A
palavra Maçonaria é
de origem francesa (Maçonnerie) e seu membro é chamado de Maçon,
Maçom, ou pela forma aportuguesada mação. No Brasil, o Maçom é
chamado também de
"livre-pensador".
Maçom
quer dizer pedreiro, membro da Maçonaria, chamado também
de pedreiro-livre, do francês franc-maçon
ou do inglês free-mason, nome
dado aos construtores e
artesãos que não
eram subordinados aos feudos.
A
origem da Maçonaria é, sem dúvida, a corporação de ofício da Idade Média,
tanto que é ela, em seu estudo histórico, dividida em Maçonaria
Operativa e Maçonaria Especulativa.
A
Maçonaria Operativa, oriunda remotamente dos colégios de artesãos
romanos, floresceu na Idade Média junto às grandes Catedrais,
preservando a Arte da Construção.
Já nessa época, por motivos profissionais,
procuravam guardar em segredo suas
atividades artesanais,
criando sinais de reconhecimento entre si. Os maçons operativos se
reuniam em "Lojas", que faziam às vezes de depósito, junto às
construções, aparecendo o termo "Loja" a partir do século
XIII.
A
Maçonaria Especulativa começa a emergir a partir da decadência das
grandes construções da
Idade Média, quando, então, começam a ser aceitos
nas corporações
de ofício,
não apenas profissionais, não apenas elementos aptos na arte de
construir, mas
hermetistas, filósofos,
cientistas e outros pensadores. Provavelmente,
o primeiro maçom
aceito ( John Boswell ) o foi
em 1600, na Loja da Capela de Santa Maria em Edimburgo, Escócia.
A partir do século XVII, recrudesceu e proliferou as Lojas dos Maçons Aceitos.
Já
no início do século XVIII era grande o número de Lojas compostas apenas
pelos Maçons Aceitos, quando se reuniram quatro delas,
em Londres, formando a
primeira Grande Loja, aos 24 de junho de 1717; ficando esta data
institucionalizada como a da fundação da Maçonaria Moderna, da forma
que hoje a entendemos. Foi
justamente o
ingresso dos
Maçons Aceitos,
muitos deles egressos de grupos hermetistas e filosóficos,
o que
dá a impressão a muitos
da milenaridade da Maçonaria, posto que eles trouxeram para seu seio
motivos de diversas correntes filosóficas,
herméticas, religiosas,
enfim, de todo caráter
do pensamento humano cuja origem é efetivamente milenar.
Os
objetivos da Maçonaria podem ser conhecidos por
qualquer pessoa,
basta ler
os seus princípios, constantes da Constituição do Grande Oriente
do Brasil,
regularmente inscrita
em Cartório de Registro Público.
Vejamos
o que ela diz:
"A
Maçonaria é uma instituição
essencialmente iniciática,
filosófica, filantrópica,
progressista e evolucionista. Proclama a prevalência do espírito
sobre a matéria. Pugna pelo
aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por
meio do cumprimento
inflexível do dever,
da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante
da verdade. Seus fins
supremos são: LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE."
Iniciática
porque exige para o
ingresso determinados rituais,
que dão
ao candidato
o conteúdo de sua mística, não de seu possível misticismo, que
não existe.
Filosófica
porque pesquisa as causas primeiras, procurando a essência
do Homem,
da Natureza, do Universo e seu relacionamento.
Filantrópica
porque como "amiga do homem", procura auxiliá-lo,
não apenas no sentido da ajuda física, beneficente, mas,
principalmente, na ajuda à sua formação moral,
intelectual e social.
"Ensina a pescar".
Progressista
porque não aceita a estagnação do homem neste planeta.
Evolucionista
porque, não aceitando
dogmas, não opõe obstáculo
à busca da Verdade,
não
reconhecendo limites para sua pesquisa, a não ser a da Razão, na
pesquisa científica
e filo-
sófica.
Afirma
que o intelecto se sobrepõe aos interesses materiais. As coisas que se
referem a
Mente
se sobrepõe ao Corpo. A Energia impulsiona a Matéria.
Quando
afirma que seus fins supremos são, Liberdade, Igualdade e Fraternidade,
as coloca em um tripé de mesmo valor, posto que a Liberdade deve ser
total, mas com os limites que não permitam a libertinagem ou a exploração
de um homem por outro; por outro lado a
Igualdade é essencial entre Irmãos, e os homens o são. Igualdade
de direitos e obrigações, mas sem que
se chegue ao extremo
de tolher a Liberdade do
Homem nas suas iniciativas próprias. E, a única forma de manter o equilíbrio
entre os dois primeiros termos, Liberdade
e Igualdade,
necessário se faz outra base do tripé, pois caso contrário o
edifício social não se mantém, é a
Fraternidade que une todos os
Homens, não
permitindo as distorções morais e sociais que podem acontecer na
exacerbação dos dois primeiros termos.
Além
disso, diz ainda a referida Constituição, que a
Maçonaria "condena a exploração
do homem, os privilégios e as regalias, enaltecendo porém, o mérito da
inteligência e da virtude, bem como o valor demonstrado na prestação de
serviços à Ordem, à Pátria
e à Humanidade; afirma que o sectarismo político, religioso ou
racial é incompatível com a universalidade
do espírito maçônico; combate a
ignorância, a
superstição e a tirania; proclama que os homens são livres e iguais em
direitos e que a tolerância constitui o princípio cardeal nas relações
humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada
um; defende a plena liberdade de expressão de pensamento, como direito
fundamental do ser
humano, admitida
a correlata
responsabilidade; reconhece o trabalho como dever social e
direito inalienável;
julga-o dignificante e
nobre sob quaisquer de suas formas; considera Irmãos todos os Maçons,
quaisquer que sejam suas raças, nacionalidades, convicções ou
crenças; sustenta
que os
Maçons têm
os seguintes deveres essenciais: amor à família, fidelidade e
devotamento à Pátria e obediência
à lei; determina que os Maçons estendam e liberalizem os laços
fraternais que os unem a todos os homens pela superfície da terra;
recomenda a divulgação de sua doutrina pelo
exemplo e pela palavra,
e combate, terminantemente, o recurso à
força e
à violência
para a
consecução de
quaisquer objetivos; adota sinais e emblemas de elevada
significação simbólica
que são
utilizados em suas oficinas de
trabalho e servem para que os Maçons se reconheçam e se auxiliam onde se
encontrem."
