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“Sempre gostei de estórias de família, principalmente da minha.”
A primeira vez que estive na Itália, senti uma
saudade indefinida e melancólica em alguns lugares que visitei.
Hoje sei que minha memória genética, falou mais alto.
Em 1996 soube que uma irmã de meu pai havia
reconhecido a cidadania italiana através do meu bisavô, Giuseppe Lovisaro.
Ela me enviou cópias de alguns documentos. Comecei meu acervo e descobri
porque gostava tanto da Itália.
Em
um ano, minhas duas filhas e eu éramos reconhecidas como cidadãs italianas
na Comuna de Cavarzere (Veneza). Para mim a cidadania não era tudo,
precisava saber como e de onde viveram estes seres queridos e comecei
minhas pesquisas que estão longe de terminar, mas já posso apresentar meus
antepassados e queridos guerreiros.
Giuseppe Lovisaro nasceu em 1855 na cidade de
Cavarzere (Veneza), estudava em um seminário e seguia a carreira que os
pais haviam sonhado para ele, ser padre. Mas o amor por Angela Caldin
foi mais forte. Casaram-se em 1877.
Certidão de
casamento de Giuseppe Lovisaro e Angela Caldin
acervo familiar - reprodução
proibida sem a devida autorização
Em 1888 vieram para o Brasil com cinco filhos:
-Angelo Natale (Seraphin)
- Antonio Santin, Fortunato
-Guglielmo
-Francesco Giuse
e uma irmã do Giuseppe
- Maria Lovisaro, que ajudou o casal na aventura.
O embarque seria no Navio Solferino, em 5 de
novembro de 1888, mas ficaram no Porto de Gênova até 9 de novembro, quando
embarcaram no Navio Frisia, chegando a Santos, em 10 de dezembro.Foram
para a fazenda de Avelino Novaes Teixeira, em Valinhos (SP), onde criaram
os filhos e ali nasceram mais quatro.
Família Lovisaro
**Caso identifique alguma pessoa
presente nesta foto, entre em contato, e nos ajude a identificar todos os
familiares que fizeram parte deste momento.

acervo familiar - reprodução
proibida sem a devida autorização
Meu
avô Cesar foi o primeiro a nascer no Brasil em 1892.
Depois
chegaram Avelino, Anna e Rosa. Todos trabalhavam na lavoura e meu avô se
apaixonou por Luiza Favaron, filha dos imigrantes Antonio
Lodovico Favaron e Giuditta Carraro, de Mogliano-Veneto
(Treviso), que chegaram ao Brasil no mesmo ano que Giuseppe.
Cesar tinha 20 anos e Luiza, 17, quando se casaram.
Ele, bondoso e dócil; ela, forte e determinada. Pais
de 10 filhos:
-Antonio, Arthur
- João, Lourdes
- Nair, Zenaide
- Luis (gêmeo com) Isabel
- Marta
- e meu pai, Artelino Alberto Lovisaro, nascido em 1917 na Fazenda
Boa Vista Arraial dos Souzas, Campinas - (SP). Hoje com 90 anos, tem uma
memória incrível e uma excelente saúde.Apaixonado pela terra e pelas
óperas, ainda tem ótima voz.Era tenor e cantava no coral do Teatro
Municipal de São Paulo.Assiste à todas as óperas pela TV, grava em DVD e
manda as gravações para o irmão Luis, que mora no RJ.
Entre muitas histórias, meu pai conta que o avô Giuseppe, por ter estudado
no seminário, tinha uma letra linda e registrava os livros da fazenda,
recebia do Vaticano, medalhas, santinhos e sementes para distribuir e
plantar no Brasil.
Os
domingos de crisma eram dias de festa para os pequenos Lovisaro.
Giuseppe pegava os netos, colocava-os no bonde da Estrada das Cabras, em
Joaquim Egídio (Campinas), dava pirulitos e balas para todos, que ficavam
felizes até chegar à igreja. Ensinou a todos a amarem a música e a Deus,
todos os filhos de Giuseppe tocavam um instrumento musical.
Meu avô César tocava trombone e também ensinou os filhos a amarem a
música. Oito filhos de Cesar e Luiza estão vivos e com muita saúde.
Em
1997 visitei os parentes do meu bisavô Giuseppe em Chioggia (VE).
Na Itália, a família é pequena, apenas 11 pessoas alegres e simpáticas. No
Brasil somos muitos: 386 pessoas vivas, que já catalogamos, até o momento.
Tenho uma grande colaboradora, a prima Dri Luvisaro.
Na
verdade ela pesquisa mais os vivos e eu os mortos. Ela me deu um grande
incentivo nas pesquisas dos vivos. Ficamos fascinadas cada vez que
descobrimos um elo entre nós. Hoje tenho muitos parentes e documentos,
resultado de pesquisas que fazemos com parentes, pela Internet, em sites
de genealogia, e nas Comunas da Itália.
Os
nomes se modificaram, tiveram variações do original Lovisaro para Luvisaro,
Lovizaro, Luvizari, Luvisari, mas somos todos uma grande família.
Agora nosso objetivo é encontrar os descendentes de Anna Lovisaro,
uma das duas filhas de Giuseppe e Ângela, que nasceu no Brasil.
Meu sonho de uma grande família vai se tornando realidade, apesar
de todas as dificuldades nas pesquisas. Com a lei de “aportuguesamento”
dos nomes, demoramos para achar Francesco Giuse Lovisaro (filho de
Giuseppe), nascido em Cavarzere, que emigrou com apenas seis meses de
vida, morreu aos 49 anos na Fazenda Santanna, em Campinas, como José
Lovizaro. Muitos ainda vão aparecer nesta história sem fim, nós não
vamos parar, temos muitos Lovisaro a descobrir.
Eu escrevo e documento tudo que posso, para a
memória não me trair e tenho a sensação de que resgato um pouco da busca
“deles” pelos parentes e amigos que se perderam na grande travessia.
Sou de origem vêneta por parte de pai e calabresa por parte de mãe.
Pesquiso no Brasil e na Itália as famílias:
Lovisaro / Caldin / Crivellaro / Bondesan / Marzolla / Molinari /
Candia / Paradiso / Patta / Moliterni.
São Paulo, 26 de abril de 2007
“Maria Cristina Lovisaro da Silva, 55 anos."
crislsilva@terra. com.br
crislovisaro@ yahoo.com. br
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