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Resent-to: guineabissau@list.forward.net
Resent-date: Tue, 22 Jun 1999 10:52:41 -0400
From: sirajo@erols.com
To: guinea-bissau@list.forward.net
Date: Mon, 21 Jun 1999 23:51:04 -0400
Subject: Sete sinais de preocupação na Guine-Bissau
Sender: guineabissau@list.forward.net

Aqui segue um artigo de opiniao de autoria de Mario Matos e Lemos, ex- conselheiro na Embaixada Portuguesa. O autor apresenta uma analise interessante da situação politica actual na Guiné com implicações para os varios actores no processo.

Sirajo

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OPINIÃO

Sete Sinais de Preocupação na Guiné-Bissau
Por MÁRIO MATOS E LEMOS *
Segunda-feira, 21 de Junho de 1999

Celebrou-se no dia 7 de Junho o primeiro aniversário do levantamento militar que ao fim de 11 meses derrubou o Presidente João Bernardo Vieira, "Nino". Não sei quais foram as festas, mas parece que tudo corre bem: há restaurantes abertos, no Mercado do Bandim vende-se de tudo, como antigamente, à noite as "boites" funcionam com a alegria de sempre e até já foi eleita "Miss Bissau 1999". No próximo mês a TAP deverá retomar os voos e os bancos reabrir.

Todavia, receio que por detrás destes acontecimentos lúdicos outros sucedam, bem mais preocupantes. Talvez seja exagero meu, fruto de um modo de ser algo pessimista, mas, face ao actual contexto, algumas preocupações me assaltam.

Primeira preocupação - Logo a estragar a festa do 7 de Junho, o anúncio de que o antigo Presidente (antigo porque assinou finalmente a resignação ao cargo) já saíra do país, embora, claro, com a promessa de voltar para ser julgado. Suponho que a notícia tenha caído como uma bomba junto, pelo menos, daqueles antigos combatentes que diabolizaram "Nino" Vieira, que o consideraram culpado de todos os males e, se calhar, acreditaram que, uma vez derrubado e julgado, chegava uma era de felicidade (para eles). Já tinham acreditado há 25 anos e levaram todo este tempo a tomarem a desforra. Como vão reagir agora? Como irão ser apaziguados? Haverá algum preço a pagar? Por enquanto, está-se na fase dos comentários, mas talvez seja bom lembrar que, neste momento, os militares guineenses estão desenquadrados, praticamente sem comando e bem armados, pois as armas ainda não

Segunda preocupação - No PAIGC continua a existir uma luta entre facções - a mesma luta que já se travou no último Congresso do partido, em Maio do ano passado, mas agora com a facção de "Nino" Vieira eliminada. Helder Proença, que foi ministro todo-poderoso do Governo de Saturnino Costa, já falou num PAIGC renovado e há nomes de militantes que deverão ser "suspensos", por "demasiado próximos" do anterior Presidente. Tudo parece indicar que no próximo Congresso, previsto para Julho, disputarão a chefia do partido o actual Presidente da República interino, Malan Bacai Sanhá, e o líder partidário provisório, Saturnino Costa. Os mesmos de que se falava em Maio de 1998 e que acabaram por não fazer face a "Nino" Vieira.

Terceira preocupação - Na Guiné-Bissau vigora, neste momento, uma ditadura militar que dificilmente consegue vestir a capa da legalidade democrática, mesmo que por enquanto se mantenha branda: Ansumane Mané assiste às reuniões do Governo e da Assembleia Nacional Popular e as imagens televisivas mostram os guarda-costas de armas em punho durante as sessões. Ansumane Mané visita ministérios, quer saber os nomes dos funcionários, decidir quem fica, quem não fica ou, até, quem vai preso. Consta que no quartel do Cumeré, em Bissau, se encontram já cerca de 2 000 presos (a que só poderá chamar-se presos políticos). O mais grave é que não me lembro de ter lido quaisquer declarações dos representantes dos partidos políticos a exigirem o regresso imediato dos militares aos quartéis, talvez porque se saiba que os antigos combatentes há muitos anos que não estavam em qu

Quarta preocupação - É claríssima a aproximação da Junta Militar à Gâmbia. Foi com a Gâmbia que a Junta se entendeu para a saída de "Nino" Vieira e é da Gâmbia que espera auxílio para romper com o relativo ostracismo a que está a ser votada pela Europa, principalmente por acção da França. E eu, atrás da Gâmbia, continuo a ver a Líbia, cada vez mais afastada dos árabes e mais próxima dos africanos.

Quinta preocupação - Os sinais de mal-estar no Governo são evidentes: diz-se que Hilda Barber, ministra dos Negócios Estrangeiros, nomeada por "Nino" Vieira, deverá ser substituída por José Baptista, o anterior embaixador em Portugal, que também foi nomeado por "Nino" Vieira, mas que é um homem próximo dos partidos da oposição; diz-se que um ministro foi substituído por que andou literalmente ao soco com o primeiro-ministro e creio que este mesmo - que apesar de andar ao soco é um homem moderado e bem intencionado, apesar de um pouco assumadiço - só não é afastado porque vale 230 milhões de dólares da comunidade internacional e não convém espantar os possíveis dadores. A Junta também não assume o evidente: que no princípio de Maio desencadeou um golpe de força, ao arrepio dos acordos que assinara. Não discuto se fez bem, se fez mal. O que não vale a pena é -

Sexta preocupação - Não pode subestimar-se a fúria da França. Incomodada com o que lhe sucedeu em Bissau, não quer perder posições relativamente a Portugal. Pessoas mal intencionadas dizem que até o Presidente Chirac, quando recebeu as credenciais do novo embaixador de Portugal, há poucas semanas, lhe disse considerar excelentes as relações com Portugal, salvo uns pequenos problemas em África. Com certeza que não é verdade, mas reflecte um estado de espírito de outras pessoas. Ora, em quem poderá apostar a França? À primeira vista, quem parece mais bem colocado é Saturnino Costa. Durante os anos em que esteve à frente do Governo foi ele quem acelerou o processo de integração da Guiné-Bissau na zona franco (contra a opinião dos políticos mais esclarecidos, mas apoiado firmemente pelo Presidente Vieira) e foi com ele que as empresas portuguesas mais dificuldade

Sétima preocupação - Neste panorama, é precisamente a passividade de Lisboa o que mais preocupa. Anda-se a reboque do que se vai passando, dá-se asilo político a "Nino" Vieira, mas fazem-se ouvidos moucos a outros pedidos (de 15 sei eu) e continua-se a braços com complexos que não têm razão de ser. Portugal pode e deve ajudar a Guiné-Bissau, antes que se agrave o cenário que atrás descrevi, o que não quer dizer que não salvaguarde os seus interesses. A Guiné-Bissau é um país soberano e como tal tem que se tratado. Nos dois últimos séculos, ocasiões houve em que Portugal teve que recorrer à ajuda externa, aos empréstimos externos. Ninguém se comoveu, nem tinha que se comover, com as nossas dificuldades. É assim que tem que se proceder com a Guiné-Bissau. Com todo o respeito pelo país, mas com a firmeza que se impuser. Está dito e redito que a boa cooperação é

*Ex-Conselheiro Cultural em Bissau.

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Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Geocities

Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Terràvista




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