
CESÁRIO VERDE
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Biografia 1855-1889 José Joaquim Cesário Verde nasceu em Lisboa em 1855 e faleceu em 1889. Graças ao seu amigo Silva Pinto, as suas poesias foram compiladas em O Livro de Cesário Verde publicado postumamente.
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Poesias Eternas
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Naquele pick-nick de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter histórias nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
POESIAS DE CESÁRIO VERDE, MARGARIDA VIEIRA MENDES, SEARA NOVA,1979, P.117
Coberto de folhagem, na verdura,
O teu braço ao redor do meu pescoço,
O teu fato sem ter um só destroço,
O meu braço apertando-te a cintura:
Num mimoso jardim, ó pomba mansa
Sobre um banco de mármore assentados.
Na sombra dos arbustos, que abraçados
Beijarão meigamente a tua trança.
Nós havemos de estar ambos unidos,
Sem gozos sensuais, sem más ideias,
Esquecendo para sempre as nossas ceias
E a loucura dos vinhos atrevidos.
Não teremos então sobre os joelhos
Um livro que nos diga muitas cousas
Dos mistérios que estão para além das lousas
Onde havemos de entrar antes de velhos.
Outras vezes buscando distracção
Leremos bons romances galhofeiros.
Gozaremos assim dias inteiros
Formando unicamente um coração.
Beatos ou pagãos, vida à paxá,
Nós leremos, aceita este meu voto,
O Flos-Sanctorum místico e devoto
E o laxo Cavalheiro de Faublas.
A Poesia Eterna, por Marco Dias . Todos os direitos reservados.