1.VIVE MILTON SANTOS

Júlia Andrade (04 - 08 - 2001)

Combativo, o geógrafo levou a sério sua missão de homem de idéias e encarou a atividade de professor com a importância que ela pode ter.

No último dia 24 de julho morreu em São Paulo o geógrafo Milton Santos. Um intelectual de grande importância para as ciências humanas brasileiras. Professor da Universidade de São Paulo, recebeu vinte títulos "honoris causa" e o prêmio Vautrin Lud, - equivalente a um "Nobel" de geografia. Conquistas raras para os pensadores latino americanos.

Milton Santos escreveu mais de quarenta livros em diversas línguas, sua obra é uma referência para todos aqueles que pretendem compreender de maneira crítica o mundo atual. Um pensador otimista, antes de mais nada, que conseguiu distinguir o novo da novidade, conceitos que ele diferenciava radicalmente.

Um geógrafo sério e combativo. Não poupou ninguém de suas severas críticas. Políticos, intelectuais, colegas de departamento e até mesmo seus alunos mais fiéis (inclusive esta que vos escreve). Todos passaram por sua pena precisa ou por suas palavras duras. Palavras que eram pronunciadas por uma voz mansa, entre um sorriso bonito de um negro de 75 anos. Os cabelos brancos apareceram nos últimos tempos, mas sempre víamos o Professor com camisas de mangas compridas e gravatas vermelhas, vestido com a mesma seriedade com que lidava com o conhecimento.

Em 1996, a geógrafa e amiga Maria Adélia Aparecida de Souza organizou um evento internacional para discutir a obra de Milton e comemorar seus 70 anos. O nome do encontro: "Cidadão do Mundo e o Mundo do Cidadão". Este título reflete bem a obra e a vida deste homem. Uma homenagem belíssima e em boa hora. Lígia Fagundes Teles disse, em uma entrevista, que as homenagens póstumas já chegam frias... Eis uma grande sabedoria. Devemos reconhecer, em vida, os grandes homens, e Milton o foi. Por Adélia, pelos políticos, pelos intelectuais, por seus alunos e por todos que acompanhavam seus textos densos nos jornais de domingo.

Milton Santos foi um homem essencialmente de idéias. E as idéias não morrem, elas continuam ressoando na mente daqueles que buscam o conhecimento do Mundo Novo. Sendo assim, ele estará sempre vivo no seu mais sublime significado. Ele sempre viverá entre nós!


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