O Método de Ensino Através da Pesquisa
Lilian Maria Cardoso Soares- 2001
Nos últimos anos, a quantidade de
informações nas diversas áreas vem aumentando cada vez mais, e com isso vem
surgindo a necessidade de se fazer uma seleção de conhecimentos. Já não é
possível nem necessário, conhecer profundamente sobre todas as ciências.
Entretanto, é imprescindível que se saiba procurar, pesquisar e aprender sobre
determinado tópico no momento que for interessante ou necessário de acordo com
a área profissional/acadêmica de atuação.
Na América do Norte, o ensino orientado
para a pesquisa é mais aplicado na disciplina Ciências. As disciplinas Estudos
Sociais, Matemática e Língua seguem as Ciências em termos de relato de estudos
em que tal método de ensino é aplicado em escolas e salas de aula. Na América
do Norte, o ensino de disciplinas é baseado muito mais em livros didáticos que
no engajamento dos alunos no processo usado pelos pesquisadores para gerar
conhecimento (Armento, 1986; Fairbanks,
1994; Goodlad, 1984; Stake & Easley, 1978)
A análise de estudos de observação de sala de aula,
relatados nos últimos 20 anos, mostra mais de 100 estudos descrevendo algum
tipo de ensino orientado para a pesquisa. No entanto, o estudo da pesquisa como
um processo curricular em salas de aula, durante longos períodos de tempo,
constitui uma minoria neste corpo de estudos. Em particular, observa-se uma
ausência de descrições por parte de estudantes e de professores de sua própria
exposição ao ensino orientado para a pesquisa durante a educação formal.
Uma compreensão mais abrangente do
ensino e aprendizagem orientados para a pesquisa deve, então, levar em conta
uma descrição detalhada da percepção dos estudantes sobre a ocorrência e
utilização da pesquisa na educação formal.
Conceituações
sobre pesquisa como um processo instrucional através do qual o conteúdo é
aprendido e ensinado fornecem indicações de como o conteúdo é construído
através da participação nesse processo (Aulls,
1991). Por sua vez, McEwen (1990)
argumenta que o conteúdo é a evidência mais direta de que ensinar e aprender
estão intimamente relacionados. Por isso, o que os estudantes ou professores
dizem ter aprendido através da participação em pesquisa não é uma evidência tão
forte quanto a evidência do conteúdo aprendido e as condições de aprendizado
descritas como ocasiões para a pesquisa. Ambos os tipos de estudo são
necessários para conectar o que acontece como pesquisa ao que os alunos
aprendem como conteúdo de disciplina e conhecimento. Pesquisas de observação em
classe, realizadas na Inglaterra (Edwards
& Mercer, 1987), sobre currículo baseado na aprendizagem pela
descoberta, adotado por todas as escolas primárias, mostraram que os
professores não compreendiam bem que a aprendizagem pela descoberta necessitava
mais do que criar atividades para que os estudantes utilizassem seus
conhecimentos do mundo para realizar certas atividades.
Numa forma
muito freqüente de utilizar o método de ensino através da pesquisa nas nossas
escolas, o professor divide determinado tópico do conteúdo e distribui entre
grupos da classe.
Geralmente este trabalho permite uma maior assimilação por
parte dos integrantes do grupo, mas também é comum acontecer que cada grupo
aprenda somente o que lhe foi incumbido de estudar, não tendo a oportunidade de
aprender a parte atribuída aos outros. Normalmente quando se faz este tipo de
trabalho, também se apresentam os resultados para toda a classe, mas pelo fato
de os alunos não serem professores ou não terem se dedicado ou se preparado o
suficiente para a apresentação,faz com que não consigam repassar o que foi
aprendido. É provável que isso aconteça em decorrência da ausência do professor
durante o processo de construção do trabalho. Percebe-se, portanto que existe
uma disposição por parte dos professores e ainda um interesse por parte dos
alunos em fazer trabalhos de pesquisa, mas pela carência de estudos
exploratórios que apontem tópicos relacionados ao ensino através da pesquisa,
professores e alunos se encontram desorientados quando se vêem envolvidos em
atividades de pesquisa.
Percebe-se,
entretanto, que já existe uma iniciativa dentro da sala de aula afim de levar o
aluno a pesquisar. Contudo, os recursos que a educação oferece para este fim
ainda são escassos. Logo, deve-se apoiar e dar continuidade aos estudos de Stake, 1978; Easley, 1978; Goodlad,
1984; Armento, 1986; Edwards,
1987; Mercer, 1987; McEwen (1990); Aulls, 1991; Fairbanks, 1994; e outros que se referem
ao ensino através da pesquisa e a própria pesquisa. Porém estes estudos devem
sofrer adaptações à realidade brasileira levando em conta os relatos de
professores, permitindo que estes participem ativamente das reflexões que
conduzirão a uma inclusão destas práticas na sala de aula.