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Nasceu em Lisboa há 20 anos, mas passou quase toda a sua vida em Silves e foi na Escola Secundária desta cidade que descobriu o gosto por aquilo que hoje lhe é tão caro: a Poesia.
«Conheci uma pessoa na minha Universidade - a Cecília Barreiro -, que viu o meu trabalho, interessou-se e gostou. Levou-o para a Editora Universitária e acharam que valia a pena fazer essa aposta». Com um brilhozinho nos olhos, mas sempre serena, Marina revela-nos o seu processo criativo. Escreve em casa, nas aulas, qualquer lugar lhe serve para pôr no papel as emoções e diz que sempre que faz um poema, o faz «de choque», porque sente «alguma coisa um bocado forte» e escreve. Mas não é só desta forma que trabalha. «Gosto de escrever como um exercício, gosto de sentir essa pressão. Eu tive aulas com a professora Esmeralda Alves (na Escola Secundária de Silves) e ela dizia: "Agora faz um poema sobre uma porta" e apanhava-me, assim, de surpresa. Gosto de conseguir abstrair-me daquilo que tenho à volta e criar um ambiente, que é o poema», conta. E afirma que não é «daqueles escritores que dizem: "Escrevo e nunca mais mexo", porque sempre que lê um poema, acha que «há qualquer coisa que se pode ajeitar e ficar melhor», pois já o lê «com outra experiência, com outros olhos». Por isso, muito poucos dos textos que escreve ficam como foram escritos pela primeira vez. Quanto a influências, vai apontando algumas, mas com reticências, porque, diz, «a minha Poesia não se prende a correntes , nem a autores». Gosta de Virgílio Ferreira e sente que foi buscar um pouco a Luísa Neto Jorge e a Al Berto, mas essa influência fica apenas pela reflexão, que depois espelha no que escreve e não na forma, ou no estilo. Considera que a sua redacção é «muito experimental» e, também, por isso, o livro tem o nome de "Cais de Embarque". «É o embarque para mim, porque é o início e é o embarque, porque os meus poemas têm uma característica: não prendem as pessoas; são um ponto de partida, tanto em termos do assunto, do ambiente que criam, que depois pode levar à nostalgia, ao pensamento, à reflexão, como em termos de leitura», refere e salienta: «Vários poemas não têm pontuação, porque isso fica a cargo do leitor e há outros que são construídos de forma a poderem ser lidos de várias maneiras. São bastante curtos, porque têm de ser mais incisivos do que extensos, para não se perder a intensidade da mensagem». Também conta que começou a escrever «umas rimas» no 2° Ciclo, quando teve de fazer um postal de Natal na disciplina de Trabalhos Manuais. Mas rapidamente a Poesia e a escrita passaram a ocupar um papel fundamental na sua vida. «Eu moro no campo e a Poesia tornou-se uma maneira de estar com as pessoas, de absorver esses conhecimentos que elas me davam e, ao mesmo tempo, de estar comigo mesma. Não é bem uma paixão... É mais uma maneira de estar. Escrever tornou-se uma forma de observação da realidade, um escape, uma filosofia própria... Acho que se tornou isso, uma filosofia própria de vida», assegura-nos, com uma tranquilidade e uma confiança, que nos fazem pensar que esta jovem não pode ter apenas 20 anos. Talvez por isso, para ela um poeta é alguém que «busca paz consigo mesmo, busca uma maneira de se definir, de se encontrar» e a Poesia (e a Literatura em geral) é o caminho ideal para isso, pois «busca uma forma de auto-conhecimento e de absorção da realidade, uma maneira de perceber como o mundo funciona». Entretanto, Marina Vale de Lobos tem já outros projectos: está a preparar uma Gramática de Latim e um novo livro, que já tem nome - PROESIA ou Partituras de Um Ser -, ainda mais experimental que este primeiro, porque visa dissolver a prosa na Poesia. Deve sair daqui a um ano, já que neste próximo mês de Fevereiro a autora parte para Itália, onde vai estudar durante seis meses com uma bolsa do Projecto Erasmus. Sandra Moreira
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