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Livro do Mês

Cais de Embarque

Marina Vale de Lobos
Universitária Poesia
Preço: 1000$00

Cais de Embarque, obra poética de Marina Vale de Lobos, é o reflexo do pensamento inovador na forma de sentir o feminino.

O seu título convida-nos a uma viagem e somos levados pela corrente da leitura, como se cada poema fosse um pequeno porto, por onde o leitor entra de corpo e alma. Atravessamos o mar da sua poesia, lançamo-nos à conquista da palavra e... acabamos por encontrar o que pode ser a poesia do corpo. Aí onde as palavras se cravam num ímpeto telúrico e se desenham como arado lavrando a terra.

Há na voz poética um encanto arterial de azul como se fosse preciso dar vida às palavras, possantes e desejosas de serem amadas. Caberá ao leitor o prazer de reanimar cada palavra na descoberta de outros olhares; e são vivências e cores, sabores e cheiros que nos conduzem do primeiro ao último texto. Prendem-nos pelas imagens que constroem, pelos sonhos que transportam e espalham-se como sedoso coral depositado nas areias da sua poesia.

Como feiticeiras, as palavras acompanham o olhar na depuração das sensações, até porque... ler poesia é um jogo entre o que fica dito e o renascer de outras palavras, maneiras outras de sentir cada uma. E só nesta alquimia da palavra existirá trabalho poético.

Lídia Jorge, escritora algarvia , que bem conhecemos na praça das letras portuguesas, apresenta os poemas de Marina Vale de Lobos como "se nascidos sem tempo e sem data, inteiros, na transfiguração plena que alcançam ao juntar o que é da vida táctil e o que é da alma". Da jovem escritora diz ainda que "merece entrar na roda dos dialogantes válidos que constroem a comunidade invisível dos poetas de água funda de que ela, sem saber, faz parte.

O poema Infância, classificou-o Lídia Jorge como auto- epígrafe; acrescentaria auto-retrato quer pela energia e sonho quer pela gradação de que se revestem os verbos "brinca", "esvoaça" e "cresce"(1) e que representam o universo de uma jovem que faz do seu dia a dia um cais de embarque.

Cada um dos seus poemas transfigura uma realidade profundamente sentida pelo sujeito poético.

A riqueza lúdica e a singular força como a exprime perturba, arrebata e anuncia a poesia viva; qual sinal dos ventos do século XXI. Atrever-me-ia a afirmar que há sensibilidade extremada de artesã no burilar da construção poética.

Por último, um convite a todos a mergulhar nas profundas águas do pensamento desta jovem escritora, para quem a poesia ganha formas e cores e cheiros por ser, ela própria um Cais de embarque para os sentidos.

Esmeralda Alves

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