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EDITORIAL

Quando se construiu a barragem do Funcho, muitos, em particular os residentes e comerciantes da baixa de Silves, pensaram que finalmente o pesadelo das inundações era uma questão do passado.

Na verdade, desde 1995 que essa preocupação se havia dissipado da mente destas pessoas. A barragem do Arade foi esvaziada e, mesmo que chovesse muito, estávamos a salvo, pensava o povo. Mas, isto das forças da natureza tem muito que se lhe diga. Bastou um Inverno mais chuvoso e o cenário alterou-se radicalmente. As barragens encheram até ao limite. Ainda assim, o optimismo era grande. Temos água para dois anos, pensavam os agricultores relativamente à barragem do Arade e descansavam as entidades responsáveis pela administração da barragem do Funcho, que, assim, não teriam problemas de abastecimento de água para os concelhos que se comprometeram abastecer.

A verdade, é que estávamos todos enganados. A água voltou a não respeitar os limites do leito do rio Arade.

A culpa será de quem?!

Da construção na bacia hidrográfica, invadindo o território da água?

Do facto das barragens estarem na sua cota máxima?

Da falha de comunicação entre os diferentes organismos que administram as barragens?

Do desassoreamento do rio que tarda e agrava o problema?

Ou da providência divina, zangada com os homens?

O mais certo, é não pudermos ficar descansados. As cheias são fenómenos naturais que atraiçoam os melhores cálculos e aquilo que pensávamos ser a resolução do problema pode constituir um perigo suplementar.

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