Nikita

 

Despedida


Por mim, e por vós, e por mais aquilo

Que está onde as outras coisas nunca estão

Deixo o mar bravo e o céu tranquilo:

Quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens

E como o conheces?-Me perguntarão

-Por não ter palavras, por não ter imagens

Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? Tudo. Que desejas? Nada

Viajo sozinha com o meu coração

Não ando perdida, mas desencontrada

Levo o meu rumo na minha mão

A memória voou da minha fronte

Voou meu amor, minha imaginação...

talvez eu morra antes do horizonte

Memória, amor e o resto onde estarão

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra

(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão

Estandarte triste de uma estranha guerra...)

Quero solidão

Cecília Meireles

 

Desejos

Quero sentir a imensidão de teus sentimentos

algum dia aliada aos meus.

Quero proporcionar-te

a alegria de uma paixão infinita

que de nada surgiu e cresce.

Quero mostrar-te o íntimo de meu intelecto,

para que me conheças, como conheces a ti mesma.

Quero te amar, como nunca amei antes,

entregar-me a teus desejos,

conjugando-os à minha cobiça.

Quero provar a doçura de teus lábios,

afagar teus cabelos - quão lindos são.

Quero ter-te, sem fim. 

 

Charisma

Embriaga-me o teu perfume,

Quando entras em minha casa,

Exalando de tua carne

Os vapores que o teu corpo guarda.

 

Mexendo com minha alma,

Arrepia o meu espírito,

Aguça meus sentidos,

E intorpece os meus motivos,

Os quais tenho para me esquivar.

 

Ah! E esse teu cheiro...

Transmuda  o meu faro.

Fazendo-me seguir o teu rastro.

Levando-me para o lugar onde estás.

 

E nos diálogos estabelecidos!

Fico prestando atenção,

Ao olhar para tua boca

Liberando palavras e o teu hálito,

Que sou capaz de ver concreto,

E que deseja o meu ser, ser dele todo repleto.

 

Fica mais intenso e concentrado,

Quando me deixas manipular a tua pele.

Extraindo da tua perna ou do teu ombro

Teu odor , ungindo o meu cérebro desnorteado.

 

Ao tocar-te,

Vejo-me conduzindo toda química do meu querer,

Transpondo o teu ar para o meu interior,

Inflando-me de muita vontade e de amor.

 

Ao tocar-te,

Sinto o meu pensamento sendo massageado,

Misturado, modificado,

Abalado e apaixonado.

 

E ao tocar-te,

Sinto minhas idéias se transformando em luz,

Refletindo nas paredes, nos espelhos;

Refringindo na minha matéria, no âmago da minha cruz.

 

Ao não tocar-te,

A minha química não reage,

O meu pensamento não se mistura,

Minha luz se apaga,

E minha alegria se desfaz.

Volto a viver naquele meu mundo sem nenhuma glória,

E a tristeza que assola, agora,  minha vida, grita: Vitória!    

(Gladian, André Passos Martins Meneses, )