MAU humor e MAL do humor
Ana Mello
Quando aprendemos a rir dos nossos problemas a vida fica mais leve.
Ninguém é doido de sair gargalhando com problemas sérios, mas para
pequenos aborrecimentos do dia a dia, um sorriso ajuda.
Bom humor é importante na amizade, no trabalho, e principalmente
no casamento. As relações de trabalho e casamento eu acho até
parecidas.
Os parceiros convivem diariamente e não podem perder o respeito.
Se partirem para a pancada é demissão, ou separação. Férias conjugais
podem ser perigosas, na volta pode haver substituição, como no
trabalho.
E para agüentar a rotina nada como uma dose de graça.
Por isso sou pragmática. Se for inevitável, que seja na boa, com
alegria.
Para que complicar? A lógica não é fazer tudo da forma mais
confortável
com o menor transtorno? Portanto, desconheço mau humor. Dá muito
trabalho ficar de cara amarrada. Para mim é um personagem difícil
de interpretar.
Sei que muitas pessoas interpretam por defesa, fecham a cara para
evitar
aproximações. Sei também que mal (com L) do humor é uma doença,
a distimia. Um estado depressivo crônico que prejudica não só o
sujeito
como todos na sua volta. A distimia tem até CID (Classificação
Internacional
das Doenças) e tem tratamento. Dizem os especialistas que os sintomas
começam leves e muitas vezes quando o paciente ainda é jovem.
As dificuldades do mundo não devem servir de desculpa para vivermos
tristes e carrancudos.
Contudo, para ser bem-humorado é preciso querer, tratar-se quando
necessário, e praticar. Ver o lado bom da vida.
Minicontando: Retratos da vida
Orlando sempre foi bem-humorado. Levou a vida na maior leveza.
Família unida, netos, bisnetos. Viúvo há 10 anos, morreu, aos noventa.
Terno azul-marinho, flor na lapela, sorriso nos lábios.
Parecia até que ia casar.