
JORGE
DE SENA
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Biografia
1919-1978
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Poesias Eternas Não hei de morrer sem saber...
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A felicidade
sentava-se todos os dias no peitoril da janela.
Tinha feições de
menino inconsoláveç.
Um menino impúbere
ainda sem amor para
ninguém,
gostando apenas de
demorar as mãos
ou de roçar
lentamente o cabelo pelas faces humanas.
E, como menino que
era,
achava um grande mistério
no seu próprio nome.
PERSEGUIÇÃO,
LÍRICAS PORTUGUESAS, PORTUGÁLIA EDITORA, P. 245
Ao frio suave, obscuro
e sossegado,
e com que a noite,
agora, se anuncia
depois de posto, ao
longe, um sol dourado
que a uma rosada fímbria
arrasta e esfia...
Da solidão dos homens
apartado,
e entregue a tal silêncio,
que devia
mais entender as
sombras a meu lado
que a terra nua onde
se atrasa o dia...
Recordo o amor
distante que em mim vive,
sem tempo ou espaço,
e apenas amarrado
à liberdade imensa
que não tive,
e que não há. Como o
recordo agora
que a luz do dia já
se não demora,
se apenas de si próprio
é recordado?
PEDRA
FILOSOFAL, LÍRICAS
PORTUGUESAS, PORTUGÁLIA EDITORA, P. 250
qual a cor da
liberdade.
Eu não posso senão
ser
desta terra em que
nasci.
Embora ao mundo pareça
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre
aqui,
não hei-de morrer sem
saber.
Trocaram tudo em
maldade,
é quase um crime
viver.
Mas, embora escondam
tudo
e me queiram cego e
mudo,
não hei-de morrer sem
saber
qual a cor da
liberdade.
A Poesia Eterna, por Marco Dias . Todos os direitos reservados.