Minhas calcinhas
Vanderli Medeiros
Minhas calcinhas
bem as dispensaria
pois, quando as tenho
estou em calmaria
Melhor mesmo
é não tê-las
Seja com rendas
ou sem
Na minha vaidade e luxúria
quero que meu homem
das rendas e transparências
fizesse tirinhas
Rasgando-as entre dentes
e urros
numa plena demência
Ao invés de goles de cerveja
prefiro que seus lábios tenham
gosto de cerejas
E que minhas calcinhas
sejam sempre
motivos de muita folia
Deus!
Sinto ainda nos lábios
o calor dos beijos teus!
Rolo na cama, tento meu corpo acomodar,
Nada o acalma sem tua presença para o acarinhar.
Que lenta agonia, que saudade doída;
Amor distante machuca e maltrata a vida.
Vives em meu pensamento,
Dia e noite, noite e dia...
Sem teus braços a enlaçar-me
Os sonhos são sofrimentos a minar-me
Difícil esperar-te por mais um dia!
Esse amor que de tão grande
Ameaça sair pelo peito
É mensageiro de alegria;
Também portador de agonia!
Tormento que somente findará
Quando estiver para sempre,
bem juntinho a mim;
A viver um amor sem fim!