Capítulo 48

Zachary>> Vem. - Sorrindo de leve e apalpando a rede.

Gabriela se ajeitou e deitou do lado dele, cobrindo-o com o cobertor e colocando o travesseiro atrás de sua cabeça.

Gabriela>> Eu tava com saudade. - Ele riu.

Zachary>> É, eu também.

Gabriela>> Voxê ainda tá bavo?

Zachary>> Bavo? Não.. tiste.

Gabriela>> Puquê?

Zachary>> Puquê eu vi o quanto voxê é importante pa mim e ixo me axusta.

Gabriela>> Num axusta não, voxê também é importante pa mim.

Zachary>> Ahh mas você não tem idéia de quanto assusta! Você sabe qual é a história do cupido?

Gabriela>> Hmm.

Zachary>> É um deus que flecha as pessoas..

Gabriela>> Isso eu sei.

Zachary>> E o outro nome do cupido é 'amor', sabia?

Gabriela>> Não, pra mim era só cupido.

Zachary>> E a sua simbologia é uma criança, porque o amor deixa as pessoas infantis. Que nem a gente estava agora, entende?

Gabriela>> Entendo. Que lindo. Zachary Hanson também é cultura.

Zachary>> Cultura? - Riu sozinho. - Coisas que você me faz interessar, só isso.. aprendi isso com o Taylor um dia desses.. e só prestei atenção pra te falar um dia. - Ela sorriu.

Gabriela>> Tem um poema do Tomás Antônio Gonzaga de que gosto muito. É tipo uma historinha dele falando com o cupido, que pede para que ele escreva num tronco a palavra 'amor'.. daí o rapaz vai escrever só que em vez de amor, escreve Marília, que é o nome de sua amada.. então o cupido fala: 'Não temas, Dirceu, não mudes de cor.. nesse doce nome escreveste amor'

Zachary>> Bonito. Você entende bastante de poesia, pelo visto.

Gabriela>> É, desde pequena fui introduzida à literatura.

Zachary franziu as sobrancelhas, meio sem entender. Ela não era pobre? Morava numa favela? Como tinha tanta cultura? Ele preferiu não tocar nesse assunto, a fim de não ofendê-la.

Enquanto isso..

Isaac>> Tô afim de fazer uma loucura.

Paola>> É, o quê? - Abriu um sorriso de criança.

Isaac>> Ah.. sei lá.. cair no rio agora!

Paola>> Tá doido, menino? Correnteza de rio é algo muito perigoso!! Sem condições!!!

Isaac>> Ahhh mas que droga.. eu queria muito fazer alguma coisa.

Paola>> Vamos continuar brincando, ué.

Isaac>> Não, algo que a gente saia de casa. Ah, você viveu sua infância toda aqui praticamente, eu quero aproveitar. Desde quando era moleque queria me meter numa fazenda.

Paola>> Já sei! Tem uma cachoeira que cai num lago... não é perigoso porque não tem correnteza. O lago nem é muito grande. Na verdade, é como se fosse uma piscina de água natural.. porque não é exatamente um lago. Ahh... vamos, lá eu te mostro.

Isaac>> Ok, vou trocar de roupa. - Os dois foram em direção ao armário, e ele de vez em quando olhava para o lado. Via que Paola vestia calça jeans, bota, casaco. - A gente tá indo prum rodeio ou cair numa cachoeira?

Paola>> Ô bonitão.. aqui não é o Wet 'n' wild. A gente vai ter escalar um morro, vai ter muito mato.. cobra. Sacou? E ainda por cima vamos a cavalo.

Isaac>> Tô começando a me arrepender desta idéia.

Paola>> Deixa que eu escolho uma roupa pra você. - Foi o que ela fez.

Quando Isaac já estava pronto, os dois foram em direção ao estábulo. Não era muito grande, tinham alguns cavalos, todos muito bonitos e bem tratados. Escolherem os seus cavalos e saíram galopando dali, lado a lado.

Isaac>> Não corre muito porque minhas bolas estão doendo! - Ela riu.

Paola>> É só você controlar o teu cavalo.

Isaac>> Mas quem tá controlando o meu cavalo é o teu.. indiretamente você. - Ela riu.

Paola>> Depois te ensino a não deixar isso acontecer. - Mandou um beijinho pra ele.

Isaac>> Falta muito?

Paola>> Falta.

Isaac sentia-se num filme, onde ele era o mocinho e Paola a vítima que ele deveria salvar. Ficou viajando nisso, fazendo caras e bocas, enquanto se imaginava pulando de um cavalo para outro, a fim de ajudá-la.

Paola>> Ike? Responde!

Isaac>> Uhhn?

Paola>> Ihhh.. tô vendo que nem tava aí, né? - Ele riu, concordando.

Isaac>> Falta muito?

Paola>> Falta.

Isaac ficava se ajeitando, se remexendo, enquanto o cavalo seguia o mesmo ritmo. Ele não enxergava muita coisa, estava de noite, mas Paola tinha experiência naquilo. Ele nem guiava o cavalo, só mantinha as rédeas firmes para que ele não disparasse sem rumo.

Isaac>> Falta muito?

Paola>> Falta. - Ele bufou, já estava ficando impaciente. - Olha a paisagem, querido.. respira fundo.. aproveita o ambiente. Olha ali, que lindo. - Apontando para a direita, Isaac olhou. Era um rastro de vaga-lumes, que brilhavam em azul. Ele coçou os olhos, forçou a vista. Azul??