As
condições para ingressar na
Ordem Maçônica também constam da mesma
Constituição, conforme segue: "ser do sexo masculino; ser
maior de vinte e um anos; possuir instrução que
possibilite compreender
e aplicar
os princípios
da instituição;
ser hígido
e não ter defeito
físico que o impeça de praticar atos de ritualística Maçônica; ter
bons costumes, reputa-ção ilibada e estar em pleno gozo dos direitos
civis e não professar ideologia contrária aos
princípios da Ordem; ter condição econômico-financeira que lhe
assegure a subsistência própria e de sua família, sem prejuízo dos
encargos maçônicos e ter pelo menos, um ano de
residência no local de seu domicílio." O candidato deve ter
uma concepção de um
Princípio Criador,
não importando, contudo, de
qual forma
o conceba, sendo este
um problema de foro íntimo.
As exigências, algumas em virtude da tradição, outras legais por
atos que possam ser praticados,
algumas de ordem moral, e outras ainda em
conseqüência do mundo em que
vivemos.
Mas,
não basta querer ingressar, é necessário ser convidado por
um membro
de uma Loja Maçônica,
sendo feita uma investigação na vida do candidato,
após o que para ser
aceito não pode ser rejeitado por uma maioria qualificada presente
no dia de seu julgamento.
A
pretensão da Maçonaria é buscar cidadãos com
condições mínimas,
de conduta
e intelecto, burilando-os para a construção de um mundo
melhor, onde
haja Justiça
para toda a Humanidade.
Pode-se
dizer, sem medo de errar, que o Maçom há de ser um Construtor Social.
A
Maçonaria, dentro de sua Universalidade, admite uma grande diversidade de
posições filosóficas, desde que não sejam extremistas, razão porque
nela existem ritos deístas, teístas e agnósticos ou adogmáticos. A
tolerância é uma viga mestra dos princípios Maçônicos.
Nas
Grandes Lojas existem certas restrições a esta diversidade,
mas nos
Grandes Orientes ela
é ampla, restringindo apenas os extremismos fanáticos, que ferem seus
princípios.
Há
diversas cerimônias que podem ser assistidas por pessoas que não sejam
membros da Ordem Maçônica, tais como comemorações cívicas,
palestras, conferências, Reconhecimento Matrimonial, Adoção de "Lowtons"
(menores filhos ou netos de Maçons) e Pompas Fúnebres.
Temos
Maçons ilustres e conhecidos do grande público em todo o mundo,
podendo ser citados:
George Washington, Winston Chuchill,
Jacques Miterrand,
Simon Bolivar, Franklin
Delano Roosevelt, Voltaire, Artigas,
Francisco Miranda, San Martin, Giuseppe Garibaldi, O'Higgins,
Benjamin Franklin, Benito Juarez, Mozart,
Byron, e entre os brasileiros podemos
citar: Rui Barbosa,
Duque de Caxias, D. Pedro I, Gonçalves Ledo, Luiz
Gama, Bento Gonçalves, Barão
do Rio Branco, Silveira
Martins, Cônego Januário da Cunha
Barbosa, Frei
Sampaio, Frei
Caneca, Padre Diogo
Feijó, José Bonifácio,
Hipólito da Costa, Benjamin Cons-tant e muitos outros. E, por
esta simples relação, vemos que são
pessoas que sempre
se envolveram
em movimentos
a favor dos direitos da Humanidade,
dos movimentos
sociais e libertários. Entre outros
feitos da Maçonaria,
por seus membros, temos, em âmbito
internacional, a Independência dos Estados
Unidos, a
Revolução Francesa, a
Independência dos países Sul
Americanos, e,
no Brasil, sua Independência, a Abolição da Escravatura, a
Proclamação da República.
Mas,
a Maçonaria não vive apenas
da lembrança
de suas
tradições, se
preocupa e procura
soluções pacíficas para os problemas atuais da Humanidade, tais como
a poluição,
a globalização, os nacionalismos, o problema dos sem terra, da
reforma agrária, dos
índios, da juventude,
da mulher, dos idosos, dos
excluídos, dos sem tetos,
das drogas, a
democracia, os governos totalitários ou
autoritários, o
capitalismo, o comunismo, o
socialismo, enfim tudo aquilo que toca de perto na vida do Homem, e que o impeça
ou o impulsione para a felicidade
que é seu fim supremo.
A
Maçonaria no Brasil teve suas primeiras Lojas no século XVIII, sendo
finalmente institucionalizada aos 17 de junho de 1822 com a fundação
do Grande Oriente do Brasil, sua
Célula Mater.
Houve
em sua história diversas dissensões, havendo atualmente além do Grande
Oriente do Brasil, Maçons
agrupados em Grandes Orientes estaduais independentes e
nas Grandes Lojas estaduais, que esperamos estejam novamente unidos
sob a égide da Célula Mater, o que não
impede que a meta final de todos os verdadeiros Maçons seja a mesma; um
mundo onde haja
efetivamente: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE.
Observação:
Recomenda-se a difusão deste artigo junto aos candidatos à Ordem.