Capítulo 19
Era óbvio que Zac mal
conseguira dormir naquela noite. Era óbvio, também, que ele foi o primeiro a
acordar, e 7 horas da
manhã já estava batendo na porta de seus irmãos.
Taylor>> Eita, pra que acordar essa hora? - Sonolento, com uma bermuda toda
colorida, de dormir.
Zachary>> Cara, mas que bermuda escrota.. - Rindo. - Mas, falando sério agora..
a Gaby não tá legal, teve sangramento e tudo mais. Precisamos ir prum hospital.
- Isaac tinha saído de seu quarto naquela hora, com um sorrisão no rosto. Assim
que ouvira a notícia, fechou o sorriso.
Isaac>> E por que você não acordou a gente pra ir de madrugada?
Zachary ficou olhando para Isaac, com uma cara idiota. Ele nem tinha pensado
nisso na hora do nervosismo.
Zachary>> Agora já não interessa mais... vamos! Vamos! - Saindo dali.
Todo mundo se apressou, estavam morrendo de fome e quando viram uma padaria
furreca no meio do caminho, pararam pra comprar alguma coisa. Comeram durante a
viagem mesmo, para não perder mais tempo. Gabriela ia no banco de trás, deitada,
com a parte de cima do corpo sobre Zachary, que acariciava seu cabelo.
Nathalie>> Cê tá emporcalhando tudo... - Murmurou, tirando uns farelos que
caíram na perna de Taylor, que estava dirigindo.
Taylor>> Ai deixa de ser implicante. - Batendo na perna, voou tudo pro chão.
Nathalie preferiu não dizer mais nada e ficou olhando a janela. Enquanto isso,
Isaac e Paola estavam no banco do meio. Eram três bancos, o da frente do
motorista e carona, o do meio e o mais atrás, que sempre era mais apertadinho.
Zachary e Gabriela adoravam aquele lugar, sempre sentavam ali.
Isaac estava um pouco afastado de Paola, encostado na janela, olhando para o céu
azulzinho. Respirou fundo, pensou em sua vida e tudo mais. Queria tanto largar
tudo e ficar com Paola, a noite anterior fora inesquecível. Não costumava ser
assim com outras garotas... um exemplo mesmo disso era Kate, que era uma garota
linda, super legal e que ele não conseguira se apaixonar. Mas, Ike era carente
demais pra ficar sozinho, principalmente triste por causa de Paola. Kate era
basicamente um "step" para as situações de solidão, caso Paola não estivesse por
perto. Pra falar a verdade, sempre pretendia evitar Paola, porque ele sentia que
cada vez mais quando não resistia a ela, a situação piorava. Seu coração doía
mais, sentia mais falta. Sentia, principalmente, a necessidade de dividir o
momento do dia seguinte com ela.
Ele olhou para Paola, que estava quietinha ouvindo seu mp3 player, parecendo
estar pensativa. Como Isaac queria tocá-la, abraçá-la, ficar trocando palavras
no ouvido se referindo ao que fizeram ontem. Mas não podia. Isaac bufou,
inconformado e ela olhou pra ele. Não tinha ouvido ele bufar, nem dava pra
ouvir, mas simplesmente olhou pra ele.
Paola>> O que foi? - Baixinho, não queria que ninguém escutasse.
Isaac>> Nada.. - Baixou o olhar, e em seguida a encarou. - Só estou ansioso pra
chegar logo.
Paola>> Uhmmm. - Sorriu de leve.
Mais atrás, Zachary não deixava o cabelo de Gabriela em paz, percorrendo com os
dedos da cabeça até as pontas. Ela brincava com a outra mão de Zac, que estava
desocupada. Virou um olhar de criança para ele, como quem quisesse alguma coisa.
Zachary>> Que foi?
Gabriela>> Quero chocolate. - Zachary soltou um riso.
Zachary>> Chocolate, Gaby? Onde vou arranjar um chocolate?
Gabriela>> Não sei, Zac. Mas eu quero chocolate. Eu PRECISO.
