hoje em dia, os grandes problemas
éticos se encontram nestes (...) momentos da eticidade (família,
sociedade civil (...)), e uma ética concreta não pode ignorá-los.
1) Em relação à família, hoje se colocam,
de maneira muito aguda, as questões das exigências éticas
do amor. O amor não tem de ser livre? O que dizer então da
noção tradicional do amor livre? Ele é realmente livre? E
como definir, hoje, o que seja a verdadeira fidelidade, sem
identificá-la com formas criticáveis de possessividade masculina
ou feminina? Como fundamentar, a partir dos progressos das
ciências humanas, os compromissos do amor, como se expressam
na resolução (no sim) matrimonial? E como desenvolver uma
nova ética para as novas formas de relacionamento heterossexual?
E como fundamentar hoje as preferências por formas de vida
celibatária, casta ou homossexual?
As transformações histórico-sociais exigem
hoje igual-mente reformulações nas doutrinas tradicionais
éticas sobre o relacionamento dos pais com os filhos. Novos
problemas surgiram com a presença maior da escola e dos meios
de comunicação na vida diária dos filhos. As figuras tradicionais,
paterna e materna, não exigem hoje uma nova reflexão sobre
os direitos e os deveres dos pais e dos filhos?
Em especial, a reflexão sobre a dominação
das chamadas minorias sociais chamou a ateio para a necessidade
de novas formas de relacionamento dentro do próprio casal.
O feminismo, ou a luta pela libertação da mulher, traz em
si exigências éticas, que até agora ainda não encontraram
(talvez) as formulações adequadas, justas e fortes. A libertação
da mulher, como a libertação de todos os grupos oprimidos,
é uma exigida ética das mais atuais. E, como lembra Paulo
Freire, em sua Pedagogia do Oprimido, a libertação não se
dá pela simples troca de papel: a libertação da mulher liberta
igualmente o homem.
VALLS, Álvaro L. M. O que é Ética. São Paulo,
Brasiliense, 1996 p. 71-72.
LEIA ATENTAMENTE
O TEXTO E RESPONDA
1. O texto afirma que as transformações
histórico-sociais exigem hoje reformulações nas doutrinas
tradicionais éticas sobre o relacionamento dos pais com os
filhos.
A partir de uma conversa com os seus pais,
procure detectar que reformulações éticas poderiam ocorrer
na relação entre pais e filhos.
2. Explique por que o texto afirma que a
libertação da mulher, como a de todos os grupos oprimidos,
é uma exigência ética.
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