Que o Brasil também não se esqueça dele e de suas lições. Num embate que durou sete anos, a morte acabou levando a melhor contra o geógrafo, no último dia 24 de junho. Cedo ou tarde, ela vence, mas teve em Milton Santos um adversário incomum. Após o diagnóstico de um câncer, em 1994, ao contrário de esmorecer intensificou seu trabalho de intelectual, para a perplexidade dos que o acompanhavam de perto. Adepto da geografia humana, a que insere – e sublinha como principal objeto de estudo – o ser humano no mapa frio da matéria que aprendemos na escola, seus últimos anos de vida foram dedicados a dissecar a globalização da economia, enfatizando seu efeito devastador no Brasil, e propor saídas para que a população pobre não seja mais parte desse jogo apenas como vítima.(4)
O Brasil é um exemplo de país para o qual a modernidade, em todas as fases de sua história nos últimos cinco séculos, impõem-se, sobretudo, como abertura aos ventos de fora.(8)