São Bento do Sul - Uma palestra com o médico sanitarista Rodinei Garcia, responsável pelo departamento de epidemiologia no município, foi o principal evento da tarde desta quinta-feira no Colégio Celso Ramos Filho, bairro Oxford. Os estudantes se concentraram no ginásio de esportes por volta das 13h30 para o evento promovido pelo PSF, que teve ênfase no tema AIDS e doenças sexualmente transmissíveis.
Segundo o especialista, a camisinha protege contra mais de 20 tipos de doenças sexualmente transmissíveis. O uso do preservativo deveria inclusive ser adotado por pessoas que têm parceiros fixos, uma vez que esse público está entre os que mais têm sido atingidos pela AIDS.
"Mesmo que você confie, mesmo que você esteja apaixonado, use camisiinha", recomendou o médico, que trouxe slides com estatísticas e falou de sua experiência no tratamento a pacientes em São Bento do Sul.
De um total de 244 pessoas infectadas no município sendo os registros oficiais seriam 129 homens e 115 mulheres. Para manter sigilo sobre a doença, uma parte daqueles que descobrem optam por transferência para outros lugares. Foi o caso de 42 pessoas. Apenas 10 teriam abandonado o tratamento, segundo Rodinei. Há ainda 80 doentes, 50 portadores sadios, e 62 óbitos registrados.
Tratamento
Para o médico, quem passou por uma situação de risco deve fazer o exame o quanto antes, pois quanto antes se descobre que se é portador, mais eficaz se torna o combate à doença. "Às vezes o paciente descobre que é soropositivo e vinte dias depois vem a falecer, porque já fazia muito tempo", observa.
Ainda falta muita informação na sociedade sobre a AIDS, reconheceu Rodinei. Há pessoas que falam no consultório, por exemplo, que não sabiam que fazendo sexo anal poderiam contrair a doença. Além do ato sexual sem camisinha, outras formas de contágio são transfusão com sangue contaminado, uso de agulhas ou seringas contaminadas, da grávida para o nenem e através do leite materno.
Rodinei desmistificou aindas as formas falsas de contágio. Não se pega AIDS, por exemplo, ao doar sangue, ao se conviver com uma pessoa doente, beijar e abraçar, usar o mesmo copo, talher, banheiro, toalha, chimarrão, por picada de inseto, da saliva, lágrima, ou suor.
A palestra teve duração de aproximadamente 40 minutos. Segundo funcionários do PSF, a intenção é realizar mais palestras na escola durante o ano. Todas as quintas-feiras à tarde são feitas ações preventivas na comunidade, através de diversas ações, não apenas sobre o tema DST/AIDS. (KO)
Publicado no jornal A Gazeta - 24 de abril de 2009