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Correio da Manhã

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Em: 02-FEV-1999

Junta pede à população que abandone Bissau


Forças governamentais em Bissau. Os homens da Junta Militar cercaram ontem a capital guineense e parece que se preparavam para lançar uma contra-ofensiva decisiva

Os combates na capital guineense, Bissau, agravaram-se ontem de manhã com a utilização intensa de artilharia pesada. A Junta Militar rebelde pediu à população que abandonasse a cidade, sugerindo estar a preparar um assalto em grande escala contra as posições das tropas senegalesas leais ao presidente "Nino" Vieira.

O Hospital Simão Mendes sofreu três impactos e está sobrelotado com feridos. Fala-se de duas dezenas de mortos civis e teme-se uma crise alimentar se não for restaurado o cessar-fogo até amanhã devido à falta de aprovisionamentos.

A CPLP apelou à tolerância e disponibilizou-se para "participar em todo e qualquer esforço de paz". Bissau era ontem uma cidade deserta de população. Os residentes tentaram fugir ou procuraram refúgio nos edifícios públicos mais sólidos ou nas valetas de escoamento das águas.

Milhares de pessoas fugiram para as missões religiosas nos arredores de Bissau, que têm falta de meios para lhes prestar assistência. Depois de um dia inteiro de tiroteio, no domingo, a capital guineense voltou ontem a acordar ao som da guerra. Os primeiros disparos fizeram-se ouvir às 6h45 (mesma hora em Lisboa).

Às vinte para as oito da manhã, a Rádio Junta Militar pediu à população para abandonar Bissau e à hora certa iniciou-se uma intensa batalha com artilharia pesada. Não se sabe ao certo porque é os combates começaram, na madrugada de domingo, e ambas as partes acusam a outra. Oito horas antes dos primeiros tiros tinha sido finalizado o projecto de acordo para a colocação no país da força de paz da ECOMOG (600 homens do Níger, Benin, Gâmbia e Togo) e consequente retirada das tropas do Senegal e de Conacri que combateram por "Nino".

As negociações decorreram num clima de tal concórdia que foi também fixada a data da tomada de posse do Governo de Unidade nacional (dia 14). No domingo partiu de Dacar um navio de guerra francês, o Siroco, para levar até Bissau 145 militares do Benin e 146 do Níger.

O comando naval francês na região, com sede em Cabo Verde, deu ontem ordens ao Siroco para estacionar ao largo de Bissau e foi planeada a eventual utilização de um dos quatro helicópteros do navio para manobras de evacuação.

A residência da encarregada de negócios da Suécia foi atingida ontem de manhã e desconhecia-se a situação da missão diplomática francesa. Sabe-se que ontem sairam de Bissau o representante da União Europeia, Luis Amado, e os membros do Programa Alimentar Mundial e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Estes últimos estavam na cidade para preparar uma cimeira da ONU sobre a reconstrução da Guiné-Bissau.

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