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Em: 01-FEV-1999 Tiros regressam às ruas de Bissau ![]() Os tiros voltaram ontem a soar em Bissau, com ambas as partes a acusarem-se do início do conflito (Telefoto Arquivo/CM) Os tiros voltaram a soar ontem na linha da frente em Bissau, no mesmo local onde têm existido violações de cessar-fogo esporádicas. Em pânico, a população da capital guineense que iniciou a fuga das zonas da linha da frente. A Junta Militar e os partidários do presidente «Nino» Vieira trocam entre si acusações sobre a responsabilidade pelo início das hostilidades, numa altura em que ambas as partes instam os soldados a parar de combater, o que terá acontecido poucas horas depois. Às primeiras horas da manhã de ontem, Bissau acordou ao som de tiros de armas ligeiras e bazucas. O tiroteio, inicialmente esporádico começou entre as 04.00 e 05.00 (mesma hora em Lisboa) e restringiu-se à zona de Bissaque/Ponte de Sibe, local que anteriormente tinha já sido palco de idênticas violações de cessar-fogo. Ao som dos primeiros tiros, a população residente na linha da frente iniciou, em pânico, a fuga, tendo-se refugiado em escolas, igrejas e outros locais públicos. Também ao porto da capital guineense chegaram centenas de pessoas provenientes de todas as partes da cidade, uma vez que a fuga para o interior é praticamente impossível por via terrestre: as estradas de acesso a Bissau estão bloqueadas por militares dos dois lados e muitas áreas estão minadas. Ontem, a rádio da Junta Militar responsabilizou os militares senegaleses estacionados em Bissaque pelo início do tiroteio, algo já desmentido pelo porta-voz presidencial, Cipriano Cassamá. A emissora da Junta Militar apelava entretanto a que todos os seus comandantes militares espalhados pelo país estejam «atentos à evolução da situação». Também o comando supremo da Junta Militar responsabilizou ontem as forças militares do presidente «Nino» Vieira pelo reatar do conflito no país. Num comunicado lido na Rádio Voz da Junta Militar, o porta-voz, Zamora Induta, relatou que os confrontos se iniciaram após as posições da Junta em Ponte de Sibe terem sido «inesperadamente atacadas» por militares do presidente «Nino» Vieira, tendo a resposta dos militares afectos a Assumane Mané surgido «em legítima defesa». O primeiro-ministro indigitado, Francisco Fadul, já apelou ao fim das hostilidades e pediu às duas partes em conflito para «refletirem profundamente sobre a crise que caíu novamente» no país, uma vez que agora «tudo foi posto em causa». Paralelamente o porta-voz do Estado Maior do Exército, Arsénio Baldé, anunciou que foi dada ordem às forças militares para um cessar-fogo, tendo desmentido que na origem das hostilidades estivesse um alegado ataque às posições da Junta Militar por tropas senegalesas e francesas. Para Baldé, os incidentes podem ser explicados pelo mal-estar criado na linha da frente entre as duas forças por um alegado embargo ao transporte de gasóleo de Bissau para o território sob controle da Junta Militar, que surgiu em resposta ao embargo de várias mercadorias, impedidas de entrar em Bissau porque os militares da Junta não o permitem. Os incidentes surgem após as delegações da Junta Militar, do presidente guineense «Nino» Vieira e da Comunidade de Estados da África Ocidental (CEDEAO) terem ultimado sábado um projecto de acordo sobre a presença da força militar da ECOMOG e retirada das tropas senegalesas e da Guiné-Conackry do país. O documento que deverá ser agora assinado ao mais alto nível, estabelece em 600 o número total de militares da força da ECOMOG (o braço militar da CEDEAO) a ficar estacionada no país, incluindo os 112 homens do Togo já colocados. © 1998 Correio da Manhã. Todos os direitos reservados.
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