
Solidão
(Fase - I)
Não quero, através deste texto, alardear aos quatro cantos que o sofrimento é
o meu conforto e minha crucificação um gozo inefável. Minha dor e exposição
das feridas aos que me lêem não é um ato de autocomiseração, mas
sim a comprovação de que um poeta que tem no peito sangrento um
coração dilacerado transforma seu malíssimo viver no cerne da criatividade
quando se acentua a solidão. É doce minha amargura e forte minha fraqueza
diante da agonia insana que me prostra como pessoa,
mas me enaltece o espírito pela certeza de que a provação que me é imposta
tem cunho divinal. (Wilson M. Pereira).
A solidão pode
ser um sinal de dificuldade relacional, de realização social, mas não tem,
necessariamente, de ser sempre uma manifestação de doença. Tolstoi dizia:
"A solidão pode ser um momento de criação, de pensar e de rever; quando
associada a um caso de doença, de sofrimento, é habitualmente apelidada de
solidão sem memória".
Esse tipo de solidão notamos mais em doentes com dificuldade em se organizarem,
ou na terceira idade. São pessoas que nos falam de uma vida sem nada, sem conteúdos,
sem liames, sem aspectos gratificantes; uma vida em que, sobretudo, não foi
organizada uma rede de suporte, de afeto; cometem pecados veniais e fazem drama
com o propósito de chamar para si um pouco de atenção.
Tal qual sabedoria gnômica, posso afirmar que notamos, muitas vezes, nessas
pessoas, alguma ou total incompetência em criar essa rede. Isso resulta de uma
pobreza da capacidade afetiva, porque as relações sociais ou interpessoais implicam uma troca,
de afetos, de serviços. Assim como os inaptos apoiam-se na sinecura, os solitários
fazem sua base no isolamento nefasto, na somatização traumática, que
acentua cada vez mais a sensação de abandono, prostrando por terra valores recônditos
e a auto-estima.
De
quem hoje sente as fráguas da solidão! Eu precisava desse sentimento para me
sentir mais gente, mais humano e menos pretensioso!
(Continua na Fase - II)
Wilson
M. Pereira
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