Isaac>> O que é isso?

Paola>> Vaga-lume!

Isaac>> Vaga-lume azul?

Paola>> Ahan! - Sorrindo.

Isaac>> Lindo mesmo.

Paola>> E olha aquilo ali!! - Apontando para o céu, completamente estrelado. Ele sorriu, se perdeu do tempo naquele céu. - Olha a lua, Ike.. cheia. Linda!

Ele aumentou o sorriso, em volta da lua tinha um anel dourado, era uma das paisagens mais lindas que ele já havia visto.

Paola>> Chegamos. - Ele levou um susto.

Isaac>> Já?

Paola>> É.. - Desceu do cavalo.

Isaac>> Foi tão rápido. - Ela riu.

Paola>> Vocês que estão desacostumados com a vida do campo esquecem como o tempo passa quando apreciamos o caminho.. sei lá, é sempre tudo engarrafado, tudo cheio de prédio, cheio de poluição, a gente se acostuma a ficar concentrado só no ponto de chegada..

Isaac>> É verdade. - Desceu também.

Eles amarraram os cavalos numa árvore e começaram a subir um morro. Estava um pouco íngreme, mas nada que eles não conseguissem subir levemente deitados. O barulho da queda d'água ia aumentando, até que eles chegaram numas pedras que davam para a cachoeira. Era como se fosse um lago, e a água escorria pelas pedras, dando numa outra cachoeira lá embaixo. Eles tiraram as roupas, Paola pulou na água.

Paola>> Aiiiiiiiiii que frio!! - Levantando-se. A água cobria até seu umbigo. - Vem? - Ele ficou quieto, olhando para ela. - Ike?

Isaac>> Uhhn?

Paola>> Que foi? - Com um sorriso tímido.

Isaac>> Tô vendo como você é linda. - Entrou na água logo em seguida, indo até ela.

Eles se beijaram, ela o puxou pelo braço o levando até a queda d'água. Eles ficaram ali, se beijando, abraçando, tremendo com o frio, mas se esquentando um com o calor do outro.

No quarto de Taylor e Nathalie..

Taylor rolava de um lado para o outro da cama, mexendo as pernas a fim de tirar o cobertor de si. Nathalie acabou acordando, olhou para seu marido, que estava suado e inquieto. Ela terminou de tirar o cobertor e acariciou seu rosto.

Taylor>> Mmmm..

Nathalie>> Tá tudo bem? - Sussurrou baixinho no seu ouvido. Ele continuava murmurando coisas que ela não entendia.

Taylor>> Mmmm..

Nathalie>> Amor? - Apalpando de leve seu peito.

Taylor>> Hmm? - Acordou num susto.

Nathalie>> O que houve?

Taylor>> Ai.. sei lá. - Coçou os olhos, ainda estava sonolento.

Nathalie>> Como assim sei lá?

Taylor>> Tive pesadelo. - Ela sorriu.

Nathalie>> Não se preocupa.. já passou.

Taylor>> Passou não. - Tossiu. - Tá doendo ainda.

Nathalie>> Quer me falar?

Taylor>> Vou tentar.. - Respirou fundo. - Tem a ver com o Erza.. tive a sensação que não o veria de novo.

Nathalie>> CREDO!

Taylor>> É.. bota credo nisso. - Ligou o lampeão que estava ao lado da cama. - Liga pra sua mãe, pergunta como ele está, por favor?

Nathalie>> Ok. - Ela pegou o celular e tentou. - Não tô conseguindo.

Taylor>> Aqui não tem telefone?

Nathalie>> Não.

Taylor>> Putz.. - Nathalie o abraçou.

Nathalie>> Não deve ter sido nada querido, só um sonho ruim. Você deve estar assim porque a gente nunca ficou tanto tempo longe dele.

Taylor>> É eu sei.

Eles ficaram abraçados e Nathalie passou o resto da madrugada ninando Taylor, até que ele pegasse no sono. Já Zachary e Gabriela não dormiam e nem pretendiam que isso acontecesse. Ficaram se beijando, rindo embaixo da coberta com medo de alguém pegá-los ali, daquele jeito. Zachary abaixou a bermuda e piscou pra ela, tirando a parte de baixo dela também.

Gabriela>> Ahhhhhh que vergonha!!

Zachary>> Shhhhh! Se alguém aparecer é só a gente ficar quietinho aqui e fingir que nada aconteceu. A coberta tampa.

Gabriela>> Ok.. - Ele colocou a mão por debaixo da blusa dela, que ria. - Ai paraaaaaaa! Por favor!

Zachary>> Ahh, Gaby.. tá vendo essa garrafa aqui? - Mostrou uma garrafa que estava encostada na parede da casa.

Gabriela>> Ahn?

Zachary>> É catuaba. Eu andei dando umas bebidinhas.. tô com um fogo! Não é que esse negócio funciona? - Ela não conseguia parar de rir.

Continuaram se beijando, se tocando, até que o clima esquentou. Eles estavam ofegantes, Gabriela bebeu um pouco de catuaba e continuou o amasso.

Zachary>> Tô sem camisinha.

Gabriela>> Ahh.. vamos fazer sem mesmo. - Ela era fraca pra bebida, aqueles goles que havia tomado já tinha dado efeito.

Zachary>> Hmm.. - Ficou pensativo. Ela não deu espaço para esse pensamento e tocou sua genitália, ouvindo Zachary gemer.

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