Vinícius de Moraes & Chico Buarque

Vinícius de Moraes é CENSURADO e outras bobagens dos nossos dias...
Não, não voltamos a ditadura. O que os militares não fizeram, fizeram os advogados da Sra. Luciana "Moraes". Imagino estes senhores como uma espécie de Darth Vader
sem efeitos especiais.
Usura, ganância...
O poeta produzindo poesias com código de barras "prá botar na prateleira". Pra vender, pra ganhar, pra lucrar, pra consumir... Será que não somos nós que estamos nos autoconsumindo? Nem Kafka pensou numa coisa tão alucinada... Quem é que "tá" ganhando? Quem é que "tá" lucrando? Como vender drogas para crianças da pré-escola é proibido por lei, vamos "arrumá um geito de si dá bem"?
Vinícius está proibido e mesmo sem ter sido notificado, me adianto... Se um companheiro é preso, eu vou junto, se um é torturado, também faço questão. Se censuram alguém, também estou e daí? Questão de princípio... mas não me calo. Eu adoro uma guerra perdida.
Não podemos mais andar na rua, a violência, a falta de perspectiva de futuro, o desemprego, a corrupção. Sem ensino, sem moradia, sem assistência médica, sem dignidade, sem orgulho...
Mas agora ainda é proibido sonhar, é proibido sentir, é proibido dividir seu sentimento com outros? É a derrocada final, o homem criado a imagem e semelhança de Deus chega ao fundo, ao mínino... Menos que um verme, menos que uma máquina... Nada, nos tornamos nada...
Interesses comerciais transformaram nosso mundo no que ele é hoje, e a total falta de respeito pelo ser humano é conseqüência dele. Se as pessoas ditas "de bem" se matam por tostões, então esta é a mesma força que deve ter calado o poeta. Não foi a morte o seu fim, mas avidez de alguns.
Que venham as forças do mal!!!! Enquanto escrevo isso, os capangas uniformizados podem estar batendo a minha porta para me prender por ser livre, crime inafiançável. Eles, a chamada "justiça" é o leão-de-chácara dos poderosos e o carrasco, feitor e capitão-do-mato do povo. A justiça é igual para todos que tem dinheiro e além de cega, é surda, muda e manca.
"Os assassinos estão livres, nós não estamos..." Renato Russo
Está lançado o meu manifesto de rebelião.
"Prus doutores, lá vai....
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia..."
Valeu Chico.
Pela luz dos olhos teus
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
O meu amor
Chico Buarque
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele inteira fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Espírito Santo, PB, 1884 - Leopoldina, MG, 1914) lecionou literatura no Liceu Pernambucano e, no Rio de Janeiro, geografia, na antiga Escola Normal e no Colégio Pedro II. A nota predominante em sua temática é a morte, a morbidez, o pessimismo; seus versos, vazados em forma lapidar e de metrificação disciplinada e musical, encerram, por vezes, extravagâncias vocabulares até então inusitadas, em que enxameiam termos técnicos, alguns abstrusos e antieufônicos, valorizados, porém, pela expressividade trágica que lhes comunicava o poeta.
É autor de um único livro,
"Eu" (1912), que, a partir da 2.ª edição, póstuma, se publicou com o título de "Eu e outras poesias" (1919).
Versos íntimos
Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo, Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja esta mão vil que te afaga,
Escarra nesta boca que te beija!
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epgênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Augusto dos ANJOS