Capítulo 22

Isaac>> Aaaaaai.. tô morrendo.. - Murmurou sentado no banco do carro, enquanto Taylor seguia viagem.

Taylor>> Man, talvez você também esteja grávido. - Não demorou muito para Isaac levantar o dedo do meio para o irmão. As meninas só riam.

Paola>> Ike, você quer voltar? Se você quiser, tudo bem..

Isaac>> Você volta também? - Com um rostinho de criança.

Paola>> Claro que não, eu tô doida pra acampar!

Isaac>> Bahh! - Olhou para a direção oposta de Paola.

Taylor>> Esquece o Ike, Lola.. só tá fazendo drama.

Isaac>> Drama??? Eu estou desidratado de tanta dor de barriga! - Sentiu algo sendo jogado na direção dele. Era uma garrafinha d'água.

Taylor>> Bebe água, então.

Isaac>> Mas eu preciso de água de côco.. saladinha de frutas.. assim que se cuida de uma dor de barriga.

Nathalie>> É, mas você só tem água.

Taylor>> Se você não beber a água, quem vai beber sou eu. - Isaac virou os olhos, já de saco cheio da viagem, da dor de barriga e tudo mais. Bebeu a água.

Paola>> Parece uma criança.. - Sussurrou para si mesmo, com as costas da mão na boca, olhando a janela.

Isaac>> Eu ouvi, tá? - Ela olhou pra ele.

Paola>> Tá. - E riu. Fez a maior cara de "é verdade mesmo, ué"

Fora Isaac reclamando de tudo e de todos, a viagem seguiu tranqüila. Por vários momentos, eles perceberam que seria bem melhor ter deixado ele em casa.

Taylor>> Cara, Ike.. quando você quer dar uma de mal comida você consegue.

Isaac>> Mal comida????????

Taylor>> É. Uma mulher velha, chata, rabugenta.. e.. MUITO mal comida!

Isaac>> Mal comida é tu, moleque!! - Bateu no banco de Taylor.

Taylor>> Ó, respeita o motorista! Quer que a gente bata com o carro?

Isaac>> Olhou para Paola, esperando que ela o defendesse.

Paola>> Que foi?

Isaac>> Não vai falar nada não?

Paola>> Eu não, você tá parecendo uma mal comida mesmo. - Ele não respondeu, cruzou os braços, puto, e ficou em silêncio. Por pouco tempo... já estava reclamando novamente.

Enquanto isso...

Zachary>> Gabriela, você... - Entrou no quarto que ela estava, de babydol até a altura do bumbum, mas ainda dando para ver parte dele. - Ele a olhou, de cima a baixo, ficou sem ar, sem palavras, ficou mudo, apenas olhando pra ela.

Gabriela o ouviu, mas estava tão distraída que demorou um pouco para se virar pra ele. Quando fez, não entendeu muito o olhar dele. Tinha tanto desejo naquele olhar que ela nem acreditou, nem achou que fosse possível ser desejo mesmo.

Gabriela>> Zac?

Ele a encarou, ainda em silêncio. A olhava como quem a culpava por ele estar daquela forma. Um olhar de "por que você faz isso comigo?". Aliás.. "por que você fez aquilo comigo?". E isso ela não entendia.

Gabriela>> Zac? - Ele saiu dali, às pressas, correu para o banheiro e se trancou lá. Sentou no vaso tampado, deitou os cotovelos em suas coxas e repousou sua cabeça em suas mãos.

Gabriela foi atrás, lógico, sem entender muita coisa. Bateu na porta, inúmeras vezes, chamando por ele.

Gabriela>> Zac, Zac!! Por favor, o que foi?? Você não tá se sentindo bem?

Zachary>> Gabriela, vai embora! Me deixa, sério!

Gabriela>> Não antes de você me falar o que foi!

Zachary>> Eu não vou falar bosta nenhuma!

Gabriela>> Zac, por favoooooooor..

Zachary>> Pára, eu tô perdendo a paciência!!

Gabriela>> Grande novidade.. - Murmurou baixinho. - Zac, sério. Eu fico preocupada com você. Por favor, abre a porta.

Zachary>> Não, Gaby, me deixa, só preciso ficar sozinho!

Gabriela>> Mas eu não quero ficar sozinha.. - Choramingou.

Ele bufou, sem paciência, se levantou e abriu a porta. Olhou para ela puto, desviou o olhar logo em seguida.

Zachary>> Pronto, não está mais sozinha.

Gabriela se aproximou mais de Zachary, até colou o corpo no dele. Olhou pra cima, era bem mais baixinha que ele, e acariciou seu rosto. Os olhos de Zachary se fecharam automaticamente, e ela passou a acariciar o rosto dele com as duas mãos, até encaixá-las em suas bochechas.

Gabriela>> Me fala o que tá acontecendo com você.

Ele abriu os olhos, ela estava ali bem perto, o olhar esperançoso por alguma resposta. Uma das mãos de Gabriela foi até a nuca dele, seu corpo se arrepiou todo, ele até suspirou. Ela sorriu, vendo que surtia efeito..

Gabriela>> Me beija, Zac.

Zachary sentiu seu rosto, corpo, pensamento, todo travado naquela hora. Não esperava que ela iria pedir um beijo, não esperava mesmo. Os dois deram um pulo de susto, quando o telefone tocou.

