Textos inéditos


Do baú de inéditos de Cora Coralina, publica uma poesia e duas crônicas:


Coração é terra que ninguém vê


Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.
Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.
Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão
Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração.
Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...


Francisco Xavier


Seu nome é uma bandeira de Paz, Esperança póstuma que se estende das cidades aos pequenos e humildes arruados do nosso país. É esperança do "depois", numa Misericórdia e Justiça de todos os tristes e injustiçados do mundo.
Quando tudo na vida tende à aridez e incerteza, sua palavra de mestre de esperança é óleo que unge e suaviza. O caminho de sua casa é palmilhado pelos tristes, cansados e desesperados, e ali o verbo confiante e fraterno levanta perdidas esperanças; é o renascer de vidas novas.
Cada um traz a sua carga de angústias que a caridade do Apóstolo dos tempos presentes reanima, conforta na fé que desfalece. O triste vacilante levanta e segue para frente. Volta renovado, revive em espírito novo. (...)


Goiás de antigamente


Goiás apesar de algumas tentativas feitas no passado por uns poucos idealistas nunca foi uma cidade onde vingassem as indústrias.
Ressalvando a indústria extrativa do ouro e de sua Casa de Fundição desse mesmo ouro nada mais foi muito longe aqui como atividade industrial.
Nem podia ser diferente.
Perdida nesses centros sertanejos e só justificava por um desacerto do bandeirismo errante ávidos de ouro e de lugares para escravizar e mais da possa segura de léguas e léguas de terra de boas sesmarias.
Certo foi que as bandeiras alas quando as lindes da pátria e integrando o Brasil na sua dimensão exorbitante davam para todos que nelas se incorporassem vantagens proveitosas e melhoras de fiar, sem dúvida com seus perigos e riscos.
(...)
A gleba no passado como no presente exercia seu fascínio milenar e o braço escravo era barato, fácil e forte para o amanho rude, o pastoreiro largo, o desbravamento imperioso, as construções primitivas e a fixação definitiva.
Daí povoados vilas e aldeias e a própria Via Boa de Goiás, por um erro de visão topográfica condicionada pelo rio vermelho se achar malassentada sem nenhuma prospecção que justificasse reta rebaixa da Serra Dourada retardando de dois séculos o progresso do estado

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