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Eng° Sousa Ribeiro, Vereador do Ambiente

O Ambiente no Concelho


 

 

Cada vez mais, os cidadãos têm consciência de uma série de problemas de natureza ambiental e que são, em grande medida, responsabilidade das autarquias. No concelho de Silves existem várias situações ligadas ao tratamento dos esgotos, ao funcionamento das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETARs), aos espaços verdes, que preocupam os mais atentos.
O GRÉS quis saber o que está a ser feito pela Câmara e o que pensa o Vereador responsável pelo pelouro do Ambiente, o Eng. Sousa Ribeiro.

 

O GRÉS - No Largo da República, em Silves, foram retiradas árvores, há algum tempo. Sabemos que houve queixas de pessoas que tinham alergias e asma, mas, na altura, constou-se que o jardim iria sofrer uma remodelação maior...

Sousa Ribeiro - É verdade. Realmente, aquela limpeza que se fez no jardim teve a intenção de retirar os choupos, que estariam a provocar, sobretudo, alergias. Depois, fizemos a limpeza da sebe, porque pensamos que contribui, para uma maior segurança, principalmente durante a noite. E tudo isto, tendo em vista um projecto novo para a remodelação integral, que está em vias de ser entregue à Câmara..

G - A que corresponde o projecto?

SR - Corresponde a pôr dois quiosques (isto em linhas gerais!) e, provavelmente, um coreto ao centro do próprio jardim.

G - Entretanto, não pensam modificar nada no actual estado do jardim, nos canteiros?

SR - Estamos, realmente, à espera do projecto, porque o arranjo desses canteiros poderá, já, obedecer-lhe, em parte. Não fará muito sentido agora estar a remodelar canteiros, que, no futuro, poderão vir a desaparecer.

G - Um dos quiosques que lá estava já foi retirado. Tem alguma coisa a ver com esta remodelação?

SR - A pessoa que o estaria a explorar deixou de o fazer e tem já a ver com essa questão, uma vez que, naquela zona central, não haverá quiosques.

G - Aquele que lá está, de alvenaria, também vai ser retirado?

SR - É possível que transite para uma das extremidades do jardim.

G - No jardim também existe um problema de fuga de água, no lago.

SR - Cada vez mais, temos que ter atenção aos consumos de água desnecessária. Naquele jardim, todas as infra-estruturas estão perfeitamente obsoletas, a drenagem das águas está obstruída pelas raízes das árvores. O que quer dizer que, quando se fizer a remodelação, a rede de águas pluviais terá de ser totalmente substituída, de forma a que seja uma rede de drenagem e não de entupimento. Isto, se o projecto contemplar um ponto de água.

G - À volta de Silves (na zona entre a cidade e o Enxerim) está a haver um grande crescimento urbano. Certamente, haverá muitas pressões no sentido de utilizar todo o espaço disponível para construção. Está já planeada, para esses locais, a criação de zonas verdes?

SR - Está prevista. Irá surgir uma via circundante da cidade e irão crescer e nascer outras zonas ajardinadas. Especificamente um projecto para essa área, não há; esse projecto será feito à medida que for feito o projecto viário, com as rotundas que irão aparecer e, sobretudo, há que haver muita atenção à questão da rega e do consumo. Essa é uma preocupação que todo o executivo tem e, nos projectos futuros, pensamos poder vir a utilizar ou águas residuais tratadas (como já acontece nos campos de golfe e em outros) ou água de captação própria exclusivamente para rega. De qualquer forma, temos previsto o Jardim Botânico, que ocupará uma parte da encosta do Castelo. Faz parte do Plano de Actividades. A Câmara também fez a adjudicação de um projecto e está à espera de candidatura para ele, para o poder pôr em execução.

G - Em relação aos espaços de lazer, nomeadamente espaços para fazer skate e actividades semelhantes, há algum projecto para a criação de locais destes?

SR - Estaria, também, prevista a realização de um parque radical para os mais jovens. Penso que faz parte, mesmo, do Plano de Actividades, mas a área ainda não está definida, embora se pense que poderá ficar entre a Fissul e o Parque Municipal, logo a seguir às Piscinas Municipais.

G - Em relação a Armação de Pêra, persistem os problemas causados pela necessidade de abrir a ribeira de Alcantarilha, para a drenar. Como é que se pensa resolver de forma definitiva esta situação?

SR - Um dos objectivos da Câmara seria a construção da Marina de Armação de Pêra, que viria regularizar toda essa situação. A ribeira estaria aberta. A Marina seria desenvolvida junto à foz e seria resolvida essa questão. Assim, não temos, ainda, outro tipo de solução para aquele problema, a não ser ter uma atenção redobrada. Como sabemos, quando chove, o nível das águas aumenta na ribeira e dentro de Armação de Pêra, porque as águas pluviais drenam para dentro da ribeira e, se a pluviosidade for elevada, há o perigo de não poderem escoar. Em dias de chuva, temos que abrir a ribeira, para escoar rapidamente as águas, de forma a que não haja as inundações que, infelizmente, já houve no passado.