Zachary>> Graças a Deus.. - Pensou alto, falou, indo atender o telefone. Gabriela, mesmo chateada pelo telefone ter interrompido, achou até engraçado ele sair assim, dizendo 'graças a Deus'.

Ela foi andando atrás dele, pensativa.. por que ele tava tentando resistir a ela? Isso era algo que Gabriela não entendia.. tudo bem, ela entenderia se ele não a quisesse mais. Mas não era o que ele demonstrava, ele a queria sim. Chegou no quarto em que Zachary estava no telefone, falando com Taylor.

Zachary desligou, ao se virar, viu Gabriela. Olhou meio sem graça pra ela, estava até meio vermelho de vergonha. Estavam para se beijar a pouco.. ficou uma cena meio constrangedora. Mas, acreditou que iria ficar por isso mesmo e a vergonha iria passar.

Gabriela>> Por que você tenta resistir a mim?

Zachary>> Quê?!?!?!?! - Até abriu a boca, Zachary nunca ficou com tanta vergonha em sua vida. O coração bateu forte, queria se esconder em qualquer lugar, nem que fosse embaixo da cama.

Gabriela>> É, Zac. Você não está me beijando nesse exato momento porque não quer. E sim porque por algum motivo você não pode. E eu quero saber qual é.

Zachary só faltou desmaiar naquela hora. Ele até levou a mão ao coração e tossiu algumas vezes. Arregalou os olhos, e com a voz levemente rouca, disse:

Zachary>> Da onde você tirou isso?

Gabriela>> Por que você não pode me beijar? - Insistiu, olhando firme nos olhos dele.

Zachary>> Porq.. porque eu... porque eu não te amo, ué. Para beijar alguém precisa de amor.

Gabriela levantou na hora, nervosa.

Gabriela>> Você nunca precisou de amor pra beijar alguém. Não me venha com conversa fiada pra cima de mim que eu não sou idiota! Por que você não pode me beijar?

Zachary prendeu a respiração, olhando para ela com cara de cão sem dono, parecia que ia enfartar. Ele tentava falar alguma coisa, mas a voz não saía.

Gabriela>> HEIN, ZAC!

Zachary>> Porque.. porque.. - Botou a mão no coração. - Aiii meu coração.. aiiiiii.. tô morrendo... aiiiiiiiiiii.. tô sentindo uma pressão forte aqui dentro.. aiiiiiiiii aiiiiiiiiiiiiiiiii aiiiiiiiiiiiii meu braço esquerdo está doendo, isso não é um bom sinal!!..

Gabriela virou os olhos, indignada.

Gabriela>> Zac, pára, vai.. me responde.

Zachary>> Aiiiiiiiiii, tô morrendoooooooooooooooooooooo...

Gabriela>> Ah é?

Gabriela deu-lhe um beijo na boca, daqueles de tirar o fôlego. Ficou um bom tempo com a boca na dele, com os lábios se enroscando nos dele, com a língua fazendo o mesmo. Terminou o beijo e o olhou. Ele ficou parado, quietinho, olhando pra ela.

Gabriela>> Me beija você agora, Zac.. - Ele, ainda quietinho, fez que não com a cabeça, desesperado. - Por que não? Por que você não pode me beijar?

Zachary>> Porque você é feia!

Gabriela>> O QUÊ?!!!!!!

Zachary levou um tapa no braço e viu Gabriela saindo pela porta. Ele caiu na gargalhada, mesmo, até se deitou na cama de tanto que ele tava rindo. A cara que Gabriela fizera quando ele disse que ela era feia, foi a melhor de todas. Ele rolava de um lado para o outro na cama, chorando de tanto que ria.

Enquanto isso, Gabriela estava chorando no outro quarto, indignada, puta da vida, morrendo de vontade de matar Zachary. De picá-lo em mil e um pedacinhos.

Ela enxugou o rosto e voltou para o quarto em que Zachary estava, rindo. Assim que ele a percebeu ali, parou de rir, enxugando as lágrimas que tinha escorrido por seu rosto de tanto que tinha rido.

Zachary>> Desculpa, Gaby.. - Voltou a rir novamente. - Eu não queria te falar, mas..

Gabriela>> EU QUERO QUE VOCÊ NUNCA MAIS, MAS NUNCA MAIS MESMO.. ENCOSTE EM MIM, TÁ? FEIA É A BARANGA DA TUA MÃE!

Zachary>> Tá bommmmmmm.. - Voltou a rir.

Gabriela>> Eu tô falando sério, tá? Não quero beijo, abraço, não quero nenhum contato físico com você.

Zachary>> Ótimo!! - Piscou pra ela, ainda com vontade de rir. - Mas eu sou seu amigo, né. Abraço de amigo pode.

Gabriela>> NÃO, EU NÃO SOU SUA AMIGA, NEM QUERO SER SUA AMIGA. FEIO É VOCÊ!! SEU.. SEU GORDO!!!

Zachary>> Epa, gordo não. - Se levantou da cama na hora.

Gabriela>> É simmmmmm.. um pançudo!!

Zachary>> Bom, se você não é minha amiga, é o quê?

Gabriela>> A mãe do seu filho. Só isso. É a única coisa que nos une agora.

Zachary fechou o sorriso na hora, aquilo tinha magoado ele.

Zachary>> Ok. - Saiu do quarto e parou na porta. - Gorda é você! - Foi embora.

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