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Em: 03-FEV-1999 Sem perspectivas de trégua As tentativas para fazer calar as armas em Bissau não tiveram resultados positivos e o som dos morteiros voltou a ouvir-se ![]() Arquivo DN-Eduardo Tomé GUERRA. O som dos disparos faz de novo parte do dia-a-dia dos habitantes de Bissau. O número de mortos pode ser superior a seis dezenas O som dos morteiros voltou a ouvir-se ontem ao final da tarde em Bissau e sem que a tentativa de mediação para um cessar-fogo, que começou a ser feita ainda no domingo por parte de Portugal, da França e da Suécia, tivesse tido qualquer êxito por falta de resposta do Presidente João Bernardo Vieira. Os tiros de artilharia entre as forças governamentais e os militares rebeldes de Ansumane Mané recomeçaram por volta das 7 e 30 locais, após uma noite relativamente calma. Durante a tarde, os disparos tornaram-se esporádicos, o que permitiu a alguns civis abandonarem os seus refúgios. Mas cerca das 17 horas locais começaram a ouvir-se disparos de morteiros, num reacender dos confontos. De acordo com fontes na capital guineense, o comandante do contingente togolês da Ecomog, que já se encontra na cidade, estaria a desenvolver esforços para que as duas partes aceitassem um cessar-fogo. Segundo fontes diplomáticas citadas pela Agência Lusa, Nino Vieira teria prometido ao tenente-coronel Berená um cessar-fogo, mas isso não teve sequência "por não terem sido proporcionados os meios". As representações diplomáticas de Portugal, França e Suécia estão também, desde domingo, a desenvolver esforços para conseguir uma trégua no conflito guineense. No entanto, esta iniciativa não teve até agora qualquer êxito, face à impossibilidade de contactar com o Presidente Vieira, indicaram fontes diplomáticas. Os combates de ontem provocaram pelo menos 14 mortos e 70 feridos, que foram todos eles transportados para o Hospital Simão Mendes. Só nesta unidade hospitalar, ela própria atingida por obuses, o balanço de vítimas desde domingo é de 35 mortos e cerca de 250 feridos. Fontes hospitalares contactadas pela Agência Lusa referem uma enorme falta de medicamentos, de meios de tratamento e até de víveres para os doentes. As parturientes ali internadas, por exemplo, não recebem qualquer alimento desde o nascimento dos bebés. Para uma fonte da Cruz Vermelha, o número de mortos poderá ascender já a seis dezenas, pois muitas famílias enterram os seus mortos sem os levarem ao hospital. Também no hospitais de Cumura e na Missão Católica de Antula há mais vítimas dos combates, mas estes centros encontram-se inacessíveis devido aos confrontos na periferia de Bissau. Centenas de civis continuaram entretanto a abandonar as suas casas, muitos deles dirigindo-se à zona portuária de Bissau, actualmente sob controlo do contingente togolês da Ecomog. Efectivos deste contingente encontram-se também actualmente no aeroporto da capital guineense. Uma centena de guineenses refugiaram-se entretanto na Embaixada do Brasil, onde também os víveres disponíveis são insuficientes. Através da Agência Lusa, o primeiro-ministro do futuro Governo de transição, Francisco Fadul, fez um apelo à comunidade internacional para que o Senegal, a Guiné-Conakri e a França deixem de intervir no seu país. "Pedimos ao Governo português que mande os seus navios de guerra para Bissau para se poder neutralizar a actuação dos barcos franceses", disse Fadul, acrescentando que Portugal tem o dever moral de ajudar a Guiné-Bissau. Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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