As Vestimentas de Pele Para Adão e Eva  e  as Ofertas de Caim e Abel

Através da Torah podemos ter uma melhor compreensão do significado dos sacrifícios oferecidos nos rituais que eram realizados nos tempos bíblicos, e dessa forma obtermos uma melhor condição para entender, apreciar e engrandecer o tão grande amor, justiça e misericórdia do Deus Eterno e Seu Filho no trato com Sua criação.

Analisemos o que é ensinado na Torah acerca do significado dos animais que eram oferecidos em holocausto nos tempos bíblicos:

       (*)  A  <<Semichá>>  [ pôr as mãos sobre o animal antes de sacrificá-lo ], significava o mesmo que transferir a alma do sacrificador ao animal, através da mão. Deste modo, o sangue derramado do animal substituía a alma do dono do sacrifício, considerando-se como se ele próprio fosse sacrificado. Moisés transmitiu seu espírito de sabedoria a Josué, pondo as suas mãos sobre ele [ Deut. 34,9]  A expressão <<ter a alma na palma da mão>> foi repetida várias vezes na Bíblia [Juizes 12,3 – Sam.I 19, 5 – Job 13,14]: <<Á minha alma está na minha palma sempre>>. [Salmos 109,119].

       Fazendo a <<Semichá>> sobre o sacrifício de pecado, de delito ou de holocausto, a pessoa devia confessar a falta pela qual trazia o seu sacrifício. Sobre o sacrifício de pazes e de gratidão, pronunciava palavras de louvores a Deus. Nos sacrifícios da Páscoa, de primogênitos de rebanho, de dízimos e rebanho e de aves, não se fazia o rito da <<Semichá>>.       Pág. 179

A Torah nos ensina que o animal oferecido como oferta pelo pecado simboliza o próprio ofertante que de coração sincero comparece voluntariamente ante a presença do sacerdote para entregar-lhe a vida a fim de que este  possa resgata-la do poder da morte.

Com o exposto acima podemos compreender dois relatos escritos logo no início do livro de Gênesis; são eles: 

Vestes de peles de animais para Adão e Eva

O que o Deus Eterno procurou ensinar a Adão e Eva ao vesti-los com pele de animais ?

Considerando que nas Escrituras o sangue é utilizado para simbolizar vida (Gn. 9:4-6), e o animal oferecido nos sacrifícios o próprio ofertante (Lv. 4:28-30), o Eterno procurou ensinar a nossos primeiros pais que a única alternativa para que eles fossem redimidos de sua culpa, seria entregando-lhe voluntariamente a vida que haviam perdido ao violarem Sua Lei.

Ao vestir Adão e Eva com pele de animais, o Eterno procurou ensinar-lhes que aqueles animais cuja pele agora os vestiam, representavam eles; e assim como a vida daqueles animais (simbolizada pelo sangue) foram depositadas em Suas mãos ao serem sacrificados, tanto Adão quanto Eva precisariam depositar voluntariamente a vida em Suas mãos para que Ele a possa justificar e resgatar no dia do juízo (Dia da Expiação). 

Oferta de Caim  e oferta de Abel

Por que o Eterno não se agradou da oferta de Caim mas se agradou da oferecida por Abel ?

Sendo o sangue utilizado nas Escrituras para simbolizar vida, e o animal oferecido em holocausto o ofertante, a grande diferença entre o sacrifício de Abel e Caim se da ao seguinte fato:

·        Abel reconhecendo que herdara de seus pais a tendência para o pecado, não somente sentia  necessidade de entregar, como realmente entregou, sua vida (simbolizada pelo sangue da oferta) ao Eterno, para que Este a guardasse e a resgatasse no dia do juízo (Dia da Expiação).

·        Caim não se sentindo culpado pelo pecado cometido por seus pais, e portanto considerando-se isento de suas conseqüências, não reconhecia nenhuma necessidade de entregar sua vida ao Eterno para  que Este a dirigisse, mesmo quando foi advertido e orientado para que não permitisse que o pecado o dominasse. Contentou-se apenas em entregar ao Eterno os frutos de seu trabalho, não sua vida.

Embora possa parecer estranho e vir de encontro à teologia tradicional, não devemos estranhar a utilização nos tempos bíblicos de animais para simbolizar (não substituir) os seres humanos em diversos eventos registrado nas escrituras; vejamos alguns exemplos:

Gn. 15:8-10, 17-18

Dn. 8:20 e 21

Gn. 22:10-13

Ex. 12:21-22;  etc...

Conclusão  

Ao analisar o estudo aqui apresentado, conseguimos entender melhor a justiça e misericórdia do Eterno expressa em Ez. 18:20, e verificar nitidamente que Ele jamais violaria os preceitos por Ele estabelecido, ao contrário do que vem sendo ensinado pela teologia tradicional onde nos é dito que um justo (Yeshua) sofreu as conseqüências dos pecados da humanidade ao morrer em lugar dos pecadores, ensino este que alem de violar os preceitos do Eterno expressos em Ez. 18: 20, e a imagem de um pai amorável, deturpa completamente o significado da páscoa, pois  o sangue (vida) do cordeiro pascal ( Yeshua) não era apresentado ao Deus Eterno como oferta pelo pecado, e nem sequer fazia  parte nos rituais do santuário como é ensinado pela tradição cristã.

O verdadeiro significado da páscoa poderá ser conhecido na pesquisa “As Festas Fixas”. 

 

 

Shalom !

 

I. B. Zaituni