Zachary riu um pouco mais, acariciando o rosto dela.
Zachary>> Taylor..
Taylor>> Quê? - Olhando pro retrovisor.
Zachary>> Quando você passar por alguma lojinha, ou coisa do tipo... você pára.
Taylor>> Ok.
Zachary olhou para Gabriela.
Zachary>> Só acho que vai demorar. - Ela fez carinha de choro. - Hey, calma..
nem sabia que gostava tanto de chocolate assim.
Gabriela>> Tá.. tô calma..
Zachary passou a viagem inteira olhando para o rosto de Gabriela, estava tão
preocupado que mal conseguia se tocar da situação em que estava. Ela, ali,
deitada em seus braços. Linda como sempre, perfeita. Ele precisava dela, seu
coração começou a bater tão forte que parecia sair pela boca. Gabriela pôde
perceber o olhar de carinho dele, então ela deu um sorriso leve. Aquilo foi
mágico para ele, ela nem podia imaginar quanto.
Ele, ainda a segurando firme, não tirou seus olhos do rosto de Gabriela. Até
que, sem perceber, estava fitando seus lábios. Gabriela, que até então não
deixara de encará-lo, percebeu. Inclinou de leve o rosto e fechou os olhos. E
agora? E agora? O qeue ele iria fazer?
Ficou um silêncio enorme, nem parecia que tinha mais gente ali, nem parecia que
alguma música estava tocando no toca cds do carro. Ela ficou parada, com o rosto
inclinado, os olhos fechados, o coração pulsando, a mão suando de tão nervosa.
Até, que, sentiu algo tocar seus lábios. Ela respirou fundo, sentindo o cheiro
da boca dele, aquele cheiro único, mágico, perfeito. Aquele cheirinho
inesquecível da boca do Zac.
Os lábios dos dois estavam apenas colados, ela abriu os olhos, vendo as
bochechas, o rosto, o cabelo dele. Era ele mesmo.. era ele.. e estava com os
lábios sobre os dela. Então, Gabriela fechous os olhos e abriu a boca, nesse
exato momento sentiu a língua de Zachary entrar por ela. Gabriela respirou fundo
novamente, o coração naquela hora tinha parado. Zachary a apertou mais contra
si, ele sempre fazia isso quando a beijava, ela não entendia direito o motivo,
mas nem importava.
Então, ele colocou a mão na nuca dela, acariciando-a, e o beijo continuou. Doce,
suave..
Para Zachary a situação não era diferente. Ao beijá-la, sentia o mesmo cheiro
maravilhoso e encantador de sempre. Ele brincava sem perceber com a boca dela,
prendendo-a e soltando-a entre seus lábios. Ele a apertava para si, não queria
ela nem um centímetro longe dele. Ela era dele.
Gabriela sentia, de um modo curioso, a boca de Zachary tremendo sobre a boca
dela. Era algo bem de leve, mas dava para sentir. Mas, isso ficou esquecido
quando, no meio do beijo, ela sentiu algo molhado na própria boca. Ia parar o
beijo, não sabia o que era, mas abriu os olhos antes. Era um caminho fino e
molhado que via de um dos olhos de Zachary até a boca dos dois. Ele estava...
chorando.
Ela, na hora do susto, tirou a boca. Ele abriu os olhos na hora, a encarou.
Sentiu seu próprio rosto molhado, enxugou o mesmo, estava tão envolvido com ela
que não percebera a lágrima escorrendo de seus olhos.
Gabriela>> O que foi, Zac? - Murmurou, tocando o rosto dele. Ao sentir seu
toque, Zachary fechou os olhos, se derretendo na mão dela.
Zachary pegou a mão de Gabriela e a beijou, voltando a olhar pra ela.
Zachary>> Nada não, Gaby. - Sorriu. - É melhor a gente esquec..
Gabriela>> Não, eu não vou esquecer. - Encarando-o, séria. Agora, eram os olhos
de Gabriela que estavam cheios d'água, mas não havia rolado nenhuma ainda.
