Além da série
Em dezembro de 1997, saiu o especial de cinema de Kenshin. Nesse longa, o herói encara Takimi Shigure, um samurai que lutou do lado oposto
ao de Kenshin durante a revolução. Eles tornam-se amigos, mas Takimi descobre que foi
Kenshin quem matou seu amigo numa sangrenta batalha e jura vingança. Para complicar ainda
mais, Takimi estava envolvido com contrabandistas de armas e é emboscado junto com seus
amigos. O filme mostrou uma aventura marcante do herói, com cenas fortes e uma história
dramática sem interferir na cronologia da série, que só seria concluída em setembro de
1998, totalizando 94 episódios.
Já em setembro de 1999, começou uma mini-série em vídeo com
quatro episódios especiais que mostram a origem de Kenshin. Dez anos depois dos eventos
da série, Kenshin conta sua vida a Yahiko. Nessa produção, é mostrado como Kenshin
ganhou sua cicatriz em forma de X, bem como sua vida de assassino profissional. A falecida
esposa dele também aparece e o público tem a chance de ver Kenshin de uma maneira
totalmente nova e entender melhor sua motivação e seu modo de ser. Infelizmente, essas
produções para cinema e vídeo dificilmente serão lançadas por aqui.
Do Mangá para a TV
A saga de Kenshin
foi publicada entre 1994 e 1999 na revista semanal Shonen Jump, o mais popular gibi do
Japão. Em suas mais de 300 páginas semanais, a Jump foi o berço de séries como
Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball, Super Campeões, etc.
A obra Samurai X, batizada originalmente de Rurouni (ou
Andarilho) Kenshin, foi escrita e desenhada por Nobuhiro Watsuki, então com 24 anos e fã
ardoroso dos heróis Marvel. Referências a Hulk e aos X-Men Gambit e Wolverine foram
utilizadas em vilões do início da série. Com seu traço dinâmico e cuidadosa pesquisa
para compor os cenários da época, o trabalho dele logo se destacou por sua técnica.
Com o sucesso do mangá, em janeiro de 1996, estreou a série de
TV produzida pelo estúdio Gyaroppu para a TV Fuji. A repercussão foi imediata, graças a
uma produção competente e a muitas jogadas de marketing. A maior delas foi com a trilha
sonora que, se não era um primor de inspiração, reunia nomes de peso do pop-rock
japonês, como o grupo L´arc-en-ciel, que até fez música para o Godzilla americano na
época de seu lançamento no Japão.
O mangá foi transposto com bastante fidelidade para a série de
TV. Uma das poucas exceções foi uma seqüência de histórias-solo de Sano, que não foi
aproveitada para a telinha. Totalizando 28 volumes encadernados, a longa saga de Kenshin
acabou por esgotar o autor, que realizou um final que ele mesmo reconheceu estar aquém do
que poderia ter sido. Por causa disso, uma aventura complementar foi produzida
posteriormente, explicando melhor fatos que ficaram de fora do mangá original, como o
paradeiro de Sano.
Coisas legais de saber (e outras
nem tanto)
O apelido Battousai é intraduzível em português.
O nome inventado pelo autor é derivado do verbo "battou", que significa
"sacar a espada". Já o título "Retalhador" vem de
"Hitokiri", que significa literalmente "cortar pessoas".
Além do próprio Kenshin, os personagens Sano, Aoshi e Saito foram baseados em guerreiros
que existiram de verdade.
A aparência meio andrógina de Kenshin (especialmente quando fica pensativo) foi
realçada no Japão pelo fato dele ser dublado lá por uma mulher.
Para exibição no ocidente, os próprios japoneses cortaram ou editaram cenas de
violência e outras que poderiam ser mal interpretadas por questões culturais,
como a abordagem de temas religiosos. Nisso, alguns episódios tiveram cortes e
alterações, outros foram pulados e outros ainda chegaram a ser combinados entre
si. Logo, a versão brasileira é um pouco mais curta e bem distante da original.