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Subject: Informações sobre a Guiné-Bissau de 17.03.99
Date: Wed, 17 Mar 1999 20:34:36 -0000

Segundo a Agência Lusa, foi concluida óntem e anteóntem respectivamente a retrada das forças militares da Guiné-Conakry e do Senegal do território da Guiné-Bissau. O último contingente senegalês deixou este país por via marítima no passado dia 15, um dia antes da data limite acordada pelas partes para a retirado total. O Presidente Nino Vieira foi ao porto de Bissau despedir-se dos militares que vieram em seu socorro e viajou hoje para Dakar, para encontrar o seu homólogo senegalês e agradecer-lhe o apoio prestado que, segundo ele, teria contribuído para salvar a democracia no seu país.

Esta retirada foi sempre considerada por diversos sectores de opinião guineense como condição indispensável para o restabelecimento da paz no país, o retorno à capital das populações que deixaram Bissau por causa da Guerra e ainda o regresso ao país de muitos quadros refugiados no exterior.

Para a Junta Militar, segundo o seu porta-voz Zamora Induta, desta retirada depende o desbloqueamento de todo o processo negocial ainda em curso de natureza militar, como é o caso do desarmamento das partes ex-beligerantes ao nível do interior, com a consequente formação de umas forças armadas unificadas.

Resta ainda por negociar a questão da desmilitarização na fronteira Norte com Senegal, onde ainda não há um consenso entre as partes implicadas (Junta Militar, forças leais a Nino Vieira e ECOMOG), para além de outras questões de forum militar importantes, mas menos polémicas, como a desminagem.

Segundo o porta-voz da Junta, de momento, mais importante do que saber quem pôs as minas (cada uma das partes acusa a outra), importa agora fazer a sua balizagem para que possam ser desativadas.

2. Situação sanitária: alastramento do surto de menigite

Em declarações prestadas esta manhã à agência Lusa, a Directora Geral da Saúde Pública considerou como muito grave o surto de menigite que continua a flagelar o país, tendo já vitimado cerca de uma centena de pessoas. A Directora Geral receia o alastramento da epedimia a todo o país e a falta de capacidade interna de resposta a esta eventualidade.

A epedimia tinha surgido na Guiné-Bissau pela primeira vez em Março/Abril do ano passado, no leste do país, tendo sido então completamente debelado. O actual surto surgiu em Dezembro último e intensificou-se em Janeiro, estando localizado inicialmente nas regiões de Bafatá, Gabú e Oio.

Presentemente, estendeu-se a Cacheu, Biombo e à própria cidade de Bissau. O número de casos notificados oficialmente é de 529 mas calcula-se que ele é na realidade bem maior, assim como o número de óbitos, pois muitos casos não são levados ao conhecimento dos serviços de saúde pública. O ministério da Saúde calcula serem necessários por volta de 750.000 doses de vacina e a realização de uma campanha de vacinação em massa, estando algumas já em curos e outras previstas para os próximos dias.

Está prevista a chegada ainda nesta semana de cerca de 600 mil vacinas adquiridas pela ECHO. A OMS já enviou 145 mil doses e a ONG Médicos sem Fronteiras de Espanha enviou 175 mil. Estas vacinas estão sendo utilisadas nas regiões de Mansoa e de Gabú.

Segundo a ONG portuguesa VIDA, entre 7 e 15 de Março, surgiram 180 novos casos na região de Oio (53 em Mansoa, 104 em Binar, 12 em Nhacra e 8 em Bissorã), dos quais se estima que cerca de 50% foram mortais. Ainda segundo a mesma fonte, em Gabú, registaram-se até a semana passada cerca de 200 casos, dos quais 60 fatais e em Bafatá, 100 casos, sendo 50 mortais. Em Varela terão já aparecido 4 casos e um em Bigene. A VIDA informa ainda que já se esgotou o stock de clorancenicol oleoso injectaável, medicamento utilisado para os casos como este, resistentes à penincilina.

Pela Rede de Solidariedade com o Povo da Guiné Bissau

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Outros endereços referentes a este tema:

Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Geocities

Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Terràvista




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