G - Na zona do Algoz, algumas zonas têm tido problemas com o escoamento das águas pluviais e residuais.

SR - Não é só no Algoz! O que acontece é o seguinte: antigamente, as redes de águas pluviais e residuais, os esgotos, não eram separadas, tudo corria nas mesmas condutas. Muitas habitações ainda têm as águas das chuvas dos quintais ligadas aos esgotos, o que faz com que, quando há aumento de pluviosidade, essas águas vão entrar na rede de águas residuais e aumentar o volume. Como as condutas não comportam esse aumento, as tampas das caixas saltam e os esgotos vêm para a rua. Por outro lado, no Algoz também há algumas ligações de esgotos directamente para o ribeiro. Nós já fizemos uma inspecção, na parte em que ele é coberto, para verificar as ligações clandestinas e chamar a atenção dos proprietários que terão de fazer as ligações aos colectores municipais, de forma a que não haja contaminação das águas do ribeiro. Mas este problema surge um pouco por todo o concelho. É uma situação difícil, porque nem sempre se detecta quem é que está ligado.

G - A ETAR de Silves parece não dar resposta às necessidades da cidade.

SR - Realmente, a ETAR de Silves tem um deficiente funcionamento. As funções para que foi construída não estão a ser conseguidas, por duas ordens de razões: primeiro, porque está subdimensionada para a população que hoje em dia já há; segundo: hoje, as normas exigem que o tratamento das ETARs que servem populações superiores a 2 mil habitantes tenham tratamento terciário. Daí, haver uma dupla necessidade de fazer uma nova ETAR.

G - Então, vão ser feitas obras na ETAR?

SR - Em devido tempo, foi feito um projecto para esta ETAR, foi lançado um concurso e já foi feita a consignação da obra e, ainda este mês, vai iniciar-se, com a montagem do estaleiro. A construção vai desenrolar-se durante, salvo erro, seis meses. Vai ser feita a remodelação completa da ETAR.

G - Esta obra atinge que valores?

SR - É uma obra que ronda os 220 mil contos. Há um outro sistema de esgotos na proximidade, Vale de Lama, para o qual também já foi elaborado um projecto que engloba, não só a execução dos colectores para as águas residuais, como a ampliação do abastecimento da água potável e a pavimentação do arruamento, para servir toda a zona de Vale de Lama e Falacho.

G - Há outras situações semelhantes no concelho?

SR - Em Messines, a ETAR estava perfeitamente desactivada e abandonada quando este executivo entrou em funções. Basta dizer que não se conseguia entrar no seu espaço, dada a vegetação que lá existia! A Câmara, procedeu à limpeza e à recuperação de algum equipamento mecânico e eléctrico, mas verificou-se que esta não tem capacidade para funcionar, porque o caudal que ali chega é nitidamente superior àquele para a qual foi projectada. Portanto, há um projecto, também para a execução de uma nova ETAR, para o qual abrimos concurso e já recebemos duas propostas. Estamos na fase da análise para adjudicação. Pensamos que, dentro de pouco tempo se poderão iniciar as obras, cujo prazo de execução ronda os quatro meses.

G - A Câmara tem outros projectos para a melhoria das redes de saneamento básico no concelho?

SR - Vamos levar os colectores a zonas como a do Alvalete, da Aldeia de Tunes, das Ferreirinhas e do Sobrado, o que nós chamamos o sistema Algoz-Tunes. Também já foi aprovada, em reunião de Câmara, a abertura de um concurso público, cujo valor ronda os 180 mil contos. Faltará apenas um sistema, a ETAR de São Marcos da Serra, que é fundamental. É muito importante que se faça.

G - O que está previsto nesse caso?

SR - Neste momento, houve uma alteração do projecto inicial, que previa o atravessamento da ribeira de Odelouca em dois pontos: um deles vai continuar, porque nos parece o atravessamento mais apropriado (sobre a ponte); o outro era muito complicado. A segurança, numa cheia, seria posta em causa. A alteração foi feita, foi já aprovada pela Direcção Regional do Ambiente e pela Câmara e, portanto, quando tivermos o novo caderno de encargos pronto, faremos a abertura do concurso.

G - E em relação à iluminação pública?

SR - Nós temos vindo a colocar numerosos pontos de luz pelo concelho, com comparticipação nossa e da EDP, tendo em vista a melhoria, até, das condições de segurança. Temos feito modificações nas electrificações públicas, como é o caso da avenida em Silves, que nós é que pagámos, bem como em algumas ruas de Messines. Também estamos a aumentar a potência de algumas iluminações, quase com o mesmo consumo de energia. Por isso, é que se está a mudar muito para as lâmpadas amarelas. Umas são de mercúrio (as brancas), outras são de sódio (as amarelas). Uma de 70w, amarela, dá quase a mesma intensidade luminosa que uma de 100w das outras, brancas. Assim, podemos aumentar a intensidade luminosa, não aumentando grandemente o consumo de energia eléctrica.

Carlos Marques
Sandra Moreira

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