Boneca dançarina e passos de noite
Os meus pais ainda moram na casa em que eu cresci, onde aconteceram algumas
estranhas comigo. Ainda nos dias de hoje, apesar de não morar mais lá e já ser
um pouco mais velha, eu não gosto de passar a noite lá.
Nenhum outro membro da minha família sentiu o que eu sentia ou passou pelo que
eu passei, apesar de quando as minhas amigas da escola iam dormir em casa sempre
falavam que ficavam pouco a vontade e as vezes ficavam assustadas por nada.
Eu sempre fiquei assustada em casa, desde que eu me lembro, particularmente no
meu quarto. O meu quarto me assustava tanto que muitas vezes eu me recusava a
dormir no meu quarto e acabava dormindo no quarto do meu irmão com ele. Eu tinha
muito medo das minhas bonecas também, eu geralmente guardava elas no
guarda-roupas ou colocava elas com o rosto virado para a parede, porque parecia
que sempre que eu estava no meu quarto, elas ficavam me observando. Eu não tinha
esses problemas em nenhum outro quarto da casa, e dormia bem confortável e numa
boa nos outros quartos ou se alguém dormisse comigo.
Eu também não tinha problemas para dormir se eu não dormisse em casa. Os meus
pais falam que mesmo quando eu era bebê, eu só dormia no meu quarto se alguém
dormisse comigo. Eu ainda sinto medo quando eu entro no meu velho quarto, e
ainda não consigo dormir lá direito, mas eu não sei exatamente o que é que causa
isso.
Apesar da maioria das coisas estranhas que aconteceram naquela casa comigo terem
sido no meu quarto, algumas coisas aconteceram em outros lugares da casa também.
A maioria das coisas aconteceu quando eu tinha entre 7 e 12 anos, e eram coisas
pequenas, luzes acendendo e apagando, objetos mudando de lugar e de posição.
Abaixo estão as duas coisas que aconteceu comigo que eu me lembro com mais
clareza:
Um dia eu estava brincando com duas amigas no quarto do lado do meu, o do meu
irmão (as vezes eu me recusava entrar no meu quarto, a não ser que me
obrigassem). Nós já estávamos lá já fazia algum tempo, quando decidimos brincar
com um brinquedo que ainda estava no meu quarto, então nós fomo lá para pegar
ele. O quarto não tinha nada de anormal quando eu entrei nele (alem da sensação
de desconforto que eu sentia sempre que entrava nele). Eu atravessei o quarto,
peguei o brinquedo que estava em baixo da janela e então eu virei para sair do
quarto. Quando eu estava no meio do quarto, olhando a porta, eu ouvi um "clic" e
o barulho do mecanismo de uma bailarina mecânica que eu tinha começar a
funcionar. Eu virei para trás e a bailarina estava dançando. o "clic" que eu
tinha ouvido, era o botão de ligar sendo movido. Eu fui até ela e desliguei,
depois voltei para as minhas amigas e contei para elas o que tinha acontecido.
Nós tentamos encontrar uma explicação racional para tudo aquilo, como uma das
minhas amigas, que estava brincando com aquela boneca 1/2hora antes, ter deixado
ela ligada, mas na hora eu descartei essa possibilidade, pois tinha ouvido o
"clic" dela sendo ligada, e de quando eu entrei no quarto ela estava desligada.
A segunda coisa estranha aconteceu algum tempo depois. Eu acordei no meio da
noite, enrolada no lençol e no cobertor. Eu fiquei lá por uns 15 minutos sem
sono, e então eu ouvi passos do lado de fora do meu quarto. Eu achei que devia
ser o meu irmão ou a minha mãe (que eram as duas únicas pessoas na casa naquele
dia), mas os passos passaram os quartos deles e entraram no meu. Eu ainda estava
embaixo das cobertas, e como eu nunca tinha ouvido passos "fantasmas" antes, o
meu primeiro pensamento foi que era um ladrão. Eu fiquei bem imóvel embaixo do
cobertor, para que o ladrão não soubesse que eu estava ali e não me machucasse.
Os passos passaram pela minha cama e foram até o gaveteiro do lado da janela.
Então eu ouvi o barulho de uma das gavetas abrir e fechar bem rápido umas 5
vezes. Eu sabia que era a mesma gaveta porque foi uma gaveta que era um pouco
grande para os apoios dela e por isso ela sempre rangia quando abria e fechava.
Eu achei estranho um ladrão ver só um gaveta varias vezes, mas eu ainda estava
convencida de que era um ladrão, então não me movi ou olhei por debaixo do
cobertor. Os passos então passaram pela minha cama, saíram do meu quarto,
desceram pelo corredor e pareceram sair da casa, apesar de eu não ter ouvido
nenhuma porta abrir ou fechar.
Eu esperei por uma 1/2 hora para ter certeza de que o ladrão tivesse saído, e
saí correndo para o quarto da minha mãe falar para ela que tínhamos sido
roubados. A minha mãe foi ver se o meu irmão estava bem (ele estava babando de
tanto dormir) e foi ver o resto da casa. Ela acabou não encontrando nenhum sinal
de que alguém tivesse entrado na casa ou roubado algo. Todas as janelas e portas
estavam fechadas e trancadas. Foi só então que eu pensei no fato de poder ter
sido visitada por um fantasma.
A minha mãe tentou me convencer de que eu estava dormindo, ou que talvez fosse o
meu irmão querendo pregar uma peça em mim, mas eu sei que eu estava
completamente acordada,e nunca ouvi o som do meu irmão entrando no quarto dele
depois de ter ouvido os passos saírem da casa.
A maioria das estranhices parou quando eu entrei na adolescência, exceto o som
dos passos. Depois dessa noite eu continuei a ouvir os passos no meio da noite
(normalmente lá pelas 4 da manhã), apesar de ouvir eles com pouca freqüência e
deles nunca mais entrarem no meu quarto. As vezes eu ouvia os passos correndo
pelo corredor e tentando abrir as duas portas do final dele que ficavam
trancadas (uma era a porta do escritório do meu pai e a outra era o armário onde
a minha mãe colocava toalhas e a roupa de cama). Esses passo continuaram até
quando o meu irmão se mudou de casa, provando que não podia ser ele tentando me
assustar. Como eu mencionei antes, ninguém mais da família presenciou alguma
coisa de estranha na casa, só uma vez o meu irmão falou que duas vezes acordou
de noite com o som de passos do lado de fora da janela dele, mas pensou que
fosse algum ladrão também.
Desde que eu sai de casa, eu já morei em duas casas diferentes, e até agora nada
de estranho me aconteceu, mas aquela sensação de ser observada no meu quarto
ainda continua.
Anônimo - SP - São Paulo