Segundo Avancini & Favaretto
(Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica – Ed. Moderna São Paulo:
1997) "As esponjas, desprovidas de tecidos verdadeiros e de
órgãos, são parazoários, constituindo um grupo animal "à margem" dos
demais. Sem grandes vínculos evolutivos com eles, como se pode perceber
em sua árvore filogenética."
Já Sônia Lopes (Bio – Introdução ao
estudo dos seres vivos – Ed. Saraiva – São Paulo:1997) relata "Os
poríferos são multicelulares, com o corpo formado por várias células,
que apesar de já apresentarem uma certa divisão de trabalho, têm alto
grau de independência, não chegando a formar tecidos verdadeiros" ,
porém, complementa mais adiante, no capítulo dos celenterados: "Os
poríferos, apesar de não formarem tecidos verdadeiros, são considerados
animais diblásticos, pois durante o desenvolvimento embrionário surgem
apenas duas camadas de células – que correspondem às duas camadas de
células que formam o corpo do adulto: a externa formada pelos
pinacócitos e a interna formada pelos coanócitos ou por coanócitos e
pinacócitos internos".
José Luis Soares (Biologia no terceiro
milênio – Ed. Scipione – São Paulo: 1999) também concorda com ela:
"Os poríferos são multicelulares mas suas células não formam tecidos
bem definidos e muito menos se estruturam em órgãos." e, lá no
capítulo dos platelmintes, completa: "Os platelmintes revelam grau
mais elevado de evolução quando comparados com os poríferos e cnidários.
Enquanto as esponjas e os celenterados são diblásticos ou diploblásticos
(durante o desenvolvimento embrionário só formam dois folhetos:
ectoderma e endoderma), os platelmintos já são animais triblásticos ou
triploblásticos (formam três folhetos embrionários: ectoderme, mesoderme
e endoderme."
Pesquisando Sergio Linhares e Fernando
Gewandsznajder (Biologia Hoje – Ed. Ática – São Paulo: 1997),
esses, concordam com o primeiro (o Avancini, lembra?): "A organização
das esponjas é muito simples: parece mesmo que ficaram no meio do
caminho entre uma colônia de protistas (dos quais devem ter se
originado) e um verdadeiro organismo pluricelular, pois sua células não
formam tecidos definidos nem se agrupam em órgãos. Os cnidários são
animais diblásticos ou diploblásticos, isto é, seu embrião possui apenas
duas camadas de células – a ectoderme e a endoderme – que originam os
tecidos no adulto.
Já está preocupado? Calma, calma que tem mais coisa pela
frente. Amabis & Martho (Biologia dos Organismos – Ed.
Moderna – São Paulo: 1995) relata: "Esponjas não apresentam
folhetos germinativos" e "Os cnidários são animais diblásticos,
ou seja, com apenas dois folhetos germinativos"
César e Sezar (Biologia – Ed. Saraiva –
São Paulo 1999) são firmes: "As esponjas são animais muito
primitivos, de organização apenas celular, não apresentando verdadeiros
tecidos ou órgãos."
E o que diz aquele que é considerado "o
grande" da zoologia, Robert D. Barnes (Zoologia de los invertebrados
– Ed. Interamericana – España: 1974) ? "As esponjas, componentes
do filo Porífera, são os mais primitivos dos animais multicelulares. Não
possuem órgãos verdadeiros, e suas células apresentam considerável
independência".
É de tirar o fôlego, não é mesmo? Resumi tudinho para você, meu
querido vestiba. Dê uma olhada na tabela a seguir e vejamos o que
podemos tirar de proveito desses infelizes desacertos
biológicos.
Vimos, então, que a maioria dos autores
concordam que os poríferos não possuem tecidos e, por este
motivo, não se enquadram na classificação de diblásticos.
O que
devemos ter em mente é que para a resolução de uma prova, devemos usar
de bom senso.
Vejamos o teste
de vestibular da UNI Rio, que está na página 22 da aula 03 da Biologia
D:
10. (UNI Rio) Quanto ao desenvolvimento
embrionário, associe todos os elementos da coluna inferior com a
classificação apresentada na coluna superior.
I. diblásticos
acelomados
II. triblásticos acelomados
III. triblásticos
pseudocelomados
IV. triblásticos celomados
( ) asquelmintos
( )
anelídeos
( ) celenterados
( ) artrópodos
( ) esponjas
A
seqüência correta, de cima para baixo, na coluna inferior é:
a. I -
II - III - IV - I.
b. I - II - III - IV - IV.
c. I - IV - III - IV
- I.
d. II - IV - I - IV - I.
e. III - IV - I - IV -
I.
Quer o
gabarito? É a letra e. Note que os poríferos
são considerados, neste teste, como diblásticos e, por incrível que
pareça, acelomados!
Não podemos gritar e espernear, levantar no meio
da prova, chamar o fiscal, dizendo que tem uma questão que deverá ser
anulada, ou coisa parecida, nem desistir de fazer a prova toda pois é um
absurdo o que fazem com a gente e etc. Não.
Simplesmente, com o leve
sorriso confiante de um aluno expoente, marca-se a opção e, e passamos para o
teste seguinte.
Prof. BORGES