Milton Santos também era negro. Não fazia grandes estardalhaços por isso. Mas incorporou ao seu pensamento e à sua vida a crítica radical das desigualdades produzidas pelo racismo. E o fez sem rancor, transformando as adversidades sofridas ao longo da vida em altivez e orgulho. Não era possível estar em sua presença sem sentir a força quase física da sua história pessoal. A conquista do respeito e o reconhecimento público foi um longo processo que gerou nele uma consciência visceral a respeito da indignidade do racismo. Uma consciência que, esperamos, continuará a iluminar a sociedade brasileira.(3)