Seu ponto de partida é uma releitura da origem técnica e política do fenômeno da globalização, como ideologia de um presente perverso e horizonte de um futuro que pode ser promissor. Seu ponto de chegada é a convicção de que "diante do que é o mundo atual, as condições materiais já estão dadas para que se imponha a desejada grande mutação, mas seu destino vai depender de como disponibilidades e possibilidades serão aproveitadas pela política. A globalização atual não é irreversível".(2)
A globalização não é uma imposição tecnológica nem tampouco apenas um fenômeno puramente econômico, que envolva somente novas formas de dominação, estratégias e imposição vitoriosa de determinados interesses, tanto no plano internacional quanto no espaço interno dos Estados nacionais. Como diz Milton Santos, a história "mostra não ser certo que haja um imperativo técnico. O imperativo é político. Desse modo, não há uma inelutabilidade face aos sistemas técnicos, nem muito menos um determinismo. Aliás, a técnica somente é um absoluto enquanto irrealizada".(2)
Quem transita pelo centro de uma metrópole brasileira entende porque o geógrafo rebatizou a globalização da economia de globalitarismo, neologismo que agrega ao termo o sentido de totalitarismo. Isso porque a situação atual obriga o cidadão a submeter-se às regras do tal mercado para sobreviver. Umas das caras visíveis do globalitarismo é a multidão de ambulantes no centro de São Paulo, na maioria retirantes nordestinos, vendendo a preço de banana produtos high-tech fabricados, muitas vezes, com mão-de-obra semiescrava no Sudeste Asiático.(4)