A POESIA ETERNA

Por Marco Dias

Álvaro Feijó

Biografia

1916-1941

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Álvaro Feijó (1916-1941) nasceu em Viana do Castelo e apesar da sua morte prematura (tuberculose) escreveu: Corsário, poesia, Coimbra, 1940; Os Poemas de Álvaro Feijó, "Novo Cancioneiro", Coimbra, 1941.

Poesias Eternas

Os Dois Sonetos de Amor da Hora Triste

 

 

 

 

 


 

Os Dois Sonetos de Amor da Hora Triste

 

Quando eu morrer - e hei-de morrer primeiro

do que tu - não deixes fechar-me os olhos,

meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos

e ver-te-ás de corpo inteiro

 

como quando sorrias no meu colo.

E, ao veres que tenho toda a tua imagem

dentro de mim, se então tiveres coragem,

fecha-me os olhos com um beijo.

                                         Eu, Marco Pólo,

farei a nebulosa travessia,

e o rastro da minha barca

segui-lo-ás em pensamento. Abarca

 

nele o mar inteiro, o porto, a ria...

E, se me vires chegar ao cais dos céus,

ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus.

 

 

 

Não um adeus distante

ou um adeus de quem não torna cá

nem espera tornar. Um adeus de até já,

como a alguém que se espera a cada instante.

 

Que eu voltarei. Eu sei que hei-de voltar

de novo para ti, no mesmo barco

sem remos e sem velas, pelo charco

azul, do céu, cansado de lá estar.

 

E viverei em ti como um eflúvio, uma recordação

E não quero que chores para fora,

Amor, que tu bem sabes que quem chora

 

assim, mente. E se quiseres partir e o coração

to peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino

talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino!

 

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