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Em: 02-FEV-1999 Guerra regressa a Bissau Junta Militar aconselha população a sair, face ao que algumas fontes dizem ser um "ataque decisivo" para controlar a cidade![]() Foto: Arquivo DN-Eduardo Tomé ÊXODO. O reacender dos combates está a levar a população de Bissau a fugir novamente da cidade A situação de guerra aberta regressou ontem a Bissau, com novos tiroteios de armas ligeiras e pesadas e a Junta Militar a aconselhar a população da cidade a sair. Ao fim da tarde, já se ouviam rajadas de metralhadoras em bairros situados dentro do perímetro urbano. Um navio francês que seguia com forças da Ecomog recebeu entretanto ordens para não se aproximar de Bissau. Os confrontos começaram no domingo de madrugada, mas ao início da tarde registava-se uma acalmia. Ontem, porém, regressaram os tiroteios, com utilização intensa de armamento pesado, e não abrandaram até à noite. Segundo balanços não oficiais, o tiroteio terá feito já 15 mortos. O Hospital Simão Mendes foi seriamente atingido por três obuses, o que, a par da falta de material médico, dificulta a assistência às duas centenas de feridos que aí deram entrada desde domingo. A meio da manhã verificou-se uma pequena paragem nos combates, provavelmente devido ao pedido de diplomatas às duas partes em conflito, a fim de permitir a saída de Bissau de pessoas de organizações não governamentais estrangeiras. Entre os que saíram conta-se, segundo a Agência Lusa, o delegado da União Europeia, o português Miguel Amado. A Junta Militar decretou ao final da manhã uma trégua de três horas para permitir aos habitantes de Bissau abandonar a cidade "antes do recomeço dos combates". Ao princípio da manhã, através da sua emissora, a Junta aconselhara a população a fazê-lo, o que foi interpretado como estando a preparar uma resposta violenta aos disparos das forças do Presidente João Bernardo Vieira. As ruas da cidade estavam ontem praticamente desertas, com muitas pessoas a procurar refúgio em igrejas ou edifícios públicos. As ligações telefónicas internacionais estão cortadas desde a tarde de domingo e o fornecimento de água e electricidade tem estado sujeito a interrupções. Centenas de pessoas têm estado a afluir às missões dos arredores de Bissau, como a de Cumura, que no entanto não dispõe de medicamentos nem alimentos para as ajudar, nem existem condições de segurança para os ir buscar a outras zonas. Na missão católica de Cumura, que integra também um hospital, tinham-se registado ontem sete mortes e havia pelo menos 30 feridos. Uma fonte eclesiástica da missão disse à Agência Lusa que há "muitas vítimas" dos confrontos e que são vistos "transportes de feridos" pela zona, aparentemente guineenses e estrangeiros, incluindo senegaleses. Segundo a mesma fonte, o que parecia estar a registar-se em Bissau seria "um ataque decisivo" para o controlo da cidade pelas forças rebeldes. Na realidade, parece difícil atribuir a responsabilidade destes combates a qualquer das partes, quando parecia já existir um acordo relativamente à chegada de 500 militares da Ecomog, a força de interposição da CEDEAO. A Junta Militar, num comunicado, diz que, nestas circunstâncias, não tinha qualquer interesse no recomeço dos combates, enquanto outras fontes dizem que também os soldados do Senegal - que têm estado a apoiar Nino Vieira e que deveriam ser agora substituídos pela Ecomog - não tinham qualquer motivo para desencadear novas hostilidades. Para estas mesmas fontes, a responsabilidade poderia caber aos "falcões" dentro da Junta Militar e que consideram demasiado moderada a atitude do brigadeiro Ansumane Mané, e que estariam a "tentar impor-se" antes da chegada da Ecomog. Mas há também quem veja nestes combates um esforço de Nino para evitar aquela chegada, retardando a saída das tropas senegalesas e da Guiné-Conacri. Para já, a chegada da Ecomog está efectivamente adiada. Prevista para ontem, o navio militar francês que se dirigia para Bissau com 300 soldados da Nigéria e do Benim recebeu ordem para não se aproximar da costa, devido aos combates. O desembarque daqueles homens depende do comando das forças francesas estacionadas no Senegal, o qual terá em conta o evoluir da situação em Bissau antes de dar a autorização, indicou o comandante do Siroco. Adiado funeral de D. Settimio Ferrazzetta A diocese de Bissau adiou para "quando for possível" as exéquias do bispo Settimio Ferrazzetta, falecido na passada quarta-feira, devido ao recomeço dos combates na capital guineense. As cerimónias fúnebres estavam a ser preparadas pelos eclesiásticos, quando os combates irromperam de novo na capital guineense, pelo que o funeral fica adiado sem data marcada, de acordo com fonte da cúria diocesana de Bissau. Também ontem foi anunciada a nomeação do padre José Camenate - actualmente pároco de Bafatá - para novo administrador da diocese de Bissau, até à nomeação de um novo titular. Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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