Zachary ficou encarando-a por um tempo, o que diria a ela? Era só passar esses
momentos bonitos e maravilhosos que aconteciam entre eles que ele se lembrava do
dia em que a viu beijando Taylor. E isso era imperdoável, por mais
arrependimento que ela demonstrasse. Era isso que Zachary pensava em relação a
Gabriela.. que ela havia ficado com Taylor mas agora estava arrependida.
Gabriela>> Eu te amo, Zac..
Ele abriu a boca pra responder, quando Taylor freou.
Taylor>> Chegamos.
Todos saíram rapidamente do carro, Isaac abrira a porta para ajudar Gabriela a
sair. Taylor e Nathalie olhavam em volta, verificando se tinha algum outro
hospital fora esse, onde o carro estava estacionado. Paola continuava quieta,
ouvindo o mp3 player.
Zachary ficou olhando Gabriela abraçada de lado a Isaac, ela também olhava para
ele. Esperava uma resposta.
Isaac>> Eu vou levando a Gaby pro hospital, Paola cê cuida do carro?
Paola>> Pô, eu quero ir também. - Nathalie e Taylor concordaram, também queriam
ir.
Isaac>> Zac?
Zachary>> Blz.
Gabriela olhou para Zachary com uma cara de decepção enorme. Ele era a única
pessoa que ela fazia questão de que fosse junto, era a única pessoa que ela se
sentia protegida de verdade, e era o único que ficaria ali no carro?
Zachary percebeu o olhar dela, acabou que se sentiu culpado por aquela atitude.
Por que tinha que ser tão orgulhoso?
Ele ficou olhando em volta, até que ficou ansioso demais para ficar ali
esperando. Não iria acontecer nada com o carro mesmo, então resolveu comprar um
jornal, o botou no bolso de trás da calça, dobrado, e seguiu para o hospital.
Iria ver como Gabriela estava.
Quando chegou no hospital, Zachary passou por uma lojinha - dentro do hospital
mesmo - e comprou uns chocolates. Seguiu para a recepção, perguntou onde era a
emergência e foi procurando seus amigos. Achou Paola, Isaac e Taylor sentados
numas cadeirinhas. Gabriela e Nathalie já estavam dentro do consultório sendo
atendidas.
Zachary>> Droga, a gente vai ter que ficar aqui esperando???
Isaac>> Zac, você não ficou olhando o carro?
Zachary>> Não, foi mal.. tava demorando muito. Será que eu posso entrar?
Paola>> Olha, o médico até deixaria mais um entrar.. mas sei lá, você vai entrar
no meio da consulta??
Zachary>> Uhm.. - Estava começando a ficar nervoso.
Nathalie saiu de dentro do consultório, para dar notícias.
Nathalie>> O médico não tem certeza do que é ainda não.. vão fazer uns exames..
exame de sangue e tal.. e estão acionando um ginecologista de emergência. Vai
que é alguma inflamação no útero ou coisa do tipo..
Zachary>> Um ou uma?
Nathalie>> Como assim?
Zachary>> Ué.. homem ou mulher?
Nathalie>> Homem, por quê?
Zachary>> E vocês não se importam de um homem desconhecido sair vendo o negócio
de vocês? - Nathalie e Paola rolaram de rir. Zachary achou melhor deixar pra lá.
Nathalie viu um médico se aproximando da porta, e indicou com o dedo, todos
entenderam que era o ginecologista.
Zachary>> Deixa eu entrar, deixa eu entrar?
Nathalie não achou uma boa idéia, Gabriela iria fazer um exame ginecológico e
Zachary estaria ali dentro? Era no mínimo constrangedor...
Mas Zachary não daria o braço a torcer, os dois ficaram um tempão discutindo
quem entraria ali, até que Zachary venceu. Ele deu um pulinho, pegou os
chocolates que havia comprado e abriu a porta do consultório.
"É.. era o que eu desconfiava..." - O médico.
"É isso mesmo, Gabriela... você está grávida!" - Ginecologista. - "Agora é só
esperar o exame de sangue chegar, mas.. é uma certeza que lhe dou!".