A POESIA ETERNA

Por Marco Dias

Júlio Dantas

Biografia

Portugal Portugal

 

Júlio Dantas nasceu em Lagos em 1876 e faleceu em 1962.

 

Estudou no Colégio Militar e na Escola Médico- Cirúrgica de Lisboa onde se formou em Medicina.

 

A sua primeira obra, Nada, data de 1897.

 

Júlio Dantas ocupou ao longo da sua vida diversos cargos públicos: foi Ministro (por quatro vezes), deputado, director do Conservatório de Lisboa, inspector das Bibliotecas e Arquivos Eruditos, presidente da Academia das Ciências e pertenceu à Academia Espanhola de História e à Academia Espanhola de Letras.

 

A sua obra compreende diversos géneros literários desde o romance, passando pelo ensaio, poesia, teatro, tradução, crónica e conto. Colaborou com produções suas em vários jornais e revistas portugueses e estrangeiros.

 

 

Obra:

Ficção
Os Galos de Apolo, 1921
Arte de Amar, 1922
Contos, 1930
 

Poesia
Sonetos, 1916
 


Nada, 1896
O que Morreu de Amor, 1899
Viriato Trágico, 1900
A Severa, 1901
A Ceia dos Cardeais, 1902
Crucificados, 1902
D. Beltrão de Figueiroa, 1902
Paço de Veiros, 1903
Um Serão nas Laranjeiras, 1904
Mater Dolorosa, 1908
O Reposteiro Verde, 1912
A Pátria Portuguesa, 1914
O Amor em Portugal no Século XVIII, 1915
Soror Mariana, 1915
Mulheres, 1916
Eles e Elas, 1918
Espadas e Rosas, 1919
O Heroísmo, a Elegância, o Amor, 1923
Eva, 1925
O Eterno Feminino, 1929
Marcha Triunfal, 1954
 

 

Poesias Eternas

O Incêndio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Incêndio

 

- "Ao convento! ao convento!" - Uiva de longe o vento.

É noite. E a multidão, descalça, esfomeada,

à luz de archotes, sobe a ladeira empedrada,

praguejando e gritando: - "Ao convento! ao convento!"

 

A onda do povo cresce e galga num momento.

Chispam ferros no ar. A porta, chapeada

de bronze, range, oscila e cai à machadada.

Nem um frade. Deserta a casa de S. Bento.

 

A multidão convulsa invade a portaria:

- "Fogo ao convento! fogo à igreja, à sacristia!"

O incêndio lavra, estoira o vigamento a arder.

 

Em baixo, o povo dança. E uma mulher grosseira

grita, rouca, atirando um Missal à fogueira:

- "Tanto livro, e ninguém nos ensinou a ler!"

topo

 

 

 A Poesia Eterna, por Marco Dias . Todos os direitos reservados.